Tudo sobre: Superfecundação, Superfetação e Gestação Múltipla Patológica

Introdução

Superfecundação é uma condição que ocorre quando espermatozóides de machos diferentes fecundam os ovócitos da mesma fêmea, no mesmo cio. Isso quer dizer que a gata ou cadela vai ter filhotes de diferentes pais. Ocorre mais em multíparas, que são aquelas que podem parir mais de um feto por vez, como é o caso das fêmeas caninas e felinas. O acasalamento com múltiplos machos é mais comum nas fêmeas que vivem ou têm acesso à rua de forma livre e, na mesma ninhada, é possível observar muita variação entre os filhotes.

Superfetação é o nome dado para a ocorrência de um acasalamento fértil, ou seja, houve fecundação e gestação, quando a fêmea já estava gestante, sendo considerada uma condição rara. Assim, um processo gestacional vai ocorrer de forma diferente do outro, com os fetos se desenvolvendo em velocidades diferentes (fetos em estágios gestacionais distintos). O nascimento destes filhotes pode ocorrer separadamente, ou seja, nascem os filhotes da primeira gestação, que estão aptos, e os filhotes da gestação mais tardia permanecem se desenvolvendo no útero, havendo um segundo parto posteriormente. Outra possibilidade, devido ao processo de parto ter iniciado, é o nascimento dos fetos imaturos, do segundo acasalamento, e dos fetos maduros, do primeiro no mesmo momento. 

Gestação múltipla patológica ocorre quando uma fêmea, cadela ou gata, fica gestante de um número superior de fetos ao que seria considerado normal e acima da sua capacidade fisiológica. Devemos considerar que cadelas pequenas têm em média de um a quatro filhotes; cadelas de porte médio de seis a oito e as de raças grandes e gigantes podem variar de oito a 14 filhotes. Para as gatas, o normal é uma ninhada que varia de dois a cinco filhotes. Considerando estas características, se uma fêmea apresenta mais fetos do que o considerado normal para o seu porte, isso pode gerar problemas na gestação e no parto. Algumas fêmeas possuem maior aptidão genética, mas alimentação exagerada de boa qualidade e tratamento com hormônios também podem induzir o aparecimento desta afecção.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Superfecundação:

- Grandes diferenças nas características físicas dos filhotes da mesma ninhada

Superfetação:

- Nascimento de fetos vivos e maduros, juntamente com outros ainda sem formação completa e mortos 

- Pode ocorrer também: parto com nascimento de fetos viáveis e dias depois outro parto, novamente com fetos vivos e desenvolvidos

-Para gestação múltipla patológica:

- Distensão abdominal intensa

- Tremores

- Anemia

- Hipocalemia

- Dor

- Poliúria

- Taquipneia 

- Dispneia

- Taquicardia

- Distocia, sem parto normal de todos os filhotes

Diagnóstico

Superfecundação:

- Observação dos filhotes muito diferentes e histórico da fêmeas

Superfetação e gestação múltipla patológica, é possível diagnosticar por:
- Histórico da fêmea e sinais clínicos
- Radiografia abdominal
- Ultrassonografia abdominal

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Nos casos onde ocorre superfecundação e superfetação, deve-se focar na prevenção do acasalamento promíscuo e levar ao(à) médico(a) veterinário(a) para acompanhamento e suporte para possíveis problemas que a fêmea possa ter no decorrer da gestação, como fluidoterapia, reposição de cálcio e utilização de suplementos vitamínicos. Na superfetação, caso ocorra nascimento de filhotes mortos, é preciso avaliar se realmente houve expulsão de todos e se os remanescentes estão vivos, pois pode ocorre infecção uterina secundária.

Na gestação múltipla patológica, o(a) médico(a) veterinário(a) deve acompanhar a fêmea de perto, realizando exames periódicos. Assim, será possível corrigir qualquer distúrbio clínico que ela apresente com suplementação de minerais, vitaminas e eletrólitos como o cálcio. O momento do parto é o mais crítico e, em alguns casos, pode ser necessária intervenção cirúrgica com cesariana.

Prevenção

Retirar fêmeas predispostas a desenvolver gestação múltipla patológica da reprodução, devido ao componente genético, ou evitar utilização de tratamentos hormonais em fêmeas que já apresentaram o problema anteriormente.

Impedir que as cadelas e gatas tenham acesso livre à rua é a melhor maneira de prevenir superfecundação e superfetação. Em caso de acasalamentos programados, é preciso ter critério e acompanhamento veterinário para evitar que uma fêmea já gestante copule novamente.

Referências Bibliográficas

FELICIANO, M.A.R. et al. Ultrassonografia bidimensional convencional, de alta resolução e tridimensional no acompanhamento da gestação em cadela. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.59, n.5, p.1333 -1337, 2007.

GRUNERT, E.; BIRGEL, E.H. Obstetrícia veterinária. 3ed. Porto Alegre: Sulina,1989. 323p.

 JACKSON, P.G.G. Obstetrícia Veterinária. 2ed. São Paulo: Roca, 2006.328p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso
Conheça o Serviço Veterinário em Domicílio - Agendar Agora