Tudo sobre: Síndrome do Intestino Irritável

Introdução

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) em humanos é definida como um distúrbio intestinal funcional no qual há dor abdominal recorrente associada à dismotilidade e outras alterações entéricas, como constipação e diarreia. A fisiopatologia da SII permanece desconhecida, mas acredita-se que a causa seja multifatorial. 

Em medicina veterinária, a SII ainda não é bem definida e pode ser descrita genericamente como um grupo de distúrbios com sinais gastrointestinais persistentes ou recorrentes, como vômitos e diarreias associados à constipação, distensão abdominal e/ ou dor. Semelhante ao que ocorre nos seres humanos, acredita-se que nos animais agentes estressantes têm correlação com alterações na motilidade intestinal. Aparentemente a SII não apresenta predileção sexual e pode ocorrer em quaisquer raças caninas e felinas, incluindo os animais sem raça definida (SRD).

A resposta imune derivada do processo inflamatório se restringe ao sistema digestório, concentrando a busca do antígeno somente no lúmen. Alguns estudos especulam sobre defeitos na resposta imune da mucosa ou mudanças na sua permeabilidade, outros investigam a influência da dieta e a presença e qualidade dos micro-organismos intestinais essenciais para a formação de uma flora intestinal saudável. Além disso, há possibilidade de resposta exacerbada autoimune a antígenos no lúmen e da mucosa, disfunção da resposta imune contra bactérias comensais da flora intestinal e infecções do trato gastrointestinal por micro-organismos patogênicos.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Êmese
  • Diarreia
  • Emagrecimento
  • Caquexia
  • Desidratação
  • Apatia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Hemograma completo
  • Albumina
  • Colesterol
  • ALT - TGP
  • AST - TGO
  • Fosfatase alcalina (F.A)
  • Proteínas totais + frações
  • Glicose
  • Ureia
  • Creatinina
  • Sódio
  • Potássio
  • Coprocultura (Cultura de Fezes)
  • Ultrassonografia abdominal
  • Biópsia 
  • Exame histopatológico
  • Cultura com Antibiograma Combinado (Anaeróbios + Aeróbios)
  • Perfil Doenças Entéricas (PCR) Cinomose e Parvovirose

Geralmente, no exame histopatológico da mucosa intestinal não há evidências de inflamação e outras lesões morfológicas. 

Deve-se excluir os diagnósticos diferenciais para sinais gastrointestinais, como doença inflamatória intestinal (DII).

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento da SII requer uma combinação entre a modificação na dieta do paciente em conjunto com a terapia antibacteriana (para combater infecções oportunistas) e imunossupressiva (para controlar o processo inflamatório). Porém, como as causas podem ser variadas e não há um protocolo já determinado na literatura científica, pode haver certa dificuldade no controle da doença.

Em alguns casos, dependendo do estado geral do paciente, a fluidoterapia e a nutrição parenteral podem ser necessárias para fornecer os nutrientes essenciais para manutenção das condições fisiológicas do animal.

Prevenção

Não há uma prevenção específica que impeça o desenvolvimento da SII, uma vez que sua origem normalmente pode estar vinculada a diversos fatores. No entanto, é de responsabilidade do(a) tutor(a) os cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus animais, podendo assim, evitar situações que prejudiquem a saúde intestinal como um todo.

A princípio, deve-se fornecer uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade para que não haja excessos ou faltas para o animal. Em segundo lugar, manter sempre as consultas, vacinas e vermífugos em dia. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade.

Jamais medicar o animal por conta própria, sem a orientação do(a) médico(a) veterinário(a), principalmente quando se trata de antibióticos ou outros medicamentos de uso humano. A utilização indevida e incorreta desses fármacos pode destruir a flora intestinal normal do animal, possibilitando a invasão por bactérias oportunistas, desencadeando processos inflamatórios graves, além de muitos serem potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos.

Por último, ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, o(a) responsável deve procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Referências Bibliográficas

CERQUETELLA, M., ROSSI, G., SPATERNA, A., TESEI, B., JERGENS, A. E., SUCHODOLSKI, J. S., & BASSOTTI, G.Is irritable bowel syndrome also present in dogs?. Tierärztliche Praxis Ausgabe K: Kleintiere/Heimtiere, v. 46, n. 03, p. 176-180, 2018.

KLEINSCHMIDT, S. et al. Retrospective study on the diagnostic value of full-thickness biopsies from the stomach and intestines of dogs with chronic gastrointestinal disease symptoms. Veterinary pathology, v. 43, n. 6, p. 1000- -1003, 2006. PMid:17099159.

SILVEIRA, M. F. et al. Enterite linfocítica-plasmocítica idiopática na síndrome do intestino irritável canina. Rev. Acad., Ciênc. Agrár. Ambient., Curitiba, v. 11, n. 2, p. 131-136, 2013

TAMS, T. R. Chronic Disease of the Small Intestine. In: TAMS, T. R. Handbook of Small Animal Gastroenterology. Saint Louis: Elsevier Saunders, 2. ed. 2003. p. 216-234



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