Cadastre-se e ganhe 20% OFF na primeira assinatura!

Como socializar cães adultos

A melhor brincadeira para uma criança é com outra criança. O mesmo acontece com os cães. Mas e aquele que já são adultos e não são socializados?

Se o cachorro não é ensinado desde filhote a interagir com outro cão, ele pode se tornar não-socializado e reativo. Sem entender a linguagem canina, o cachorro não socializado passa a ser um problema também para o tutor. Já que fica difícil frequentar praças, parques ou qualquer local pet friendly.

três cachorros brincando em um jardim

Alguns profissionais do comportamento argumentam que nem todos os cães precisam ser socializados. Dizem que está tudo bem caso o cachorro não queira interagir com seus co-específicos. Nenhum cachorro é obrigado a ser super sociável, mas a presença de um outro cão também não pode gerar um grande estresse.

Imagina aquele cachorro que não é socializado, vive em um mundo apenas de humanos, não compreende a linguagem canina, mas passa mal e precisa ser levado ao hospital veterinário. Obrigatoriamente ele irá encontrar com outros cães, nem que seja só pelo cheiro. Ele já estará em desconforto pela dor. Imagina o aumento dessa angústia ao ter que lidar com um ser que é tão estranho para ele.

É inegável que em algum momento da vida um cachorro precisará estar no mesmo ambiente que outro. Para minimizar o estresse, é muito importante que ele saiba minimamente lidar com aquela situação.

Primeiro passo para a socialização

Compreender a linguagem de um cachorro não começa apenas pelo visual, mas pelo cheiro. Por isso, o primeiro passo para a socialização é colocá-lo na presença do cheiro de outro cão, com associação positiva (petisco, por exemplo).

Passear em praças vazias, bem cedinho, quando nenhum outro cão acordou ainda, é uma ótima alternativa. Vá com uma guia bem comprida e deixe o cachorro cheirar cada cantinho. Lembre de recompensar, mesmo que verbalmente (“muito bem!”), para ir fazendo a associação positiva.

Segundo passo para socializar um cão adulto

Mesmo que ele não seja socializado, ele tem experiências e memórias de interação com outros cães. Pode ser algo legal ou nem tanto. A questão é não se apegar a isso, mas respeitar o espaço de segurança. 

Todo cachorro tem uma distância na qual se sente confortável ao ver outro cão. Quanto maior for a distância, menor é essa tolerância. A parte mais difícil é encontrar esse limite, manter o animal dentro da zona de conforto e recompensá-lo.

Aos poucos, associando a presença do outro cão a algo positivo e confortável, essa distância pode diminuir bem aos poucos. Tudo com muita paciência e observação do comportamento dos cães.

Essa fase só irá funcionar se o cão já estiver condicionado previamente a ter foco na sua mão ou mesmo em algum brinquedo, como o tapete de lamber. Do contrário, o treino só irá estressá-lo.

Terceiro passo precisa de um cão-professor

A parte mais difícil para socializar um cachorro adulto é a necessidade de ter um segundo cão treinado para isso. Não podemos utilizar qualquer cachorro para esse passo. Isso porque iremos soltar dois cães (o que está sendo socializado e o “professor”) em um mesmo espaço bem grande. 

O segundo cachorro (o “professor”) não pode ir em direção ao cão em aprendizado. Isso irá colocar todo o trabalho feito até aqui no lixo. Já que o cão poderá se sentir desconfortável, com possibilidade de reatividade.

Ambos os cães devem estar no ambiente, porém focados cada um em uma atividade diferente. Pode ser simplesmente cheirar o chão, buscar petisco na grama, treino de adestramento ou mesmo um tapete de lamber.

Começamos com um tempo curto e vamos aumentando esse tempo ao longo dos dias. Sempre respeitando qualquer sinal de desconforto no cão em aprendizado.

Quarto passo: ensinar a fugir

Um cão socializado não é aquele que chama para brincar e fica todo feliz quando vê outro. Mas aquele que não é reativo, tolera a presença do outro e, em caso de desconforto, sabe como agir.

A Aurora, minha cachorrinha, foi socializada por mim já adulta. Hoje ela tem interesse em cheirar outros cães. Mas chamar para brincar, aí já é muita intimidade. Ela não curte. Por isso, eu a ensinei a fugir. Talvez esse seja o ensinamento mais fundamental no processo de socialização.

Com medo, o cachorro tem duas reações primordiais: luta ou fuga. Na luta, ele ataca, na fuga, ele se esquiva. No auge dos seus 2,5 kg, a Aurora é bem ágil para fugir. 

Para estimular esse comportamento, basta chamar o cão para longe das situações de desconforto. Chegou um cachorro na pracinha e seu peludo está dando sinais de desconforto, chame-o de forma bem festiva para longe da situação. 

Obviamente que esse passo só irá funcionar se o cachorro já estiver treinado e ir, quando chamado.

Quinto passo: bom senso

O quinto e último passo é fundamental para que não haja retrocesso no processo de socialização. Se seu cachorro tolera apenas poucos cães juntos, não invente de leva-lo na pracinha lotada no domingo à tarde. Dê preferência a locais mais vazios, em horários alternativos. Mas não deixe de leva-lo.

Manter a frequência de treinos e passeios para socialização é de extrema importância. Vide a pandemia, onde os cães também ficaram isolados, perdendo ou diminuindo a capacidade de socialização com outros cães. Isso aconteceu com a Aurora mesmo. Ela regrediu muito no processo por ter ficado muito tempo sem ter contato.

A socialização não acontece do dia para a noite. Muito menos é algo que uma vez feito irá se manter para o resto da vida. Cabe a nós, tutores, incentivarmos os comportamentos que queremos e que são importantes para o bem-estar dos peludos.

Compartilhe esta matéria!

Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.