Tudo sobre: Traumatismo da Coluna Vertebral

Introdução

 O traumatismo da Coluna Vertebral refere-se a um evento exógeno que causa lesão em qualquer parte da coluna vertebral (cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea). Assim como o trauma cranioencefálico, é uma afecção importante e muito frequente na clínica de pequenos animais e pode afetar a medula espinhal e suas raízes, causando disfunções neurológicas que deixam sequelas permanentes, como perda parcial ou completa das funções motoras, sensoriais e viscerais, muitas vezes comprometendo a vida do animal, por isso trata-se de uma enfermidade que necessita de atendimento urgente e, dependendo do caso, pode ser enquadrada em emergência .

  As lesões em medula espinhal e raízes associadas a ela surgem a partir do traumatismo nas vértebras por compressão ou contusão do tecido neural. No entanto, devido aos fatores anatômicos das vértebras, ligamentos, segmento medular, localização dos corpos celulares dos neurônios e diâmetro do canal vertebral, pode ser observado casos com grande deslocamento vertebral e pouca lesão ao tecido nervoso, bem como casos com grande lesão ao tecido nervoso sem grande comprometimento das vértebras.

  Animais de companhia, em especial cães e gatos são altamente susceptíveis a processos traumáticos, seja pelo seu comportamento e convívio muito próximo com o ser humano seja pela sua estrutura corpórea reduzida e a grande superfície de contato em relação ao impacto. Isto é, geralmente traumas na coluna vertebral estão associados a politraumatismos advindos de atropelamentos, quedas, lesões por esmagamento ou arma de fogo, ataques de outros animais e maus tratos.

  Várias tipos de lesões podem acontecer após um impacto externo: fratura, subluxação e luxação vertebral, hemorragia, hematoma e edema medular, lesões compressivas, laceração medular ou das raízes adjacentes, incluindo a cauda equina (raízes de nervos que descem o canal vertebral até o final da medula espinhal).

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Paresia

- Paralisia

- Dor

- Arreflexia

- Ataxia

- Incontinência urinária

- Incontinência fecal

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Radiografia do segmento afetado
-Tomografia computadorizado
-Ressonância magnética

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

  O tratamento é um desafio e deve ser considerado realizado o mais rápido possível após o trauma, uma vez que a decisão rápida e adequada aumenta as chances de recuperação funcional. No entanto, dependendo da gravidade e extensão da lesão medular, muitas vezes a recomendação é a eutanásia do paciente, pois não existe protocolo terapêutico capaz de recuperar a funcionalidade da medula espinhal lesionada.

  Ao receber um animal politraumatizado, a prioridade é estabilizá-lo o mais rápido possível, restabelecendo vias aéreas, administrando oxigênio, tratando desidratação ou choque hipovolêmico com fluidoterapia e imobilização do paciente, análgesicos podem ser usados para controle da dor. Após a estabilização do animal ele será avaliado clinicamente e em conjunto com os exames complementares, e as intervenções específicas serão indicadas, dentre elas o uso de corticoides, neuroprotetores, bloqueadores de canais de cálcio e sódio, antioxidantes e outros.

  Procedimentos cirúrgicos corretivos também podem ser necessários de acordo com o caso.

Prevenção

 Como as principais causas de traumatismos em coluna vertebral são acidentes, a maior prevenção para esta enfermidade é a mudança de manejo a fim de minimizar os riscos de atropelamentos, quedas, pisaduras e agressões. Os animais, caninos ou felinos, não devem ter livre acesso à rua, pois o risco de atropelamentos é muito alto. Os cães devem sempre andar junto com o(a) tutor(a), devidamente contidos na coleira e guia para passeio.

  As janelas das residências com felinos, principalmente os apartamentos em andares mais altos devem possuir grades de proteção para prevenir as quedas. Deve-se evitar o acesso dos felinos aos telhados, muros e árvores pelo mesmo motivo.

  Os animais não destinados à reprodução devem ser castrados, machos e fêmeas, assim que possível. A castração preventiva traz inúmeros benefícios ao animal, porque inibe alguns comportamentos sexuais que os estimula a fugir em busca de parceiros, brigar com outros animais pelo territórios, e auxilia no controle populacional, evitando que mais cães e gatos sejam abandonados à própria sorte nas ruas.

  E por último, todos aqueles que dirigem veículos automotores devem estar sempre atentos ao trânsito, não andar em velocidade acima da permitida na via, pois ainda há muitos animais abandonados nas ruas e estes são as maiores vítimas de atropelamentos e politraumatismos.

Referências Bibliográficas

Arias M. V. B. et al. Trauma medular em cães e gatos: revisão da fisiopatologia e do tratamento médico. Semina, Ciênc. Agrárias 28:115-134, 2007.

Jeffery N. D. Vertebral fracture and luxation in small animals. Vet. Clin. North Am., Small. Anim. Pract. 40:809-828, 2010. 

Mendes, D. S.; Arias, M. V. B. Traumatismo da medula espinhal em cães e gatos: estudo prospectivo de 57 casos. Pesq. Vet. Bras. vol.32 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2012

Siqueira, E. G. M. et al. Trauma cranioencefálico em pequenos animais. Vet. e Zootec. 2013; 20 (Edição Comemorativa): 112-123.

 

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso