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O valor de um brinquedo e o valor do brincar

Entre o valor de um brinquedo e o valor do brincar, existe um abismo. Não à toa, uma das primeiras coisas que fazemos diante da chegada de um cão – adulto ou filhote – é comprar uma “brinquedoteca canina” enorme para que ele gaste energia, explore as mais variadas texturas e, finalmente, escolha algum brinquedo para “chamar” de seu favorito. 

cachorro com um brinquedo na boca

Foi assim com a chegada da minha Border Collie. Aos 60 dias de vida, ela entrou no apartamento e se deparou com pelúcias, mordedores de nylon, bolinhas, dispenser de petiscos e uma corda. Logo de cara, ela escolheu esta última, então comecei a jogá-la no chão a fim de que minha cachorra e eu reproduzíssemos a clássica cena do busca e traz.

Óbvio que não funcionou. Ela estava há apenas alguns minutos em casa e sequer havia iniciado esse tipo de treino. A única coisa que ela fazia era correr com a corda na boca por todo o apartamento e parar na minha frente com os olhos atentos e ávidos por uma continuação que eu não compreendia. “O que será que ela quer?”, eu pensava.

Ficamos alguns dias nesse impasse, até que ela começou a colocar a corda no meu colo e me olhar com bastante firmeza. Arremessar já não era mais uma opção, uma vez que ela já não se interessava por essa etapa da brincadeira, e eu não sabia mesmo o que fazer. Então, ao me ver perdida, ela começou a colocar a corda na minha mão e, no momento exato em que eu a segurava por uma ponta, ela puxava a outra. Sem entender nada do que estava acontecendo, eu soltava o brinquedo e ela repetia incansavelmente o movimento, como quem diz “não é possível que você não saiba fazer isso!”

Mais dias se passaram e eu decidi segurar uma das pontas da corda. Ela correu em minha direção e  começou a puxar a outra ponta no sentido contrário, ao mesmo tempo em que levantava as orelhas e balançava o rabinho. 

Bingo! Naquele dia, eu finalmente aprendi a brincar de cabo de guerra com a minha cachorra! Sempre dou risada quando conto ou escrevo isso porque, de fato, quem me ensinou – didaticamente – o que fazer com aquela corda foi ela.

Mesmo com tantos brinquedos disponíveis, nenhum deles será mais atraente para o seu cão que a sua disposição para o brincar, que o seu olhar atento para as regras que eles criam, que a sua vontade em estar sempre junto. Pode ser com a pelúcia que apita, com um cabo de guerra, com uma bolinha, com um frisbee ou até mesmo com aquele graveto encontrado no meio da rua. 

Nunca será sobre quanto custa, mas sobre quanto vale estar com o seu cão, afinal de contas, o brinquedo favorito dele é qualquer um que te faça brincar junto.

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Sobre o autor

Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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