Tudo sobre: Trombocitopatias

Introdução

O sangue é formado por um conjunto de células, fragmentos celulares e o plasma, responsáveis pelo transporte de nutrientes pelo organismo, além do sistema de defesa e coagulação. As plaquetas, um dos componentes do sangue, são fragmentos de grandes células produzidas na medula óssea com a função de participar dos processos de coagulação por todo o organismo. Parte essencial do processo de coagulação, elas - também chamadas de trombócitos -, formam uma espécie de tampão, impedindo a passagem de sangue quando existe um dano à integridade do tecido, prevenindo a hemorragia.

Os distúrbios da função plaquetária no organismo são chamados de trombocitopatias ou plaquetopatias. Esses nomes são designações genéricas dadas a qualquer alteração que interfira no funcionamento das plaquetas no sangue. O número de plaquetas circulante pode ou não estar alterado. Em algumas ocasiões o número de plaquetas pode se apresentar normal, enquanto seu funcionamento é falho.

Como resultado do comprometimento funcional das plaquetas são observadas frequentes hemorragias de mucosas, como sangramentos das gengivas e sangramentos prolongados ou excessivos pela falha na atividade pró-coagulante. Os(as) tutores(as) podem observar sangramentos até dias depois de realizadas cirurgias ou procedimentos clínicos. 

As trombocitopatias podem ser congênitas (o animal nasce com a condição) ou adquiridas ao longo da vida, sendo mais comuns as trombocitopatias adquiridas. Doenças infecciosas como leishmaniose ou erlichiose podem ser fatores predisponentes ao aparecimento das trombocitopatias, assim como as doenças do fígado e alguns tipos de câncer relacionados ao sangue. Além de ser consequência de doenças pré-existentes, as plaquetopatias também podem ocorrer pelo uso de medicamentos como anti-inflamatórios e antibióticos.

Mais raramente, cães e gatos podem ser acometidos por condições hereditárias que ocasionam distúrbios do funcionamento de plaquetas como a Trombocitopatia dos Spitz, Landseer e Basset hound, a Síndrome de Scott que acomete cães da raça Pastor Alemão e Trombastenia de Glanzmann tipo 1, observada em Grande Pirineu. Também podem apresentar doenças associadas os Cocker Spaniel e os Collies, além de Gatos Persa que apresentam a Síndrome de Chediak-Higashi.

Transmissão

-Congênito

-Idiopático

Manifestações clínicas

Assintomático

-Epistaxe

-Petéquia

-Hemorragia

-Sangramento prolongado

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Hemograma completo

-Plaquetas

-Coagulograma

-Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada

-Tempo de Protrombina

-Pesquisa de Hematozoários

-Perfil Doadores de Sangue (PCR) Ehrlichia, babesia e leishmania chagasi

-Urinálise simples

-Albumina

-Imunoglobulina A (IgA)

-Imunoglobulina G (IgG)

-Imunoglobulina M (IgM)

-Ureia

-AST – TGO

-ALT – TGP

-Fósforo

-Gama GT

-CPK (creatinofosfoquinase)

-Fosfatase Alcalina (F.A.)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

Deve ser estabelecido o tratamento específico para a doença pré-existente caso seja a causa conhecida e realizado o tratamento de suporte para a trombocitopatia com reposição de sangue ou plaquetas quando necessário. Procedimentos cirúrgicos ou quaisquer procedimentos invasivos devem ser evitados, a fim de minimizar a ocorrência de hemorragias.

Prevenção

A realização de exames regulares proporciona a identificação precoce de doenças ou condições tratáveis, aumentando a expectativa de vida do animal. O(a) tutor(a) deve utilizar medicamentos somente com prescrição veterinária, evitando que ocorram problemas de saúde em consequência da utilização desnecessária ou errônea de medicamentos.

Referências Bibliográficas

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso