Tudo sobre: Síndrome de Fanconi

Introdução

A síndrome de Fanconi é uma doença rara causada pela disfunção generalizada dos túbulos renais proximais, havendo diminuição da reabsorção e consequente excreção excessiva de elementos importantes como glicose, bicarbonato, fosfatos, vitaminas, sódio, ácido úrico, potássio, aminoácidos e proteínas tubulares na urina. Os túbulos renais - proximais e distais - fazem parte importante dos néfrons (unidades estruturais dos rins) e são responsáveis pela reabsorção das substâncias filtradas pelos glomérulos e secreção os elementos plasmáticos no líquido tubular para posterior formação da urina. 

As perdas excessivas de elementos essenciais ao organismo podem gerar as alterações metabólicas significativas e as manifestações clínicas que, em conjunto, caracterizam essa síndrome. O desequilíbrio ácido-base pode ser tão intenso em alguns pacientes que o desfecho pode ser fatal.

É uma doença rara que foi inicialmente descrita em humanos e depois em outros mamíferos, incluindo os cães. Sua origem pode ser idiopática ou adquirida. Animais da raça Basenji e menos frequentemente das raças Norwegian Elkhound, Shetland Sheepdogs (pastor de shetland), Schnauzers e Yorkshire Terrier já foram relacionados em estudos que indicam possível predisposição hereditária. Estima-se um padrão autossômico recessivo nesta transmissão genética. 

Situações que provoquem alterações metabólicas seguidas de lesões estruturais nos túbulos renais também podem resultar no aparecimento desta síndrome, ou seja, ela pode ocorrer secundariamente a outra doença de base ou a intoxicações por medicamentos, metais pesados e outros produtos químicos.

A gravidade e a manifestação dos sinais clínicos é bastante variável, sendo que em alguns indivíduos permanecem assintomáticos, e em outros há associação com quadro de acidose tubular renal, insuficiência renal aguda ou nefrose

O diagnóstico geralmente só é realizado na fase adulta, com o aparecimento dos sinais clínicos, raramente é feito em animais jovens. A alta variabilidade na manifestação dos sinais e a capacidade de alguns animais manterem os perfis bioquímicos séricos normais podem representar um grande desafio para o clínico quanto ao diagnóstico.

Transmissão

- Hereditária (em alguns casos)

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Poliúria
  • Polidipsia
  • Desidratação
  • Emagrecimento
  • Letargia
  • Hiporexia
  • Fraqueza
  • Artralgia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Urinálise simples
  • Urinálise com upc
  • Hemograma completo
  • Ureia
  • Creatinina
  • Cálcio
  • Potássio
  • Fósforo
  • Sódio
  • Glicose
  • Cloro
  • Análise de sedimento
  • Análise de cálculo urinário
  • ALT- TGP
  • AST - TGO
  • Fosfatase Alcalina
  • Ultrassonografia abdominal
  • Radiografia abdominal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Não existe tratamento específico para a Síndrome de Fanconi e nos casos de origem hereditária, não é possível reverter os defeitos estruturais tubulares. Dessa forma, o objetivo é dar suporte ao organismo para recuperação da homeostase sanguínea e o equilíbrio ácido-base e tentar retardar a progressão para doença renal crônica. Pode haver a necessidade de suplementação de vitaminas e minerais para melhor recuperação do(a) paciente. 

Nos casos adquiridos, secundários a doenças pré-existentes ou intoxicações de qualquer origem, estas devem ser tratadas tão logo seja feito o diagnóstico. Geralmente, são transitórios, e com o tratamento da doença primária pode haver resolução das alterações laboratoriais 

Prevenção

Não há uma prevenção específica, principalmente se relacionada a uma doença hereditária. No entanto, recomenda-se ao(à) tutor(a) que, ao adquirir um animal de raça, sempre procure criadores idôneos e registrados, onde seja possível conhecer a linhagem genética do filhote. O controle sobre doenças genéticas e hereditárias dos reprodutores do plantel e um cuidadoso pré-natal das matrizes pode diminuir as chances de ninhadas com alguma doença prévia. Uma vez que o animal é diagnosticado com qualquer síndrome de origem genética, ele não deve ser usado para reprodução e a castração eletiva é recomendada.

É de responsabilidade do(a) tutor(a) estar ciente dos cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus animais, oferecendo uma alimentação equilibrada, água limpa e fresca e mantendo as consultas, vacinas e vermífugos em dia. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que os animais estejam amparados e facilita o diagnóstico precoce caso tenham alguma enfermidade.

Jamais medique seu pet por conta própria, principalmente com medicamentos de uso humano, pois muitos são potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos. Além disso, alguns medicamentos podem prejudicar seriamente o funcionamento dos rins, predispondo o aparecimento de lesões tubulares. 

Ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos em seu animal, procure atendimento médico o mais rápido possível. 

Referências Bibliográficas

JERICÓ, M. M., KOGIKA, M. M., & DE ANDRADE NETO, J. P. (2015). Tratado de medicina interna de cães e gatos. Grupo Gen-Guanabara Koogan.

PASSOS, M. C. C. Síndrome de Fanconi em cães. Dissertação (Mestrado) em Medicina Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2009.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso