Tudo sobre: Síndrome do Gato Voador ou Síndrome do Gato Paraquedista

Introdução

As habilidades de caça e o instinto de perseguir presas sobreviveram durante o processo evolutivo dos gatos domésticos e apesar de hoje não necessitarem se alimentar de suas presas, os gatinhos ainda mantém o hábito de espreitar e agarrar pequenos animais ou objetos. Mesmo nas situações mais complicadas, os felinos pulam sem hesitar em prol de agarrar um inseto ou passarinho voando, mesmo que isso signifique pular de uma sacada ou janela. 

O costume de perambular por ambientes vertiginosos e pouco confortáveis aos olhos humanos também é bastante comum para os felinos e, juntando os instintos de caça e reprodução dos bichanos com o gosto por altura, temos como resultado inúmeras quedas acidentais que podem provocar graves injúrias aos gatos domésticos. 

Filhotes ainda não apresentam o conhecimento necessário para definir os riscos, e essa falta de conhecimento pode colocá-los em situações piores do que animais experientes. Os gatos não castrados também apresentam uma certa dificuldade em resistir aos instintos reprodutivos, mesmo que isso signifique se arriscar por parapeitos e janelas, aumentando a possibilidade de fugas.

A Síndrome do Gato Voador, Síndrome do Gato Paraquedista ou ainda Síndrome da Queda de Grande Altura é o termo utilizado para descrever um conjunto de injúrias apresentadas por gatos que caíram de prédios ou casas de alturas acima de dois andares. Quando gatos pulam de alturas pequenas, podem ocorrer ferimentos, mas em geral o felino consegue sair ileso do evento. 

Quedas de alturas de a partir de dois andares já têm maiores possibilidades de causar graves danos e em geral quedas até o 7° andar provocam sangramento nasal, fratura de palato duro (céu da boca) e traumas torácicos que ocasionam grave dificuldade respiratória. Fraturas de crânio, mandíbula e dos membros também são frequentemente encontradas nessas situações aumentando a severidade da lesão conforme aumenta a altura.

No entanto, quando a queda ocorre de alturas maiores do que sete andares o padrão de injúria é alterado e as fraturas são menos observadas. Este fenômeno é explicado pelo fato dos gatos assumirem a postura de paraquedas a partir dessa altura, com os membros abertos conseguindo diminuir a velocidade da queda e minimizar os danos causados pelo impacto ao chegar no chão.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Dependem do tipo de lesão apresentada.

-Epistaxe

-Choque

-Dor

-Dispneia

-Fraturas

-Pneumotórax

-Hipotermia

-Cianose

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos e exames complementares. O exame físico minucioso é essencial para a determinação das injúrias.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Radiografia

-Ultrassonografia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

O socorro ao animal deve ser imediato à queda, pois mesmo que externamente o gato não apresente aparentes fraturas ou ferimentos, há chance de ocorrência de lesões graves internas que não podem ser vistas a olho nu pelo tutor, mas podem levar à morte. O tratamento deve ser estabelecido de acordo com as injúrias sofridas.

Prevenção

A castração dos gatos domésticos auxilia na prevenção de fugas, pois a interação com outros gatos (principalmente de rua) ficam diminuídas, minimizando as chances de fuga. A instalação de redes de proteção nas janelas e sacadas previne tentativas de fugas e quedas dos animais e ainda um ambiente atrativo em que o gato possa gastar sua energia de maneira segura em casa contribuem não só para evitar quedas como também para a qualidade de vida do pet. 

Referências Bibliográficas

FERNANDES, Sandy da Silva et al. Síndrome do gato paraquedista: estudo retrospectivo de 78 casos (2013-2016). Dissertação de Mestrado. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Faculdade de Medicina Veterinária. Lisboa 2017.

GHEREN, Margarete Weinschütz et al. Síndrome da queda de grande altura em gatos-43 casos atendidos no Município do Rio de Janeiro. 2013.

PEDROZO, Josaine Cristina da Silva Rappeti et al. Homoimplante de costela conservada em solução supersaturada de açúcar a 300% ou em açúcar in natura na reconstituição experimental de costelas em gatos (Felis catus). 2006. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Maria.

TROJAN, Marcelo Marchetti. Contusão pulmonar em cães e gatos. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Veterinária. Porto Alegre, 2017.

VIEIRA, Isabela Simas de Deus. Síndrome do gato paraquedista: revisão da literatura. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação)—Universidade de Brasília, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2018.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso