Tudo sobre: Síndrome do Nó Sinusal Doente

Introdução

O nó sinusal ou nó sinoatrial é formado pelas células marca-passo fisiológicas cardíacas. Ele tem como função a manutenção do ritmo cardíaco normal. Quando sofrem uma lesão, essas células produzem potenciais elétricos de baixa amplitude e pouco eficazes no estímulo da contração das células do miocárdio (células cardíacas), provocando a redução da frequência cardíaca. Ou seja, é uma doença generalizada do sistema de condução cardíaca. 

Pacientes com a Síndrome do Nó Sinusal Doente podem desenvolver assistolia devido à parada do nó sinoatrial com falha na geração de ritmos de escape adequados.

Sua origem não é muito bem esclarecida e pode ser multifatorial; em animais de companhia diz-se de origem idiopática. A disfunção do nó sinoatrial pode ter graus variáveis e, por isso, a síndrome pode manifestar diferentes apresentações clínicas. Alguns animais podem ser assintomáticos durante toda a vida. 

Já foi identificada em humanos e cães. Nesta espécie, essa síndrome atinge mais frequentemente as fêmeas, de meia idade a idosas, embora possa ocorrer em machos também. Foi mais relatada nas raças Schnauzer miniatura e West Highland White Terrier, mas também é observada em Dachshund, Cocker Spaniel, Pug e cães sem raça definida (SRD). É extremamente rara em felinos. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Arritmia
  • Bradicardia
  • Desmaio
  • Fraqueza
  • Taquicardia
  • Parada cardíaca sinusal (bloqueio sinoatrial)

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiografia 
  • Teste de resposta à atropina
  • Radiografia torácica
  • Hemograma completo
  • ALT - TGP
  • AST - TGO
  • Fosfatase Alcalina (F.A.)
  • Glicose
  • Colesterol
  • Ureia
  • Creatinina
  • Urinálise simples

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento da síndrome do nó sinusal doente é parcialmente dependente da presença ou ausência de sinais clínicos. Animais assintomáticos - sem bradicardia grave - devem ser monitorados com eletrocardiograma periodicamente e o(a) tutor(a) deve ser instruído para observar e detectar sinais clínicos que indiquem possível progressão da doença. 

Para pacientes com a síndrome do nó sinusal doente sintomática ou com bradicardia grave, com grandes chances de desenvolver sinais clínicos, o tratamento de eleição é a implantação cirúrgica do marca-passo artificial. Há relatos de tratamento farmacológico, no entanto, ele nem sempre é eficaz e bem-sucedido. O implante do marca-passo reduz ou elimina os sinais clínicos em 90% dos pacientes. A realização deste procedimento deve ser bem discutida entre o(a) médico(a) veterinário(a) e o(a) tutor(a) para análise das condições fisiológicas do paciente para um procedimento cirúrgico e o custo-benefício deste tratamento.

Se não tratada, a síndrome do nó sinusal doente faz com que os episódios de síncope aumentem e o risco de morte súbita também. Com o implante do marca-passo, o prognóstico é bom e a vida do paciente pode ser prolongada.

Prevenção

Por ser uma doença de origem idiopática, não há uma medida de prevenção direta e eficaz para impedir sua manifestação clínica. No entanto, como pode estar associada a casos de cardiomiopatia e outras doenças cardíacas, é importante que o(a) tutor(a) fique atento às mudanças de comportamento do animal e aparecimento de sinais clínicos para encaminhamento ao(à) médico(a) veterinário(a) para investigação e tratamento quando necessário, principalmente em animais adultos e idosos.

Para aumentar as chances de sobrevida do animal, o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico o mais rápido possível em casos de desmaios ou síncopes repentinas, convulsões, acidentes domésticos com ferimentos graves, queimaduras, perda de grande volume de sangue de qualquer origem (hemorragias), brigas com outros animais, atropelamentos, quedas, vômito, diarreia e desidratação intensos. 

Em casos graves, a intervenção emergencial e oportuna pode salvar a vida do(a) paciente e melhorar posteriormente sua qualidade de vida.

Referências Bibliográficas

ABREU, C. R. et al. Implante de Marcapasso em Cão com Doença do Nó Sinusal – Relato de Caso. Revista Eletrônica Biociências, Biotecnologia e Saúde, Curitiba, n. 15, maio-ago. 2016. 

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BURRAGE, H. Sick sinus syndrome in a dog: Treatment with dual-chambered pacemaker implantation. Can Vet J. 53(5): 565-568, May 2012.

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NELSON, R., & COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 5 ed, Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2015

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