Tudo sobre: Síndrome de Pandora

Introdução

A Síndrome de Pandora caracteriza-se como o conjunto de sinais clínicos e distúrbios do trato urinário inferior de felinos. Ela possui caráter crônico e seu diagnóstico é realizado após a exclusão das demais possíveis doenças do Sistema Urinário. O nome faz referência à Caixa de Pandora da mitologia grega por sua complexidade e multiplicidade de órgãos e sistemas afetados, bem como a falta de informações consistentes sobre esta doença.

Existem várias hipóteses sobre os fatores que podem deixar o indivíduo suscetível a esta enfermidade relacionados a alterações neurológicas, endócrinas, imunológicas e até mesmo psíquicas, uma vez que animais sob estresse tendem a manifestá-la mais frequentemente.

Representa um desafio tanto para o(a) médico(a) veterinário(a) que deve estabelecer o diagnóstico e um protocolo terapêutico, quanto para o(a) tutor(a) que deve se comprometer com a execução do tratamento e estar consciente das grandes chances de recidiva. 

Acredita-se que gatos machos, de raça pura, de pelo longo, com excesso de peso sejam mais predispostos a desenvolver a Síndrome de Pandora. Entre as raças, supõe-se que a Persa seja mais suscetível.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Anúria
  • Disúria
  • Hematúria
  • Oligúria
  • Polaciúria
  • Dor

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Hemograma Completo
  • Ureia
  • Creatinina
  • Urinálise simples
  • Ultrassonografia abdominal
  • Radiografia 
  • Tomografia Computadorizada
  • Urinálise Com UPC
  • Urocultura Com Antibiograma

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento não é curativo, uma vez que a doença tem caráter crônico e pode recidivar várias vezes. Recomenda-se mudanças de manejo e enriquecimento ambiental para reduzir a carga de estresse do paciente, no entanto, se não apresentar melhora, o(a) clínico(a) pode receitar medicamentos que ajudem a minimizar e aliviar os sinais clínicos.

Algumas pesquisas sugerem o uso de feromônios, acupuntura, suplementação alimentar e antidepressivos tricíclicos como formas de controle de estresse e adjuvantes no tratamento da Síndrome de Pandora, mas não há consenso ou sugestão definitiva de protocolo terapêutico. Fica a critério do(a) clínico(a) estabelecer a terapêutica de acordo com a realidade de cada paciente.

Prevenção

A prevenção para Síndrome de Pandora envolve medidas que reduzam o estresse do felino. O(a) tutor(a) deve considerar a natureza e o comportamento do seu animal, prevendo e modificando situações que induzam o estresse. Felinos são sensíveis a alterações no seu território, ou seja, mudanças bruscas de ambiente podem ser um fator desencadeante. 

Eles precisam de um ambiente que permita seus instintos naturais se desenvolverem, um local tranquilo onde possam descansar e um lugar onde consiga se esconder. Eles precisam fazer atividades, ter brinquedos, ser estimulados a escalar e procurar comida. Precisam ainda de um local apropriado para fazer suas necessidades fisiológicas - as caixas de areias devem ser individuais, em local calmo e isolado, com granulados sem cheiro e em boa quantidade e limpas frequentemente. 

O(a) tutor(a) deve ainda se atentar quanto a alimentação. Algumas pesquisas indicam que alimentação úmida é mais favorável aos felinos, uma vez que naturalmente eles não ingerem tanta água, porém a troca da alimentação deve ser cuidadosa e feita gradualmente para não ser mais um fator desencadeante. A quantidade e a qualidade do alimento também é importante, pois a obesidade favorece o aparecimento de problemas urinários.

A ingestão de água em boa quantidade é fundamental para prevenir problemas urinários. Então o(a) tutor(a) deve facilitar e incentivar este hábito, espalhando vasilhas largas (gatos preferem não encostar o bigode em lugar nenhum) com água limpa e fresca pela casa.

Referências Bibliográficas

CAMERON, M. E. et al. A Study of Environmental And Behavioural Factors That May Be Associated With Feline Idiopathic Cystitis. The Journal of Small Animal Practice, Oxford, v. 45, n. 3, p. 144-147, mar. 2004. 

DEFAUW, P.A et al. Risk Factors and Clinical Presentation of Cats With Feline Idiopathic Cystitis. Journal of Feline Medicine and Surgery,Londres, v. 13, n. 3, p. 967-975, 2011.

FERNANDES, C. M. S. Síndrome de Pandora: prevenção e tratamento - revisão sistemática. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Araçatuba. Araçatuba, 2017.

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