Pets que ficaram órfãos na pandemia lotam abrigos no País
Se por um lado, o número de casos de abandono aumentou consideravelmente, por outro, muitos pets ficaram órfãos durante a pandemia após a morte de seus tutores em decorrência da Covid-19. Em meio a este cenário, abrigos e ONGs do Brasil estão vivendo dias caóticos devido à superlotação e, ao mesmo tempo, à baixa procura por adoções.
Só no Brasil, o novo Coronavírus infectou mais de 21 milhões de pessoas e levou a óbito mais de 600 mil (e contando). Embora a pandemia pareça estar acabando – graças ao avanço da vacinação -, os danos causados na vida dos pets foram intensos, e agora as ONGs do País estão ainda mais sobrecarregadas.
Segundo dados da AMPARA Animal, o abandono de cães e gatos no Brasil cresceu 61% entre junho de 2020 e março de 2021. E para ilustrar ainda mais este cenário, o Diretor da ONG Cão Sem Dono, Vicente Define Neto, disse para a Petlove que a quantidade de animais doados caiu de 65% a 70%, e o principal motivo que envolve esta baixa procura é a questão financeira.
Em entrevista para o nosso blog, Perla Poltronieri fundadora e Presidente da Catland, ONG especializada em resgate de gatos, conta que recebeu o contato de várias pessoas durante a pandemia que gostariam de abrigar o pet de uma pessoa que faleceu em decorrência da Covid-19.
“Eu recebi muitos e-mails de pessoas e parentes dizendo que o tutor havia falecido. Foram principalmente muitos contatos para o resgate de gatinhos de pessoas idosas que faleceram de Covid”, disse.
Durante o nosso bate-papo, Perla contou sobre o caso de um gato chamado Pixinguinho, que ficou órfão durante a pandemia.
“O Pixinguinho é um gatinho fofo, lindo, maravilhoso e filho único. E aí, de repente, a tutora dele, uma senhora que contraiu Covid-19, acabou falecendo e ele veio para gente”. Quando chegou aqui, ele ficou muito triste, acabou ficando doente, não queria comer. Tivemos muita dificuldade de fazer ele ter vontade de viver novamente”.
Conforme explica a presidente da Catland, o luto causou danos seríssimos tanto na saúde quanto no psicológico do pet. Felizmente, graças aos lares temporários, Pixinguinho vem se recuperando do baque de ter perdido a sua humana.
“Ele ficou extremamente debilitado. Ele não se conformava de ficar na sede, ele odiou! Hoje ele está em um lar temporário e, graças a Deus, está melhorando. Ele perdeu muito peso, ficou muito doente, muito depressivo, basta ver as fotos e compará-las com o antes e depois, contou. “Tentamos reverter esse quadro com medicação, terapias integrativas, e ele só foi melhorar quando foi para um lar temporário. Então, podemos dizer que o lar temporário é muito importante em casos como esse”.
Adoções na pandemia
“Quando iniciou a pandemia, foi um ‘boom’: chegamos a doar 140 gatos ao mês. O home office trouxe isso. Porém, conforme as pessoas voltaram à rotina, as devoluções começaram a aumentar. Atualmente, no final de 2021, o motivo que está levando as pessoas a devolverem os seus pets para a ONG é a parte financeira”.
Este é o cenário de praticamente todas as ONGs do Brasil. A pandemia que causou uma enorme procura por adoções no início também provocou uma imensa quantidade de casos de abandono.
Podemos relacionar essa questão ao que chamamos de “adoção irresponsável”, que é quando a pessoa decide adotar sem ao menos ter a consciência de que, a partir do ato, será responsável por uma vida.
“A falta de políticas públicas que temos aqui no País, juntamente com a pandemia, fez com que o número de animais abandonados aumentasse absurdamente. Então, juntando a questão dos animais órfãos, mais a falta de adoção e o aumento de abandonos, chegamos a ter 400 animais na nossa ONG, onde o recomendado é de apenas 300.
Graças a este cenário, Perla conta que a Catland vem passando sufoco financeiramente: “Isso gerou uma crise financeira muito grande na ONG. E a gente acaba fazendo o que pode, estamos parcelando os procedimentos, fazendo vaquinha na internet, infelizmente”, desabafou.
Como ajudar a Catland?
Quer ajudar a Catland? Adote! Mas, caso isso não seja possível, você pode ajudar sendo voluntário(a). Há vários gatos para serem cuidados na ONG e que precisam de muito carinho.
No site da Catland, também é possível realizar doações financeiras a partir de R$ 1,99. Parece um valor muito baixo, não é mesmo? Mas para uma ONG pode fazer muita diferença, afinal, são centenas de gatos que precisam comer, beber e receber tratamentos especiais.
Mas, além disso, Perla destaca que uma simples interação nas redes sociais já pode fazer uma enorme diferença: “Clicando, curtindo, compartilhando, já ajuda muito. Quem sabe um de seus seguidores queira adotar um pet ou ajudar uma ONG. Então, só de fazer isso e de espalhar o nome da Catland para outras pessoas já ajuda muito a gente”, disse.
Nesta nossa outra matéria, falamos sobre as principais formas de ajudar uma ONG. Toda ajuda é bem-vinda, afinal, o momento é de união para garantir a sobrevivência de milhões de animais abandonados no País!




