Cientistas franceses descobrem restos mortais de vários felinos em múmia de gato
Mais de 1.400 pessoas tiveram a oportunidade de testar vários dispositivos desenvolvidos por pesquisadores em Ciência da Computação e Arqueologia para explorar o interior de uma múmia de gato egípcio nas Jornadas Europeias do Patrimônio 2019, que ocorreu nos dias 27, 28 e 29 de setembro, na França.
Nos últimos 10 anos, devido à maior acessibilidade às novas tecnologias de imagens médicas, pesquisas sobre múmias de animais no Egito antigo fizeram avanços significativos no entendimento da história e cultura desta civilização.
Utilizando imagens de raio X e tridimensionais, os cientistas franceses descobriram algo surpreendente: foram encontrados restos mortais de vários felinos dentro de uma única múmia. Embora se admitisse que a mumificação apresentada no museu era a de um único gato, a digitalização revelou a ausência de caveiras, vértebras e costelas e a presença de cinco patas traseiras e três filas de felinos quase completos, bem como a de uma bola têxtil no lugar da cabeça, o que, segundo os especialistas, representa práticas desconhecidas.
“Com um scanner médico, sempre esperamos encontrar algo. Nesse caso, esperávamos ver um gato e não vários gatos, mas talvez não seja tão excepcional. Existem milhões de múmias de animais, mas poucas foram imaginadas. Algumas estão vazias, outras contêm apenas um osso, às vezes o gato está completo. A múmia de Rennes é uma variante. Alguns pesquisadores acreditam que estamos lidando com um golpe antigo organizado por padres; acreditamos, pelo contrário, que existem inúmeras maneiras de fazer múmias de animais”, conta Theophane Nicolas, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológica Preventiva (Inrap).
O mais curioso nisso tudo é que podemos pensar que as múmias não seguiam uma espécie de padrão ao serem “confeccionadas”, uma vez que sempre associamos a técnica a um único ser. Agora, resta que descubram por quais motivos juntaram mais de um animal em uma mesma “montagem”.
Basicamente, as múmias eram uma forma de eternizar animais e pessoas de modo que alguns tecidos e órgãos de seus corpos fossem preservados por meio de técnicas específicas capazes de manter suas características por muito tempo.


