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Como ocorre a aposentadoria de um cão-guia?

Nossa colunista Jéssica Vieira vai te explicar a sobre a importância da aposentadoria de um cão-guia, um período tão necessário quanto a socialização e o próprio treinamento dos pets. 

Por Jéssica Vieira -

A aposentadoria de um cão-guia ainda é um assunto muito delicado na nossa sociedade, uma vez que – por questões culturais – associamos esse termo a algo ruim, penoso e até mesmo à inutilidade ou ineficiência de um trabalho. No entanto, saiba que a aposentadoria de um cão-guia é tão importante e necessária quanto a sua socialização e o seu próprio treinamento. 

Normalmente, a aposentadoria de um cão-guia acontece após sete ou oito anos de trabalho junto à pessoa com deficiência visual. E, ao contrário do que se pensa, essa aposentadoria não se dá por que o cão já não consegue guiar, mas justamente para que ele, depois de ter exercido a sua função, tenha tempo, saúde e disposição para viver integralmente como um cão, tendo em vista uma velhice com qualidade de vida.

Dessa forma, a aposentadoria é determinada para garantir o bem-estar e, na prática, ela acontece de forma individual, gradativa, através de exames periódicos e da funcionalidade de mobilidade urbana da dupla, tendo sempre como prioridade a saúde do cão.

Por questões precoces de saúde, tais como displasia coxofemoral, cardiopatias, tumores malignos, disfunções renais, cognitivas, oculares e/ou auditivas ou eventuais acidentes, é possível que a aposentadoria de um cão-guia aconteça antes do previsto e, assim como ocorre com cães saudáveis, ela se dá de forma gradativa para que o cão entenda a transição de uma rotina de trabalho para uma rotina de companhia.

cão-guia andando numa calçada

Quem fica com o cão-guia aposentado?

Quando um cão-guia se aposenta, ele passa a ter uma rotina de um cão-pet, com todos os cuidados referentes à saúde, alimentação e bem-estar que isso exige. Assim, a pessoa com deficiência visual passa a não utilizá-lo mais como ferramenta de tecnologia assistiva e cabe apenas a ela avaliar se tem condições de administrar esse “novo cão” dentro das suas limitações.

De uma forma geral, o cão-guia aposentado continua residindo com a pessoa com deficiência, tendo sua rotina e  cuidados compartilhados com outras pessoas da família, mantendo a relação interespécies já estabelecida.

No entanto, existem situações em que pessoas com deficiência visual não conseguem se adaptar à rotina de um cão de companhia ou mesmo à rotina de dois cães, já que, embora difícil no Brasil, é possível receber um novo cão-guia enquanto o outro está se aposentando.

Assim, a pessoa com deficiência visual busca um lar para esse cão dentro dos vínculos estabelecidos ao longo dos anos, tais como cada de amigos, parentes etc. 

Caso essa possibilidade não exista, a família socializadora tem prioridade na adoção deste cão e, só em último caso, ele volta ao profissional que o treinou, sendo importante destacar que esse cão nunca é abandonado ou destinado a outra função que não seja de companhia. 

Com as novas pesquisas em relação ao bem-estar e à saúde animal em todo o Mundo, cada vez mais a aposentadoria de um cão-guia tem acontecido de maneira a preservar sua qualidade de vida e o vínculo estabelecido com o seu condutor ao longo dos anos, para que ambos possam aproveitar juntos essa nova fase da vida. 

Por Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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