Tudo sobre: Teratoma

Introdução

Os teratomas são tumores oriundo dos três folhetos embrionários (endoderma, mesoderma e ectoderma), estes são as camadas de células que dão origem aos órgãos e tecidos dos seres vivos. Ou seja, é uma neoplasia de origem embrionária, portanto, desenvolvida durante a gestação.

Teratomas são compostos por tecidos oriundos de vários locais como dentes, pelos, músculo, glândulas, entre outros, sendo diferente do tecido no qual eles surgem. É uma neoplasia rara nos animais domésticos, ocorrendo com maior frequência em cadelas e vacas, acometendo as gônadas (tecido reprodutivo) ou tecidos próximos à linha alba. Teratomas extra-gonadais são de baixa ocorrência, porém, há relato de um teratoma sacrococcígeo em um felino macho.

O teratoma ovariano é uma neoplasia de ocorrência rara, geralmente bem diferenciada e benigna. A ocorrência de metástases está associada a tumores malignos, podendo ocorrer em órgãos abdominais, pulmões, linfonodos e ossos. As metástases comumente possuem uma forma mais bizarra.

São descritos em cadelas com seis anos ou menos. Se apresentam como uma massa abdominal firme e palpável, envolvendo principalmente o ovário esquerdo.

A ultrassonografia e a radiografia evidenciam o teratoma como uma massa circunscrita, que pode apresentar focos irregulares de calcificação. Algumas vezes, o tumor pode ser encontrado de forma acidental durante a realização de alguns procedimentos cirúrgicos, como a castração. A confirmação diagnóstica é obtida pela análise histológica de fragmentos do tumor.

O tratamento é baseado na remoção cirúrgica do tumor, porém, a realização da ovariosalpingohisterectomia (castração) é mais aconselhada, principalmente em casos de malignidade, pois o tumor pode acometer ambos os ovários e o útero.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

-Distensão abdominal

-Massa firme e palpável

-Perda de peso

-Anorexia

-Êmese

Observação: As manifestações clínicas irão variar com a localização do tumor. Alguns pacientes podem ser assintomáticos e o diagnóstico é ocasional.

Diagnóstico

-Associação da anamnese, histórico e exame clínico.

-Laparotomia exploratória

-Radiografia abdominal

-Ultrassonografia abdominal

-Biópsia

-Histopatologia*

-Hemograma completo

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

*A histopatologia, a partir da biópsia do tumor, é imprescindível para a confirmação do diagnóstico e definição do tipo tumoral. A punção de linfonodo e posterior avaliação histopatológica são recomendadas para a pesquisa e determinação de possíveis pontos de metástase.

Tratamento

O tratamento varia de acordo com a localização da neoplasia e geralmente consiste na remoção cirúrgica do tumor. Se houver ocorrência de metástase, pode ser necessária a instituição de quimioterapia.

Quando tumor acomete somente um ovário, é benigno e não apresenta metástase, a ovariectomia (remoção cirúrgica do ovário) unilateral pode ser realizada, o animal é curado e pode ter uma vida reprodutiva normal. Porém, a OSH (castração) é recomendada pois além de levar a cura e evitar recidivas (em caso de teratomas benignos), ela previne o animal de outras doenças.

A omentectomia (remoção cirúrgica do omento) é recomendada mesmo quando não há evidência de lesões tumorais macroscópicas, pois ele é um sítio acometido frequentemente por metástases microscópicas.

Prevenção

Não há forma de prevenir a ocorrência do teratoma, pois ele se desenvolve durante a gestação, ou seja, o animal já nasce com a neoplasia, porém, como este tumor tende a acometer os ovários, a castração eletiva é indicada para a prevenção de metástases, que pode se desenvolver em casos de teratomas malignos. Além disso, sabe-se que a castração precoce leva à redução da chance de desenvolvimento de outras doenças, como o câncer de mama.

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