Doença do carrapato em humanos existe?

Muito se fala sobre “doença do carrapato” em cachorros, mas você sabia que gatos e humanos também podem sofrer com isso? Embora seja raro, os gatos podem ter doenças relacionadas à fixação de carrapatos em suas peles, mas isso não é tão frequente por eles terem hábitos de auto-limpeza muito constantes. O mesmo, porém, não acontece com os humanos que, por mais que tenham hábitos de higiene, como o banho diário, acabam por muitas vezes não percebendo a presença do parasita.

Carrapatos pequenos (os mais conhecidos são os micuins) se fixam à nossa pele e adoram locais quentes, ficando em lugares escondidos. Por em alguns casos se assimilarem a pintas – de tão pequenos que são – eles podem ficar dias conosco sem causar nenhum incômodo aparente.

Como humanos pegam carrapato

Aqui, é preciso saber que grande parte dos carrapatos possui um “hospedeiro” favorito, porém na ausência dele, não há problema em se alimentar do sangue de outro animal e isso não deixa o ser humano de fora.

A maioria dos carrapatos que se fixa em nosso corpo são os encontrados em zonas rurais, como sítios e fazendas, ou em áreas com muita mata e, principalmente, presença de grandes animais (como cavalos e bovinos).

Os “carrapatos rurais” ficam em plantas à espera de um estímulo. Quando percebem a temperatura elevada do corpo de um cachorro, vaca, homem ou outro animal, age rapidamente e logo se fixa à pele. Ao se fixar, ele vai se alimentar do sangue e, em algum momento, se não descoberto antes, irá “descer” sozinho.

Quando sai, ele deixa uma marca no local, causando vermelhidão e coceira. A “picada” do carrapato não costuma ser sentida porque a natureza, esperta que é, fez com que eles criassem um mecanismo capaz de “anestesiar” o lugar, porém quando ele deixa seu corpo, é que sua “possível presença” poderá ser notada.

Como o carrapato transmite doenças

Nem todos os carrapatos são infectados por vírus, bactérias ou protozoários. Eles precisam ter o contato com a doença por meio de um hospedeiro para que se tornem vetores. Tanto no homem quanto nos outros animais, estima-se que é preciso que um carrapato infectado fique por pelo menos quatro horas fixado no corpo para transmitir alguma enfermidade.

Uma vez infectada, a pessoa não adquire anticorpos contra as “doenças do carrapato”, podendo novamente se infectar se tiver contato com outro carrapato. 

Tipos de doença do carrapato em humanos

Cachorros e homens podem ter algumas doenças em comum, mas é importante lembrar que o cachorro não transmite nenhuma delas para nós, mas sim os carrapatos! Dentre as principais, podemos citar a babesiose, erliquiose, anaplasmose e a doença de Lyme. Os sintomas costumam ser bastante inespecíficos, podendo ser confundidos com diversas outras doenças. Podemos citar como mais comuns: dores articulares, falta de apetite, apatia, febre, anemia, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e manchas avermelhadas na pele.

Febre maculosa

Comum no Brasil, a febre maculosa merece uma atenção especial. Transmitida por pelo menos três tipos diferentes de carrapato, ela costuma ser atribuída ao contato com capivaras, mas não é bem assim… O carrapato estrela é o que mais se infecta com a bactéria Rickettsia rickettsii, responsável pelo desenvolvimento da febre maculosa e, por ele ser comum em capivaras, cavalos e cachorros, criaram esta relação entre o animal e a doença no ser humano.

Todos somos vítimas

É muito importante entender que capivaras, cachorros, gatos, cavalos, bois e até aves são tão vítimas quanto os seres humanos das doenças do carrapato. Nenhum animal é responsável pela transmissão dessas enfermidades além do próprio carrapato!

Lembre sempre de avisar ao seu médico caso tenha tido contato com qualquer tipo de carrapato nos últimos anos. Algumas doenças podem ficar encubadas e demorar um bom tempo para apresentar sintomas.

Tratamento de doença do carrapato

O tratamento da doença do carrapato (seja ela qual for) costuma ser feito com antibióticos de uso prolongado. Exames de sorologia poderão dizer qual o tipo de doença que a pessoa possui e qual o melhor protocolo médico a seguir. Exames de sangue simples, como o hemograma, podem ser feitos mais de uma vez durante o tratamento para checar se ele está sendo eficiente.

Sobre o autor

Jade Petronilho

Jade Petronilho

É jornalista por formação e comportamentalista veterinária por paixão. Desde criança é a "louca dos bichos", por isso resolveu estudar medicina veterinária, etologia e nutrição animal, mas ainda pretende, um dia, fazer zootecnia. Atualmente tem dois cachorros, quatro gatos e 11 peixes, mas além de cães, gatos e peixes, também já foi tutora de um coelho, três periquitos, dois porcos da índia, dois pintinhos e três cabritos. Hoje, é Coordenadora de Conteúdo Veterinário da Petlove.

10 Comentários

  • eu estava numa chácara e vi vários carrapatos pequenos,e sempre ficava checando se tinha algum em mim mas quando voltei percebi um pontinho marrom no meu braço direito e não sei oque fazer, devo me preocupar?!?

    • Olá, Jennifer! Para que o carrapato transmita algum tipo de doença para nós ou para nossos pets, ele precisa ficar fixado em nossa pele por um certo período. Um abraço!

  • Oi eu trabalho no campo então um carrapato subiu na minha perna eu percebi em casa e o puchei, agora tem uma manchinha vermelha no local, é normal

    • Oi, Raimundo! Isso pode ter acontecido por uma inflamação no local e/ ou por ainda ter ficado alguma parte do carrapato em seu corpo… sugiro que converse com um médico para saber qual a melhor forma de tratar o problema e verificar se não é preciso realizar mais nenhum procedimento para evitar maiores incômodos. Um abraço!

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