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Ansiedade de separação: como lidar com a síndrome durante o serviço

Por Danielle Lima -

Entenda por que a ansiedade de separação acontece e como reduzir o sofrimento do animal.

Quando os pets, principalmente os cães, apresentam ansiedade de separação, eles estão antecipando o sofrimento de ficar longe de seu(s) tutor(es), que vem acompanhado pelo medo de que coisas ruins aconteçam enquanto eles estão sozinhos. Essa ansiedade é baseada basicamente no medo e insegurança do pet de ficar sozinho pois está acostumado a ter uma companhia e contato com o tutor 24h por dia.

Isso é bem comum durante hospedagens. Cães com essa condição costumam ficar muito agitados quando percebem que o dono está para sair. E é nesse momento que você precisa ter muita calma e paciência para lidar com a situação.

Em momentos delicados como esse, é essencial que você esteja preparado e disposto a contornar essa situação e ajudar o pet a se sentir melhor naquele novo ambiente. Sempre tenha em mente que o cliente escolheu você para cuidar do pet dele enquanto ele estará ausente e espera que você faça isso até ele voltar.

Os sinais mais comuns que indicam que o pet sofre de ansiedade de separação são: 

  • Inquietude (andam de um lado para o outro);
  • Vocalização (tendem a ficar latindo, uivando incessantemente);
  • Comportamento sombra (segue o herói por toda a casa);
  • Contato físico constante;
  • Comportamento destrutivo (liberam toda a frustração de estarem sozinhos nos objetos da casa);
  • Necessidades fora do lugar;
  • Falta de apetite;
  • Depressão;
  • Respiração ofegante;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Tentativa de fuga.

O que fazer?

Existem medidas que você pode tomar para amenizar os sintomas, acalmar o pet e seguir com o serviço. Antes de mais nada, você precisa entender o intuito de todas as dicas que você pode aplicar. Queremos que o pet tenha uma proximidade com você, mas que não dependa da presença de um humano para que ele se sinta seguro e calmo.

  • Pet está arredio:

Se o pet está arredio, se encolhendo e se escondendo embaixo da cama ou do sofá, isso mostra que ele está com medo e inseguro quanto a sair para explorar a sua casa e socializar. O importante nesse momento é não forçar nenhuma situação que piore esse comportamento.

Deixe ele sempre em seu campo de visão mas mantenha uma distância física dele e deixe que aos poucos ele vá cheirando e conhecendo o ambiente de acordo com a vontade dele. É importante que se ele escolher um cantinho para ficar nesse começo de adaptação você deixe sempre um potinho de água e ração próximo, e um tapete higiênico para que ele possa fazer suas necessidades.

Para iniciar uma aproximação, tente sentar no chão próximo a ele, chame-o pelo nome e ofereça algum petisco para ver se ele caminha até você. Se ele chegar perto, tente fazer algum carinho e fale sempre, em um tom calmo, reforços positivos como “bom menino(a)”, “não precisa ter medo”, “fique tranquilo”.

Isso pode levar um tempo, mas não desista. Se não deu certo, se retire e volte a tentar mais tarde. Lembre-se que você está construindo uma ligação de confiança com o pet e isso deve ser feito com paciência.

  • Pet apegado ao tutor:

Caso você perceba que o problema do pet é ser extremamente apegado a presença humana, faça companhia a ele, mas sempre permita que ele realize certas tarefas sem você. Deixe, por exemplo, que ele se acostume a comer sozinho em um cômodo, ou que ele se distraia com um brinquedo sem precisar que você participe da brincadeira. Quando ele aprende que consegue fazer essas coisas sozinho, ele conseguirá fazê-las quando você se ausentar. Esse é o treinamento que vai evitar que ele fique “paralisado” quando ninguém estiver em casa além dele.

Atividades físicas e socialização

Quanto mais cansado o pet estiver, menos disposição ele terá. Por isso, quanto mais você ocupar o tempo dele com atividades físicas, melhor. Isso vale tanto para brincadeiras em casa mesmo, como para passeio. Isso ajuda não só a eliminar o acúmulo de energia, como também relaxa a mente do animal. 

Importante: só use passeios como forma de gastar energia se o tutor autorizar. Lembre-se que durante as crises eles podem tentar fugir, e o passeio pode ser o momento ideal para conseguir escapar. Só passeie com o pet se ele já estiver mais calmo e acostumado com o novo ambiente.

