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A escolha do médico veterinário

Por Jéssica Vieira -

Escolher um cão, seja num abrigo ou num canil, não é tarefa das mais fáceis. Montar aquele enxoval completo – com direito a um bom enriquecimento ambiental – também não. Estabelecer uma rotina, levar para passear, contratar adestrador positivo para ensinar truques e treinos são outras demandas que exigem bastante. No entanto, nada é tão difícil quanto a escolha do médico veterinário.

Por mais que você seja um tutor exemplar, que estude e ofereça a vida mais apropriada possível, é com o médico veterinário que precisará compartilhar os passos do seu cão e é nele que depositará toda a sua confiança por, no mínimo, 10 anos.

Médica veterinária examinando um cachorro

Não, não é só uma confiança para “quando você precisar” ou para “uma questão de vida ou morte”. Nesses quesitos, qualquer profissional minimamente ético e dedicado fará um atendimento de forma satisfatória. Falo da confiança construída lado a lado, dentro e fora de um consultório. Falo do propósito comum, daquilo  que só as melhores relações têm: a certeza de ter alguém sempre atento para que o outro não precise. Nem nas questões de vida nem na de morte.

Você sabe que fez uma boa escolha do médico veterinário  quando ele te encoraja para além de um retorno anual. É ele quem manda uma mensagem no meio do dia perguntando se o seu filhote está comendo bem, se já  acertou as necessidades básicas no tapetinho, se gostou do primeiro banho de mar ou se já fez amigos na pracinha. 

É ele quem vai te incentivar a estudar, esclarecer as necessidades específicas do seu animal, orientar sobre primeiros socorros, indicar a melhor alimentação e, claro, oferecer um petisco delicioso depois daquela picadinha da vacina. 

É ele quem vai acompanhar o crescimento dentro e fora do consultório, quem vai vibrar com cada trilha, viagem, descoberta e passar dos anos. É ele quem vai rir com você a cada travessura,  quem vai dizer “É só dar aquele probiótico e esperar um pouquinho para ver a consistência das fezes” depois de o seu cachorro ter comido um pote inteiro de manteiga. É ele quem vai rir de novo quando você disser, incrédulo, que “nada aconteceu”. Mas, no outro dia, quando o medo tiver ido embora, é ele quem vai te alertar para ficar de olho, pois  “poderia ter acontecido”.

É ele quem vai ver, ao seu lado, a vida de quem você mais ama chegando ao fim. E, nessa hora, você saberá o que fazer, pois todos esses anos de confiança terão lhe preparado para um tratamento e para a despedida, que também pesará nos olhos dele. É ele quem vai chorar com/por você. Talvez não na sua frente, mas vai. 

A escolha do médico veterinário é a mais difícil porque é, literalmente, uma questão mais de vida que de morte. E, para viver, seu animal precisa estar não só em boas mãos, mas em boas atenções.

A escolha do médico veterinário é muito difícil e solitária, eu sei, mas o caminho percorrido com ele não precisa – nem deve – ser.

Por Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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