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Cachorro e criança é uma boa combinação?

Muitos estudos apontam os benefícios para a criança ao ter um cachorro. Mas e o cachorro, se beneficia dessa relação? Vamos entender um pouco mais sobre essa relação entre cachorro e criança.

criança abraçando um cachorro preto grande

Hoje fui passear com a minha cachorrinha Aurora logo cedo. Encontramos uma outra cachorrinha bem fofa e pequena igual a ela, chamada Mimi. No início, Mimi estava medrosa e tímida. Mostrava interesse em se aproximar, mas a qualquer movimento da Aurora, logo ela corria.

Tentei me aproximar da tutora da Mimi, a pequena Juju, de seis anos. Juju estava acompanhada da sua mãe. Mas esta estava focada em outras atividades e mal olhava para as pequenas menina e cachorra.

Juju também se mostrou tímida do início. A medida que as cachorras interagiam, Juju também se soltava comigo. Pareceu que a Mimi lhe dava confiança para iniciar uma nova amizade. Quando Mimi e Aurora cansaram de brincar, Juju pegou sua pequena no colo.

Foi aí que começou minha reflexão. Claramente a Mimi estava ajudando muito a Juju para se socializar e “ganhar o mundo”. Porém, quando a Juju estava bem confortável conversando comigo, começou a mudar suas atitudes com a Mimi.

Ela pegava a cachorra no colo, punha a mão da boca da cachorra, pegava pelas micro-patas e girava no ar (sem jogar para cima, apenas entre seus braços) para pegar no colo. Foi, então, que ela me mostrou as unhas da Mimi. Todas pintadas com esmalte rosa. 

Perguntei se ela gostava da Mimi. Ela disse que sim, que o tio dela (Juju) havia presenteado com a Mimi para elas serem amigas.

Não sabia se falava com a mãe (que já estava bem longe de nós), se instruía a menina, se saia correndo, se escrevia um texto. Vocês já sabem qual foi a única opção que consegui seguir.

Não estou dizendo que todas a mães são atarefadas e não podem olhar seus filhos. Muitos menos que todas as crianças irão tratar os cães como brinquedo. Mas que nem sempre é saudável para o cão ter um tutor criança. Ainda mais para ocupar o lugar de um amigo.

Leia também: Depressão em cachorro: uma realidade ou apenas moda?

Você tem um filho e quer ter um cachorro? Eu sou super a favor, desde que algumas situações sejam ponderadas:

  1. Toda interação entre cachorro e criança seja supervisionada. Sim, toda!
  2. O cachorro não seja algo para suprir uma falta (amigos, pais, parentes, atenção, um cuidador, um objeto etc);
  3. A criança seja ensinada sobre respeitar os limites do cachorro;
  4. O cachorro tenha momentos e espaço para não estar sempre perto da criança. Que possa optar por não interagir com a criança, caso ele não queira;
  5. A criança possa ser responsável por dar comida ou passear com o cachorro, desde que supervisionada pelo responsável;
  6. Seja ensinado à criança que animais não são objetos e nem estão sob julgo humano;
  7. Não permitir que a criança repita comportamento agressivos, que sofra ou venha a sofrer, no cão.

Quer entender como uma criança é tratada? Veja a forma como ela trata seu cachorro. A Juju queria que a Mimi se comportasse e ficasse quietinha ao lado dela. Quando a Mimi saiu correndo, ela gritou, correu atrás e brigou feio com a Mimi. Quando a Mimi tentou escapar do colo da Juju e acabou arranhando a perna, a Juju veio me mostrar indignada o que a Mimi tinha feito nela.

Não estou aqui para culpar ninguém. Só estou querendo que seja feita uma reflexão sobre o bem-estar da criança e do cachorro, quando criados em um mesmo espaço. Será que há preparo de toda família para educar humano e cachorro de formas diferentes, cada um tendo suas necessidades básicas atendidas?

Cachorro não é babá. Cachorro não é brinquedo. Cachorro não deve ser adquirido como algo útil para a criança. Cachorro e criança podem ser melhores amigos. Mas essa amizade deve ser construída com orientação em tempo integral. Se você não tem essa disponibilidade (por qualquer motivo que seja), talvez seja melhor não ter um cachorro.

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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