Cães podem auxiliar no diagnóstico de câncer em humanos.

Por Mariana Castelhano Diniz, Médica Veterinária e Assistente Técnica da Ourofino Saúde Animal – Unidade de Negócio Pet.

A relação entre o homem e o cão existe há milhares de anos. Na antiguidade, em sua maioria, eram utilizados como cães de trabalho, seja para a caça ou para guarda. Nos dias atuais fazem companhia para muitas pessoas, além disso, são atletas e exercem trabalhos importantes como detecção de drogas, busca e salvamento de pessoas.

Dentre todas essas habilidades, estudos recentes identificaram que os cães podem fazer muito mais, eles são capazes de através do olfato detectar o câncer em humanos, mesmo que ainda em estágios iniciais da doença e não estejam apresentando sintomas visíveis.

Uma pesquisa da Fundação Pine Street, na Califórnia (EUA) – que presta apoio a pacientes com câncer – sugere que com aproximadamente três meses de treinamento é possível tornar um cão detector de tumores malignos.

Segundo estudos da entidade, o animal pode apontar, entre várias amostras de hálito humano, qual pertence a um portador de câncer de pulmão ou de mama.

A entidade realizou um teste com supervisão científica envolvendo 55 pessoas com câncer de pulmão e 31 com câncer de mama, além de um grupo controle de 83 pessoas saudáveis. Foram utilizados cinco cães e estes conseguiram uma margem de acerto entre 88 e 97% na detecção da doença.

Cães podem auxiliar no diagnóstico de câncer em humanos

Cães podem auxiliar no diagnóstico de câncer em humanos.

Outra pesquisa, realizada na Escola Veterinária de Cambridge (Reino Unido), constatou que cães podem ser treinados para detectar a presença de células cancerígenas em amostras de urina de pacientes com e sem câncer de próstata.

Em uma pesquisa realizada no Japão, um cão da raça Labrador conseguiu detectar um câncer de intestino pelo cheiro do hálito e de amostra de fezes. De acordo com os pesquisadores da universidade Kyushu, no Japão, o uso de cães em teste de rotina para detecção de câncer seria difícil e custoso, mas estudos podem levar ao desenvolvimento de sensores eletrônicos no futuro.

Até meados de 2004, o assunto era visto com resistência por parte dos médicos. Nesse mesmo ano, uma pesquisa levou o assunto de forma oficial ao meio científico, com sua publicação no conceituado British Medical Journal. O estudo publicado revelou um acerto de 41% em apontar portadores de câncer de bexiga.

Diversos estudos mostram que existem cheiros específicos discerníveis exalados pelas células cancerígenas do corpo. Os componentes químicos que provocam tal cheiro característico não estão elucidados, o que se sabe é que os cães, por possuírem olfato bem mais apurado que o humano, conseguem distingui-lo de um odor de uma pessoa saudável.

Os cães também estão sendo treinados e utilizados para detectar alterações na taxa de açúcar de pacientes diabéticos e na detecção de crises epiléticas, em ambos os casos os cães identificam a alteração e esboçam gestos para avisar enfermeiros e parentes, evitando assim o aparecimento de consequências graves decorrentes de tais alterações.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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