Dia do médico veterinário

Neste domingo (09), é comemorado o Dia do Médico Veterinário no Brasil. A data foi escolhida, pois foi quando no ano de 1933 o então Presidente da República Getúlio Vargas regularizou a profissão no País.

A medicina veterinária no mundo

Existem documentos que sugerem que no ano 4.000a.C. o homem já praticava algo similar à medicina veterinária. Relatos sobre diferentes espécies animais, suas diferenças, doenças, tentativas de tratamento e sugestões de diagnóstico foram encontrados no Egito no “Papiro de Kahoun”. Mais tarde, por volta de 2.000a.C, a África também iniciou estudos relacionados à saúde dos bichos.

No século VI, foi feita uma enciclopédia que catalogava as doenças de diversos animais em mais de 400 artigos. O documento, intitulado “Hippiatrika” foi, em grande parte, escrito por Apsitos, soldado romano considerado o primeiro médico veterinário da história. Foi ele quem descreveu, com perfeição, condições como tétano, cólicas, fraturas e enfisema pulmonar, bem como os resultados que obteve com a aplicação de unguentos e sangria.

A primeira escola veterinária

Foi em agosto de 1761 que criaram a primeira escola de medicina veterinária do mundo. Instalada em Lyon, na França. Cinco anos depois, a segunda escola também seria francesa, desta vez em Alfort, em Paris. Isso faria com que os franceses se tornassem referência na área.

A medicina veterinária no Brasil

Em 1818, o “artista veterinário” João Baptista Moncouet foi nomeado “alveitar”, indivíduo responsável por cuidar de animais doentes e/ ou por fazer suas ferraduras. Ele foi o primeiro encarregado a criar aulas relacionadas aos temas, que seriam ministradas para outros interessados neste ofício. Os cursos, porém, ainda não eram considerados algo similar a uma graduação.

Dom Pedro II, ao visitar a França em 1875, se apaixonou pela Escola Veterinária de Alfort – a qual visitou por diversas vezes – e trouxe a ideia para o Brasil, que demorou um pouco a ser consolidada. Foi no ano de 1896 que a Escola de  Medicina Veterinária do Exército abriu suas portas no Rio de Janeiro. Era uma época de grande avanço para a medicina, em geral, especialmente pelas recentes descobertas feitas por Pasteur a respeito dos microorganismos e como eles interagiam e afetavam os indivíduos, bem como de que forma poderiam ser combatidos.

Dali em diante, os animais passaram a colaborar muito com a ciência, sendo estudados com mais afinco e mais seriedade. As doenças que hoje conhecemos como zoonoses eram motivo de preocupação do exército, uma vez que os soldados poderiam ter graves problemas por conta desta questão. Desta forma, João Moniz Barreto de Aragão foi um importante nome para a nossa medicina veterinária, já que foi ele quem entre 1904 e 1910 estudou muito sobre bacteriologia e patologia dos animais domésticos.

Nos próximos anos, com o auxílio de estudiosos da França, a medicina veterinária foi se desenvolvendo de forma tímida, até que em 17 de julho de 1914, a Escola de Veterinária do Exército foi devidamente reconhecida como um Curso Prático de Veterinária. À época, foi estabelecido que lá aconteceriam: “conferências clínicas aos oficiais veterinários, sargentos e cabos de esquadra respectivos dos corpos montados; investigações científicas e processos que devam ser seguidos para o conhecimento prático, o tratamento e a profilaxia das entidades mórbidas comuns aos animais de tropa e das transmissíveis a outros animais e ao homem; consultas sobre todos os casos que precisem ser esclarecidos, quer com a apresentação do animal doente, quer mediante informações minuciosas enviadas pelos veterinários do Exército”. (art.3º, p.1787-1789).

A primeira turma de médicos veterinários formados – e diplomados – no Brasil se deu há 101 anos, em 1917!

A medicina veterinária atualmente no Brasil

O Brasil é hoje um dos países com o maior número de médicos veterinários. Um “boom” na profissão vem acontecendo nas últimas décadas devido ao aumento considerável na quantidade de animais de estimação em nosso país. O surgimento de novas faculdades e as facilidades de ingresso nas universidades também colaboram para que isso aconteça.

Verdade é que o médico veterinário é um profissional generalista, capaz de atender diferentes espécies e atuar em diversos setores. A medicina veterinária vai muito além da clínica de cachorros e gatos, atuando de forma maciça no meio rural, trabalhando com inspeção de produtos de origem animal e, nos últimos anos, marcando presença como um médico da família.

Com a proximidade dos pets e seus tutores, o médico veterinário passou a ter um papel fundamental nos lares brasileiros, orientando os pais de pets sobre como cuidarem de seus peludos, evitando não somente as zoonoses (maior preocupação anteriormente), mas também as enfermidades que podem comprometer a saúde e diminuir a expectativa de vida dos animais de estimação. Com isso, a profissão passou a integrar a saúde única, que visa trabalhar de forma multidisciplinar, pensando numa “união indissociável entre a Saúde animal, humana e ambiental”.

 

Sobre o autor

Jade Petronilho

Jade Petronilho

É jornalista por formação e comportamentalista veterinária por paixão. Desde criança é a "louca dos bichos", por isso resolveu estudar medicina veterinária, etologia e nutrição animal, mas ainda pretende, um dia, fazer zootecnia. Atualmente tem dois cachorros, quatro gatos e 11 peixes, mas além de cães, gatos e peixes, também já foi tutora de um coelho, três periquitos, dois porcos da índia, dois pintinhos e três cabritos. Hoje, é Coordenadora de Conteúdo Veterinário da Petlove.

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