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Medos e fobias em pets

Por Jade Petronilho -

Sentir medo quando existe alguma ameaça próxima é algo natural e esperado tanto para seres humanos quanto para cachorros e gatos. Podemos definir o medo como um estado emocional que responde frente a um desafio ou situação estressante. O medo, em geral, tende a nos ajudar a preservar nossas vidas e a encarar algumas adversidades de maneiras diferentes. 

Devemos pensar que sentir medo não é um problema, é até importante para os indivíduos, mas quando ele é algo exagerado e/ ou que foge de um contexto lógico, ele passa a ser algo além do habitual. Os medos, em geral, são aprendidos e desenvolvidos ao longo de nossas vidas e de acordo com experiências que vivenciamos. Com nossos pets, isso ocorre exatamente da mesma forma – daí a nossa importância, como tutores de animais, entendermos suas emoções e respeitá-las.

cachorro com medo de fogos de artifício, escondido embaixo de um pano

Cachorro ou gato com medo exagerado

Quando o medo passa a ser exacerbado, ele pode ser considerado uma fobia e essa sim merece uma atenção ainda maior – já que não costuma ser algo calculado, mas que pode extrapolar alguns limites, colocando a vida do pet em risco e muitas vezes estremecendo seus laços com seres humanos e até outros animais. 

A fobia costuma ser um medo excessivo e prolongado que, na maioria das vezes, faz com que o animal apresente comportamentos relacionados à fuga e a se esconder em locais variados e muitas vezes improváveis, além de comumente demonstrarem agressividade. Entenda que a fobia é algo sério e que os animais, assim como nós, quando se veem em uma situação desesperadora, tendem a também agir com desespero. 

Medos e fobias são “aprendidos” e reforçados

Sim, nós e nossos pets costumamos “aprender” sobre o que devemos ou não temer. Não à toa, filhotes que têm contato com uma mãe super medrosa costumam ser bem mais receosos, assim como filhotes com uma mãe bem socializada normalmente são mais receptivos a novas vivências também. Quando tiramos um pet da convivência com seus irmãos e mãe é, então, nosso papel orientarmos o que realmente oferece risco ou não – e é aí que muita gente erra.

Não devemos forçar nossos pets a situações que eles não desejam passar. Por exemplo, se o seu gato se esconde das visitas, você não deve ir até a toca em que ele está e fazer de tudo para ele sair de lá. Ao mesmo tempo que você não deve achar graça ou fazer carinho quando seu cão mostra os dentes para alguém que chega perto de você ou tenta sentar no seu sofá. O gato passará a não se sentir seguro nem mesmo em seus locais estratégicos e o cachorro provavelmente terá esse comportamento cada vez mais reforçado. 

Um exemplo de reforço? Estão soltando fogos e seu cachorro não para de latir. Sim, ele está com medo! Quando ele late, os fogos naturalmente cessam, pois o estrondo é algo passageiro. Com isso, ele associa seu latido ao fato dos fogos pararem normalmente e, aí, cada vez que ouvir um estampido, ele irá latir mais, na tentativa de parar aquele som.

O cenário ideal para cães e gatos

Desde pequenos, os cachorros e gatos devem ser habituados com as mais diversas situações e sempre as associando a algo positivo para que não tenham medos e/ ou fobias. Para isso, é fundamental que eles sejam expostos a diferentes tipos de sons, ambientes, luminosidade etc da forma correta e controlada. Em caso de dúvidas, sempre vale consultar um comportamentalista de pets para te ajudar. Se o seu pet já tem traumas, medos e fobias, isso é ainda mais essencial, uma vez que esse profissional poderá auxiliá-lo em exercícios de dessensibilização e redução do estresse. 

Por Jade Petronilho

É jornalista por formação e comportamentalista veterinária por paixão. Desde criança é a "louca dos bichos", por isso resolveu estudar medicina veterinária, etologia e nutrição animal, mas ainda pretende, um dia, fazer zootecnia. Atualmente tem dois cachorros, três gatos e oito peixes, mas além de cães, gatos e peixes, também já foi tutora de um coelho, três periquitos, dois porcos da índia, dois pintinhos e três cabritos. Hoje, é Coordenadora de Conteúdo Veterinário da Petlove&Co.

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