Famílias multiespécie: uma tendência mundial

Já ouviu falar do termo “família multiespécie”? Pode parecer um pouco esquisito, mas é algo bem comum e vem crescendo ainda mais a cada ano que passa, especialmente no Brasil. Trata-se de uma família composta por pessoas e animais de estimação, em especial cães e gatos. Se antes, o principal critério era o DNA, hoje são os laços afetivos que unem pais, mães, filhos e pets!

Para se ter uma ideia, de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Pet Brasil junto ao IBGE, chamado “Censo Pet”, o Brasil tem mais de 139 milhões de animais de estimação – 54 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos. Outro dado da pesquisa é que mais de 47% dos pets habitam a região sudeste do País. Ou seja, praticamente metade da população de animais domésticos moram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Espírito Santo.

Mas, afinal, o que dizem os estudiosos sobre esta “modalidade” familiar? Ceres Berger Faraco, presidente da Associação Médico-Veterinária de Brasileira de Bem-Estar Animal e professora de Psicologia, costuma dizer que é impossível pensar em família atualmente sem considerar a interação humano-animal, a conhecida “família multiespécie”. Ela aponta a Antrozoologia, uma nova área do conhecimento que estuda as interações entre seres humanos e animais, para explicar essa tendência mundial. Ceres afirma que nas pesquisas são apresentadas diferentes teorias para os laços cada vez mais fortes entre pessoas e peludos.

Famílias multiespécie: uma tendência mundial

Entre elas está o estudo de Edward Wilson, conhecido com a Teoria da Biofilia, que diz que os humanos aprenderam a avaliar o ambiente a partir da presença de outras espécies.“Quando os animais criados em casa estão tranquilos, significa que todo o ambiente está tranquilo”, disse Ceres Berger para o Diário do Nordeste, ao considerar os dias atuais, quando eles continuam sendo indicadores da situação do ambiente, assim como eram nos conjuntos pré-históricos da humanidade.

Outro conceito apontado por Ceres é a Teoria do Apego, criada a partir de pesquisas em Etologia, área que estuda o comportamento animal, pela qual os seres precisam ter alguém de referência para crescer e se desenvolver. “É preciso ter uma figura de apego para nos desenvolvermos. Assim é também com os animais. Podemos observar este apego deles em relação aos seres humanos e destes em relação aos pets”, explica.

Além disso, diferente do passado, quando havia uma competição entre as espécies na natureza, como se houvesse uma verdadeira guerra entre eles no ambiente natural, hoje, pela nova Biologia, é possível perceber a predominação de relações de cooperação.

Tendência

Podemos notar que, com o passar dos anos, estão se esvaziando os berços das crianças enquanto cresce a presença de pets dentro do lar. Assim como em países como Estados Unidos e Japão, o número de animais de estimação que convivem com as famílias supera a de crianças até os 12 anos. Segundo o IBGE, de cada 100 famílias, 44 têm, por exemplo, cachorros e apenas 36 possuem crianças até a faixa dos 12.

A diminuição dos índices de natalidade junto ao aumento da presença de pets que fazem parte da família costuma ocorrer principalmente em países desenvolvidos – ricos -, onde as mulheres trabalham mais, são bem remuneradas e preferem ter menos filhos para usufruir da liberdade – isso sem contar o temor de autodestruir a própria beleza. Enquanto nos países subdesenvolvidos – com menos recursos econômicos -, onde as mulheres são pouco profissionalizadas, os índices de maternidade continuam sendo altos.

Esse enorme crescimento do interesse de famílias por adotar pets, a quem se oferece, muitas vezes, um amor igual ao dirigido às crianças, explica também o interesse cada vez maior de aprovar leis a favor de seus direitos, como uma maior liberdade de movimento nas cidades para que esses animais possam circular nos transportes públicos.

Por fim, uma das últimas descobertas científicas, publicadas na revista Science, é que os cães amam sua família com o mesmo amor do bebê por sua mãe. Também afirma-se que conviver com um animal de estimação, olhar em seus olhos, brincar com ele ou acariciá-lo, produz forte dose de oxitocina, chamada de “molécula do amor”.

 

Sobre o autor

Gabriel Arruda

Gabriel Arruda

É Jornalista, apaixonado por pets e esportes. Está sempre em busca de novos desafios, justamente pela curiosidade que o toma conta. Pai de um Beagle chamado Johnny, mais conhecido como "o Destruidor".

1 Comentário

  • Nós já somos uma família multiespécies há muito tempo, temos cães, gatos, passarinhos, peixes, galinhas, rsrs. Tudo aqui em casa, vivendo muito bem

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