Tudo sobre: Tumor de Células da Granulosa

Introdução

Os tumores ovarianos são raros nos animais domésticos. Acredita-se que este fato seja consequência da maior conscientização a respeito da importância da castração eletiva. Dentre eles, o tumor das células da granulosa possui maior prevalência, acometendo cadelas e gatas entre dois e 10 anos. Pode ocorrer em fêmeas castradas nos casos em que houve inadequada remoção dos ovários, restando alguns fragmentos e, assim, desenvolvendo a síndrome do ovário remanescente.

Geralmente é de ocorrência unilateral e palpável, podendo causar distensão abdominal. A malignidade é rara e é um fator predisponente para a ocorrência bilateral. Pode ocorrer o desenvolvimento de metástases.

Por ser um tumor funcional, ou seja, hormonalmente ativo, secreta altas quantidades de estrógeno, desenvolvendo hiperestrogenismo, que resulta em estro (cio) contínuo, tumefação vulvar, alopecia, hiperpigmentação, corrimento vaginal, hiperplasia endometrial, piometra e aplasia de medula óssea.

Os exames de imagem auxiliam no diagnóstico, porém, o diagnóstico confirmatório e a determinação do tipo tumoral depende da análise citológica/ histopatológica do tumor.

O tratamento consiste basicamente na realização de ovariosalpingohisterectomia (castração) terapêutica, que na ausência de metástases leva a cura da paciente, tendo bom prognóstico. Terapia para correção dos efeitos do hiperestrogenismo deve ser instituída quando necessário.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

-Distensão abdominal

-Massa abdominal palpável

-Linfadenomegalia

-Estro contínuo

-Tumefação vulvar

-Alopecia

-Hiperpigmentação

-Corrimento vaginal

Observação: Animais com hipoplasia de medula podem apresentar anemia, equimose, hemorragia e outros sinais resultantes da pancitopenia (diminuição das três linhagens celulares da medula óssea - hemácias, leucócitos e plaquetas). 

Diagnóstico

-Ultrassonografia abdominal

-Radiografia torácica e abdominal

-Laparotomia exploratória

-Dosagem de estrógeno

-Histopatologia 

-Hemograma completo

-Urinálise

-Avaliação da medula óssea

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

*A histopatologia, a partir da biópsia ou punção aspirativa do tumor, é imprescindível para a confirmação do diagnóstico e definição do tipo tumoral. A punção de linfonodo e posterior avaliação histopatológica é recomendada para a pesquisa e determinação de possíveis pontos de metástase.

Tratamento

O tratamento do tumor de células da granulosa é cirúrgico e consiste basicamente na OSH (castração) terapêutica. Recomenda-se a realização de omentectomia, pois essa é uma estrutura frequentemente acometida por metástases, que nem sempre são visíveis a olho nu.

Além disso, pode ser necessária a correção dos problemas decorrentes da hipoplasia de medula óssea, com o uso de estimulantes e transfusão sanguínea

Prevenção

A castração eletiva é o principal método de prevenção, atuando também na prevenção de ocorrência de muitas outras doenças, como piometra e câncer de mama, além de evitar prenhez indesejada.

Referências Bibliográficas

FÉLIX, P. G.; SEIXAS, G.; OLIVEIRA, L. R. R.; SILVA, T. Tumor de células da granulosa em cadela: Relato de caso. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 13, n. 3, p. 97-97, 18 jan. 2016.

MOREIRA, S. et al. Timoma e tumor de células da granulosa em gata. Acta Scientiae Veterinariae [online]. 2005, v. 33 n.2, p. 211-217. Acesso em: 10 de nov. de 2019.

SAMPAIO, A. D. P., et al. Tumor da célula da granulosa associado à piometra em uma gata de sete meses. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.69, n.5, p.1145-1151, 2017.

SILVA, A. C. et al. Ciência veterinária nos trópicos. Recife-PE, v. 12, nº 1/2/3, p. 41-45, janeiro/ dezembro, 2009

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