Petshops boicotam fabricante de rações

Petshops boicotam fabricante de rações

Clientes de alguns petshops acostumados a comprar a marca Royal Canin têm encontrado cartazes incomuns nas prateleiras. Os lojistas avisam que não há reposição da ração da marca francesa por conta do elevado índice de reajuste repassado ao varejo.

Sem disposição para repassar o reajuste de preço de até 40%, os donos de petshops preferiram boicotar o produto.

Normalmente fabricantes como Eukanuba, Premier e ProPlan repassam seus reajustes duas vezes por ano, o que minimiza o impacto no bolso do consumidor.

A Royal Canin informa, em nota, que o reajuste é decorrência do aumento significativo nos preços de matérias-primas e embalagens e que a empresa absorveu este acréscimo pelo maior tempo possível.

Os novos preços, considerados abusivos por muitos consumidores, provocaram uma onda de protestos e boicotes à empresa na internet e em alguns petshops, dentre eles grandes redes  do setor, como a Cobasi, onde os aumentos variaram de 15% a 40%.

Segundo Márcio Waldman, diretor-presidente do PetLove, empresa especializada na venda de produtos para animais de estimação pela internet, ao longo do ano passado os preços das rações costumavam subir acima dos índices de inflação. “Mas este ano fomos surpreendidos por um aumento de 30% nas rações da Royal Canin”, diz.

Waldman conta que o reajuste modificou o perfil das vendas. Segundo o diretor, parte dos consumidores de rações super premium migraram para outras marcas, como Eukanuba e  Guabi. Apesar disso, ele afirma que os negócios da empresa não tiveram prejuízos.

“Não fomos prejudicados porque tivemos compensação [de vendas] de outras marcas”, avalia. “Mesmo assim, o mercado vive melhor sem grandes modificações nos preços”, acrescenta.

A alternativa que o PetLove encontrou para driblar as perdas do reajuste foi o estoque de mercadoria. De acordo com Waldman, a opção da empresa foi reforçar o estoque de rações e vendê-las ao preço antigo. “Compramos um estoque que costumava durar por três meses. Com o aumento dos preços, ele acabou em 15 dias”.

Aumento de matéria-prima

Segundo Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de  Alimentação Animal (Sindirações), a cadeia de petfood no Brasil vive um momento turbulento de alta inflação alimentar. Com isso, o aumento dos preços das commodities agrícolas, principalmente de soja e milho, dificulta o repasse dos custos de produção aos consumidores finais.

“Muitas empresas de ração tentaram atrasar o máximo o repasse dos preços para não prejudicar seus consumidores. No entanto, elas não foram capazes de absorver todos os custos agregados à cadeia de produção, daí o reajuste elevado”, explica Zani.

“A indústria de alimentação animal está sofrendo as consequências do aumento explosivo dos custos de produção. Os consumidores estão sentindo no bolso o peso da inflação do agronegócio, que levou a esse patamar de reajuste de preços”, afirma.

Para Zani, outro fator que contribui para os reajustes nos preços das rações de cães e gatos é a alta incidência de impostos, sobretudo, ICMS, IPI e PIS/Cofins. No Brasil, a carga tributária sobre produtos de petfood é de 50%. Nos Estados Unidos a carga é de 7%, segundo o representante do Sindirações. Na Alemanha, um dos países mais caros da Europa, ela chega a 18%.

“A carga deveria ser diminuída. Com o preço mais barato, aumenta o número de consumidores. Consequentemente, a quantidade de ração produzida e vendida também será maior e o governo poderá arrecadar até mais do que ele já recebe hoje”, argumenta.

fonte: iG São Paulo – Marília Carrera | 

Sobre o autor

Dr. Marcio Waldman

Dr. Marcio Waldman

Medico veterinário, diretor e fundador do www.petlove.com.br. Formado em 1988 pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e pós graduado em latu sensu em odontologia veterinária, foi secretário geral da Anclivepa SP (associação nacional de clínicos veterinários de pequenos animais) e sócio fundador do Simpavet (sindicato patronal dos médicos veterinários). Atuou como clínico veterinário de pequenos animais de 1988 a 2005 em São Paulo, e em 2005 terminou a atividade na clinica para se dedicar exclusivamente ao Pet Love.

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