Cadastre-se e ganhe 20% OFF na primeira assinatura!

Todo cachorro tem jeito ou existe caso impossível?

Uma das grandes dúvidas dos tutores é compreender se todo cachorro é passível de tratamento ou se tem aqueles que “não tem conserto”. Sim, todo cachorro pode passar por melhora comportamental e aumento do bem-estar. Veja algumas dicas.

cachorro deitado embaixo de uma poltrona rasgada

Parece contraditório, mas alguns tutores se vangloriam ao dizer que seu cachorro passou por diversos profissionais e não tem solução. O comportamento de um cachorro não é baseado apenas no temperamento dele, mas na forma como ele é tratado, na relação com as pessoas da família, no ambiente em que vive, na rotina, nas emoções e nos comportamentos que são reforçados. 

Ao dizer que um cachorro não tem jeito, significa que você coloca toda a responsabilidade em apenas um aspecto do animal, como o temperamento, por exemplo. Outra possibilidade é desejar que o cão seja algo muito diferente do que ele é. Um cachorro medroso e tímido se torna um cão de guarda, por exemplo. Cada ser tem seu limite. Criar expectativas irreais só irá frustrar a todos. É preciso ter o pé no chão, compreender quem é aquele cachorro e até onde ele tem a possibilidade de chegar

Hoje, na educação infantil, sabemos que muitas crianças podem precisar de formas diferentes de aprender o mesmo conteúdo. Com o cão é a mesma coisa. Não adianta eu ir com um protocolo fechado, rígido e querer que ele se encaixe nisso. Além disso, há uma identificação do animal com cada profissional. Alguns ele se sente mais seguro e se permite evoluir mais, enquanto que com outro ele pode ser mais reativo e tenso.

Existe cachorro impossível de tratar?

Sim, há casos em que demorou-se muito para buscar ajuda profissional. O caso foi piorando, piorando, até chegar ao ponto que coloca em risco a vida do tutor, do profissional e do próprio cão. 

Um grande pesquisador do comportamento canino formulou uma escala de mordidas. No pior caso, no qual o animal avança ferozmente até em objetos que se aproximam dele, já tendo histórico de morder pessoas ao ponto de ferir fortemente, há indicação de eutanásia.

Pode parecer extremo. Aqui no Brasil, ainda temos muita dificuldade de aceitar a eutanásia como uma possível solução do caso (eu sou uma dessas pessoas!). Mas antes, é preciso tentar, tentar, tentar e tentar incansavelmente. 

Em muitos casos, o fator de total diferença é a perseverança e dedicação do tutor. Quando buscamos milagres, remédios mágicos ou resolução rápida, estamos fadados ao fracasso e a acreditar que “meu cachorro não tem jeito, é assim, pronto e acabou”.

O cachorro aprende a todo momento. Se você não está ensinando algo neste momento a ele, ele irá aprender sozinho. E você pode não gostar do que ele descobriu. Que tal, então, começarmos a nos responsabilizar por cada situação que envolva o cachorro? 

Não quer que seu cachorro se torne um “caso impossível”? Aqui vão algumas dicas:

  1. Se dedique a estudar sobre comportamento canino;
  2. Compreenda a motivação de cada comportamento, sem julgá-lo sob ótica humana;
  3. Recompense os comportamentos desejados;
  4. Substitua os comportamentos inadequados por outros comportamentos desejados;
  5. Não dê bronca!
  6. Não utilize a violência a coerção como forma de educação;
  7. Respeite o limite do cachorro. Se ele não estiver confortável, não force;
  8. Entenda como ele se comunica (não só através dos latidos);
  9. Compreenda seus comportamentos naturais;
  10. Ofereça dispositivos e brinquedos que propiciem a expressão desses comportamentos;
  11. A qualquer dúvida ou dificuldade, busque um profissional do comportamento. Não deixe para o último momento.

Quando dizemos que nosso cachorro não tem jeito, a gente não está colocando a culpa nele por todos os problemas. Estamos nos esquivando do real papel de tutores responsáveis e cuidadosos. Afinal, o cachorro é um composto de fatores, dos quais estamos envolvidos em sua maioria.

Lembre-se: o bem-estar do nosso cachorro é de nossa responsabilidade. Se você quer que seu cachorro seja “melhor”, o que você faz para que isso aconteça?

Compartilhe esta matéria!

Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.