Border Collie – Principais doenças

Sendo considerado uma das raças mais inteligentes do mundo, o Border Collie vai muito além de um cachorro que serve para pastorear rebanhos. Focados e viciados em brincadeiras – principalmente as que envolvem bolinhas – a raça nos proporciona diversos momentos divertidos. Porém, alguns cuidados são necessários em relação a possíveis doenças, principalmente de origem hereditária, que podem acometê-los ao longo da vida. Falaremos a respeito das mais comuns e que podem ser um verdadeiro problema caso não sejam tratadas ou acompanhadas corretamente.

Neutropenia cíclica canina

A neutropenia cíclica canina ou simplesmente “Síndrome do Collie Cinza” é uma doença hereditária que ocasiona um distúrbio imunológico fatal em algumas raças como Chow-chow e Collie – a qual leva o nome da doença -, e Border Collies.

Esta síndrome impede que os neutrófilos (células de defesa fundamentais para o combate infecções) sejam liberadas na corrente sanguínea, dificultando o sistema imunológico no combate de qualquer infecção que o cachorro venha a ter. Cães acometidos por esta síndrome apresentam aparência frágil e pelagem acinzentada ou mais clara que o normal. Infelizmente, sua expectativa de vida é curta e dificilmente chegam à fase adulta.

Por se tratar de uma doença hereditária autossômica, o gene recessivo da doença deve vir de ambos os pais. Caso apenas um dos pais porte o gene, há 50% de chance de transmitir uma cópia mutada do gene para os filhotes, sendo aconselhado castrar qualquer pet portador.

O diagnóstico da doença é feito através de hemograma, onde serão analisados a diminuição na produção de neutrófilos ou a ausência deles no organismo.

Collie Eye Anomaly – CEA

A CEA (abreviação para o termo em inglês Collie Eye Anomaly) é uma doença hereditária que ocasiona o desenvolvimento anormal da coroide (tecido localizado abaixo da retina ocular). Além de afetar cães da raça Border Collie, é comumente presente em raças como Collie, Pastor de Shetland e Lancashire Heleer. 

A doença se apresenta de duas formas: leve e severa. A forma leve da doença é a mais comum entre os cães e normalmente é diagnosticada por volta dos cinco meses de idade, quando é observado o desenvolvimento anormal da coroide, porém o cachorro não apresenta perda da visão. Já a forma severa da doença leva ao descolamento da retina, podendo haver ou não perda parcial ou total da visão.

Por se tratar de uma doença hereditária autossômica – quando o filhote herda de ambos os pais o gene da doença – é fundamental que estes pets sejam excluídos da linha de reprodução. O acompanhamento com um médico veterinário especializado de oftalmologia é indispensável.

Colapso de Border Collie

O Colapso de Border Collie é um distúrbio que afeta o sistema nervoso dos cães por causa de um excesso de atividades ou em decorrência de exercícios pesados. Além de acometer o Border Collie, o distúrbio costuma afetar outras raças hiperativas como Pastor de Shetland e Pastor australiano

Os afetados dificilmente apresentam sintomas em seu dia-a-dia. Porém, após um certo tempo de atividades e exercícios, os cães apresentam alguns sinais bem característicos como desorientação, perda de foco, claudicação (começam a “mancar”), marcha sem coordenação e alguns podem arrastar as patas. Em raras condições podem apresentar convulsões. Apesar dos sintomas, os cães não sentem nenhum tipo de dor. Esse comportamento pode durar por alguns minutos, mas quando não percebido pelo pai do pet, pode colocar sua vida em risco dependendo das condições climáticas e do nível da atividade feita.

Problemas locomotores – Displasia coxofemural e Osteocondrose

Como a maioria dos cães de porte grande, a raça Border Collie sofre com alguns problemas locomotores, principalmente displasia coxofemoral que é uma má formação na articulação e que pode ser classificada em vários estágios, a depender de sua gravidade. Esta doença pode ser ocasionada por herança genética, ou ser adquirida ao longo da vida devido a obesidade ou sobrecarga de atividades físicas. O tratamento para esta doença é feito mediante exames de imagem, que irão classificar o estágio em que a doença se encontra.

Já a osteocondrose é um processo patológico que causa a lentidão da transformação da cartilagem em osso, deixando a região acometida bem fragilizada e propícia a lesões – a doença costuma acometer o úmero dos cães. Porém, outros ossos podem ser acometidos como o cotovelo, punho e joelho. O tratamento para esta doença é cirúrgico e é feito por artroscopia, onde o profissional irá raspar o osso e retirar fragmentos de cartilagem.

Sobre o autor

Gabriela Azevedo

Gabriela Azevedo

Formada em design gráfico e cursando medicina veterinária, profissão que herdei paixão graças ao meu pai. Catlover e apaixonada pelos meus 6 gatinhos (Tchantcham, Drake, Josh, Marie, Maysa e Cara Preta -in memoriam- ♥) e pelos pets agregados que fazem parte da minha vida (todos os que encontro. bem doida dos bichos!).

2 Comentários

  • Bom dia! O que vocês como profissionais tem pra dizer sobre o câncer (bolas) que
    começam a aparecer quando o animal já está ficando normalmente idoso?
    Tenho uma Border Collie que está passando poe essa situação, e é muito difícil pra nós vê-la assim.

    • Olá, Jussara! Tudo bom?
      Recomendamos que entre em contato com um médico veterinário de sua confiança. O aparecimento de nódulos pode significar muitas coisas. O profissional irá solicitar exames para identificar o que está ocorrendo com o seu Border Collie e indicar o melhor tratamento. Esperamos que tudo fique bem!

      Um abraço!

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.