Outro ponto é a socialização. Nem sempre é um processo fácil e rápido, mas apresentar um outro pet ao hóspede pode ajudá-lo também, seja o seu próprio pet ou algum outro hóspede. Eles começarão a interagir e, juntos, também gastarão energia e se manterão mais tempo ocupados um com o outro. Faz bem para a saúde física e mental de todos os animais socializar e conviver com outros da mesma espécie.

Enriquecimento ambiental

O enriquecimento ambiental nada mais é do que deixar o ambiente em que o pet vive mais divertido, atrativo e desafiador para ele. Essa técnica tem como objetivo aumentar a interação do animal com o espaço de forma lúdica e positiva. Além disso, ajuda a manter o pet entretido e as suas características (olfato e audição aguçados) e atividades caninas (busca por alimentos, cavar, explorar) constantemente estimuladas. 

Aqui temos um post muito legal com várias dicas de como enriquecer o ambiente através de brinquedos para pets.

Se você precisar sair

Se você precisa sair mas o pet que está com você está apresentando sinais de ansiedade por separação, separamos algumas dicas para te ajudar caso você precise sair de casa para ir ao mercado, por exemplo.

  • Antes de sair

Uma boa tática para fazê-lo ficar mais calmo na hora que você está saindo sem ele é, antes, fazê-lo gastar energia. Brinque bastante assim ele estará mais cansado quando você estiver saindo. Ele vai estar mais propenso a usar uma parte do tempo sozinho para comer, beber água e cochilar.

  • No momento de sair

Não dê muita atenção ao pet– na verdade, você pode ignorá-lo nos 15 minutos que antecedem a saída. Pode parecer uma atitude cruel, mas é melhor fazer isso do que aquelas despedidas muito longas. Essas despedidas mostram ao pet que você está sofrendo por ter de deixá-lo sozinho – e se você está sofrendo, ele acredita que também vai sofrer quando estiver sozinho. Afaste as tentativas dele de chamar sua atenção.

Muito importante: fique sempre atento se você fechou todas as portas/janelas ou possíveis rotas de fuga antes de sair. Isso porque, um pet desesperado e com medo, pode querer te seguir e acabar fugindo. Temos que prezar pela segurança dele.

Técnicas para acostumá-lo à saída

  1. Tente fazer “saídas de teste”. Elas consistem em saídas bem curtas que servem apenas para mostrar ao cão que você vai voltar depois que sair de casa. Comece saindo por pouco tempo (uns cinco minutos já está bom), e vá aumentando essa pausa aos poucos, alguns minutos por dia.
  2. Nessa mesma linha, faça outro experimento: troque de roupa, coloque os sapatos, pegue as chaves… E fique em casa! Depois de um tempo, desfaça tudo e continue agindo como se nada de diferente estivesse acontecendo.
  3. Pense em mudar a sua rotina de saída. Se você costuma fazer as coisas em uma determinada ordem, como colocar o casaco, depois pegar a bolsa e as chaves, mude a ordem dessas ações. Deixe o máximo de coisas já prontas (por exemplo, deixe as chaves dentro da bolsa para não fazerem barulho), isso vai deixar o cão menos atento ao momento de saída.

Na sua chegada

É importante que quando você chegar não faça “festa” para o cão, pelo mesmo motivo de não dar atenção a ele na hora de sair. Pode fazer contato visual com o cão, mas não fique interagindo demais com ele. Se ele tiver feito bagunça e você chegar com agitação e dando bronca, ele vai interpretar isso como um reforço positivo (já que você está dando atenção a ele) e ele sempre vai repetir a bagunça quando sozinho. 

Se você chegar calmo e sem alarde, ele vai aprender que ficar sozinho é apenas mais uma parte da rotina, e que por isso ele não precisa ficar agitado. Apenas o cumprimente e agrade quando ele estiver completamente calmo.

Lembre-se, cuidar de animais com ansiedade de separação exige muita paciência e carinho. Entender que o pet está com medo e tentar quebrar essa barreira entre vocês é muito enriquecedora. Não é sua obrigação tirar completamente esse “trauma” dele, mas tentar oferecer um ambiente mais confortável para ele deve ser seu objetivo. E caso precise de ajuda, entre em contato conosco!

Por Danielle Lima

Escrevo desde criança, mesma época em que nasceu o amor pela leitura, por cães e pela natureza. Tutora da Tina e do Thor (meus eternos petloves), madrinha oficial do Shrek (novo membro da família) e de outros pets em abrigos.

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