Intoxicação por chocolate em cães e gatos

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Intoxicação por chocolate em cães e gatos.

Muitos alimentos que constituem a dieta dos humanos não fazem tão bem para os cães e gatos. Os alimentos que comumente causam toxicidade nessas espécies são o alho, a cebola, o café e o chocolate.

Dos alimentos citados acima, o chocolate é um dos maiores causadores de intoxicação. Essa intoxicação encontra-se entre os 20 envenenamentos mais comuns descritos na literatura recente pelo National Poison Control Center (EUA). No Brasil, não existem dados estatísticos oficiais a esse respeito. O chocolate possui em sua composição “ingredientes” que são metabolizados de forma diferenciada no organismo de humanos e animais.

O chocolate é um alimento produzido com base na amêndoa fermentada e torrada do cacau (Theobroma cacao), uma planta nativa de uma região que vai do México, passando pela América Central, até a região tropical da América do Sul.

Na composição do chocolate encontramos carboidratos, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metilxantinas (cafeína e teobromina). As metilxantinas são as maiores responsáveis pela intoxicação nos cães, a quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate. Quanto mais matéria lipídica o chocolate tiver menor vai ser o teor de teobromina. Quanto mais escuro for o chocolate (chocolate amargo) mais teobromina ele possui e, portanto, maior é o risco de intoxicação.

As metilxantinas são bases com alta lipossolubilidade, logo possuem habilidade de travessia placentária e hematoencefálica e são absorvidas tanto no estômago quanto no intestino, sendo distribuídas amplamente por todo o corpo.

Apesar de a concentração de teobromina no chocolate ser de 3 a 4 vezes maior que a de cafeína, ambas contribuem para a síndrome clínica que acontece na toxicose por chocolate. Em cães, a dose tóxica é de 100 a 165 mg/kg e em felinos é de 80 a 150 mg/kg. A dose letal é de aproximadamente 250 a 500 mg/kg, entretanto, sinais clínicos leves podem ser observados em cães que ingeriram 20 mg/kg.

No organismo de um cão, a meia-vida da teobromina é de 17,5 horas, podendo permanecer no organismo por até 6 dias. Por esse motivo as quantidades tóxicas não necessitam ser ingeridas de uma só vez. O tempo de meia-vida é prolongado, pois a excreção é feita pelo fígado e não pelo sistema renal.  Geralmente entre 6 a 12 horas após a ingestão, os sinais clínicos da intoxicação ocorrem, dentre os sinais clínicos podem ser observados polidipsia, êmese, diarreia, ataxia, tremores, convulsões, taquicardia, arritmias como complexos ventriculares prematuros, taquipneia, cianose, febre e coma.

A intoxicação por chocolate é mais frequente em animais de pequeno porte, porque há maior quantidade de chocolate disponível em relação ao peso corporal. É também mais comum em animais jovens e filhotes.

Esse tipo de intoxicação é uma emergência médica e a intervenção do médico veterinário é necessária. O tratamento é difícil e objetiva a estabilização das funções vitais do organismo de acordo com a sintomatologia apresentada pelo pet, pois não existe antídoto para intoxicação por teobromina.

É importante ressaltar que atualmente existem no mercado formulações específicas para cães que se parecem com chocolate, mas não possuem teobromina na sua composição, sendo feitos com extrato proteico vegetal, gordura vegetal, soro de leite e outros componentes não tóxicos aos cães e gatos.

Por Mariana Castelhano Diniz, Médica Veterinária e Assistente Técnica da Ourofino Saúde Animal – Unidade de Negócio Pet.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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