A inteligência canina

A inteligência animal é definida como a capacidade cognitiva de animais, não-humanos, de criarem ferramentas e buscar soluções. Essas faculdades, por muito tempo, foram consideradas apenas inerentes aos humanos, mas atualmente sabe-se que os animais também as possuem. Já, para os donos de animais de estimação, essas demonstrações de esperteza sempre estiveram presentes. Especialmente para criadores e adestradores de cães, existem critérios técnicos para avaliar a inteligência do cachorro.

A classificação do intelecto canino foi montada por um psicólogo chamado Stanley Coren, que, após analisar mais de 200 questionários sobre comportamento dos cães, estabeleceu alguns critérios. Para esse especialista, o cão demonstra múltiplos tipos de inteligência. Na inteligência de tipo espacial, por exemplo, o cão sabe aonde ficam guardadas suas guias de passeio, biscoitos, bem como seus brinquedos. Com grande capacidade de coordenação motora para superar obstáculos, como demonstrado em campeonatos de agility (disputa de adestramento e eficiência para superar barreiras), onde demonstram uma inteligência neuro-muscular extremamente apurada.

O pet também pode apresentar traços de inteligência intrapessoal, isto é, tem ciência de suas habilidades e do que sabe fazer. Se hesitar ao pular alguma cerca, provavelmente não consegue mesmo ou não sabe como. A capacidade interpessoal está em ser sociável ou se organizar em matilhas. Nesse ambiente sociável do cão, pode-se observar outros tipos de traços de inteligência, como: lógico-matemático, calculando riscos e benefícios, vísuo-espacial, ao pegar o pedaço de carne mais próximo, e não o maior. Assim, a chance de não conseguir nenhum pedaço de alimento é bem menor.

Para se adestrar o cão, além dos acessórios para adestramento, é interessante saber a classificação de trabalho e capacidade de aprendizagem, também elaboradas por Stanley Coren. Esta graduação é baseada em quantas repetições o animal consegue absorver, até efetuar o comando desejado, e segundo seus estudos as mais inteligentes, em ordem decrescente, são o Australian Cattle Dog, Rottweiler,  Papillon, Labrador Retriever, Shetland Sheepdog, Doberman, Golden Retriever, Pastor Alemão, Poodle e Border Collie,  que obtêm êxito extremamente rápido, precisando apenas de cinco repetições ou menos para compreenderem o comando.

Consequentemente, os animais classificados no final da escala, 70 a 80, necessitam de até quarenta repetições do comando para que seja assimilado. Pode até mesmo ser necessário repetir o movimento por mais de cem vezes para que se tenha alguma confiabilidade na sua capacidade de executar a tarefa. É importante salientar, também, que essa tabela é voltada para trabalho de adestramento e é uma das variações no campo de estudo de inteligência animal. Por esta razão, um animal classificado no final desta escala não pode ser simplesmente adjetivado como incapaz, de forma definitiva.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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