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Border Collie, praia e bolinha

Se você vai à praia com frequência, já deve ter ouvido o grito. “Seguuuuura a bola!” Ao olhar para o lado – para frente, para trás ou dentro d’água, nunca se sabe -, lá está ele, o Border Collie correndo atrás da “sua” tão sonhada bolinha.

Crianças, jovens, adultos, vendedores ambulantes, turistas, todo mundo ao redor vira espectador e, em milésimos de segundo, a praia ganha uma verdadeira torcida organizada. Time Border, time – dono da – bola.

Eu mesma fui testemunha ocular de várias dessas cenas, sempre achando que o dono da bola não tinha corrido o suficiente, o tutor do cachorro não tinha gritado o suficiente, a bola era ruim demais ou, pior, o cachorro fingia ser surdo. Até que, num belo dia, era eu quem gritava contra um vento forte na estreia praiana da minha Border de quatro meses que, por sinal, nunca teve um problema sequer de surdez. Seguuuuura a bola!

Nem deu tempo. Cinco homens adultos, uma bola verde fluorescente e um time Border que reforçava a tão valiosa recompensa de quem nasceu obstinada pelo movimento. Enquanto olhávamos, incrédulos e às gargalhadas, ela já estava com a bola entre as patas chamando os jogadores – todos profissionais – para brincar. 

Time Border 1 x 0 Time – dono da – bola. 

Daquele dia em diante, passei a estudar e executar treinos de autocontrole com bolinhas, super necessários para cães de pastoreio. Dentro de casa, no hall do andar, no hall do condomínio, na pracinha, em lugares públicos e até mesmo na praia. Tudo através de dessensibilização sistemática, reforço positivo, tudo sob controle. Até eu mesma ouvi meu grito abafado por uma máscara no meio de uma praia – quase – vazia. Seguuuuura a bola!

Nem deu tempo. Um adolescente, um adulto e uma bola de um time impronunciável em plena areia às sete da manhã. A combinação perfeita para uma torcida desfalcada, já que toda praia fica emocionante mesmo depois das dez. 

A muitos metros de distância, brincando com um frisbee que, até então, não largava por nada, Zoé ouviu um chute e, com o frisbee na boca, correu em disparada na busca pela bola. Felicidade do time Border, choro e palavrões do time – dono da – bola. 

Seria cômico, se não fosse trágico. Enquanto o pai esbravejava que eu deveria pagar trinta e cinco reais por uma bola de plástico nada resistente, eu me perguntava quando as crianças foram ensinadas que brinquedos valem mais que o brincar.

Time Border 1 X 1 Time – dono da – bola. 

Certamente, nunca teve cachorro.

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Sobre o autor

Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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