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Pets que ficaram órfãos na pandemia lotam abrigos no País

Por Gabriel Arruda -

Se por um lado, o número de casos de abandono aumentou consideravelmente, por outro, muitos pets ficaram órfãos durante a pandemia após a morte de seus tutores em decorrência da Covid-19. Em meio a este cenário, abrigos e ONGs do Brasil estão vivendo dias caóticos devido à superlotação e, ao mesmo tempo, à baixa procura por adoções.

Só no Brasil, o novo Coronavírus infectou mais de 21 milhões de pessoas e levou a óbito mais de 600 mil (e contando). Embora a pandemia pareça estar acabando – graças ao avanço da vacinação -, os danos causados na vida dos pets foram intensos, e agora as ONGs do País estão ainda mais sobrecarregadas.

cachorro deitado no chão, com uma aparência triste

Segundo dados da AMPARA Animal, o abandono de cães e gatos no Brasil cresceu 61% entre junho de 2020 e março de 2021. E para ilustrar ainda mais este cenário, o Diretor da ONG Cão Sem Dono, Vicente Define Neto, disse para a Petlove que a quantidade de animais doados caiu de 65% a 70%, e o principal motivo que envolve esta baixa procura é a questão financeira.

Em entrevista para o nosso blog, Perla Poltronieri  fundadora e Presidente da Catland, ONG especializada em resgate de gatos, conta que recebeu o contato de várias pessoas durante a pandemia que gostariam de abrigar o pet de uma pessoa que faleceu em decorrência da Covid-19.

“Eu recebi muitos e-mails de pessoas e parentes dizendo que o tutor havia falecido. Foram principalmente muitos contatos para o resgate de gatinhos de pessoas idosas que faleceram de Covid”, disse.

Durante o nosso bate-papo, Perla contou sobre o caso de um gato chamado Pixinguinho, que ficou órfão durante a pandemia.

“O Pixinguinho é um gatinho fofo, lindo, maravilhoso e filho único. E aí, de repente, a tutora dele, uma senhora que contraiu Covid-19, acabou falecendo e ele veio para gente”. Quando chegou aqui, ele ficou muito triste, acabou ficando doente, não queria comer. Tivemos muita dificuldade de fazer ele ter vontade de viver novamente”.

Gato pixinguinho

Gato Pixinguinho, antes de chegar à Catland. Foto: Acervo Pessoal

Conforme explica a presidente da Catland, o luto causou danos seríssimos tanto na saúde quanto no psicológico do pet. Felizmente, graças aos lares temporários, Pixinguinho vem se recuperando do baque de ter perdido a sua humana.

“Ele ficou extremamente debilitado. Ele não se conformava de ficar na sede, ele odiou! Hoje ele está em um lar temporário e, graças a Deus, está melhorando. Ele perdeu muito peso, ficou muito doente, muito depressivo, basta ver as fotos e compará-las com o antes e depois, contou. “Tentamos reverter esse quadro com medicação, terapias integrativas, e ele só foi melhorar quando foi para um lar temporário. Então, podemos dizer que o lar temporário é muito importante em casos como esse”.

Pixinguinho, depois de chegar à Catland. Foto: Acervo Pessoal

Adoções na pandemia

“Quando iniciou a pandemia, foi um ‘boom’: chegamos a doar 140 gatos ao mês. O home office trouxe isso. Porém, conforme as pessoas voltaram à rotina, as devoluções começaram a aumentar. Atualmente, no final de 2021, o motivo que está levando as pessoas a devolverem os seus pets para a ONG é a parte financeira”.

Este é o cenário de praticamente todas as ONGs do Brasil. A pandemia que causou uma enorme procura por adoções no início também provocou uma imensa quantidade de casos de abandono.

Podemos relacionar essa questão ao que chamamos de “adoção irresponsável”, que é quando a pessoa decide adotar sem ao menos ter a consciência de que, a partir do ato, será responsável por uma vida.

“A falta de políticas públicas que temos aqui no País, juntamente com a pandemia, fez com que o número de animais abandonados aumentasse absurdamente. Então, juntando a questão dos animais órfãos, mais a falta de adoção e o aumento de abandonos, chegamos a ter 400 animais na nossa ONG, onde o recomendado é de apenas 300.

Graças a este cenário, Perla conta que a Catland vem passando sufoco financeiramente: “Isso gerou uma crise financeira muito grande na ONG. E a gente acaba fazendo o que pode, estamos parcelando os procedimentos, fazendo vaquinha na internet, infelizmente”, desabafou.

Como ajudar a Catland?

Quer ajudar a Catland? Adote! Mas, caso isso não seja possível, você pode ajudar sendo voluntário(a). Há vários gatos para serem cuidados na ONG e que precisam de muito carinho.

No site da Catland, também é possível realizar doações financeiras a partir de R$ 1,99. Parece um valor muito baixo, não é mesmo? Mas para uma ONG pode fazer muita diferença, afinal, são centenas de gatos que precisam comer, beber e receber tratamentos especiais.

Mas, além disso, Perla destaca que uma simples interação nas redes sociais já pode fazer uma enorme diferença: “Clicando, curtindo, compartilhando, já ajuda muito. Quem sabe um de seus seguidores queira adotar um pet ou ajudar uma ONG. Então, só de fazer isso e de espalhar o nome da Catland para outras pessoas já ajuda muito a gente”, disse.

Nesta nossa outra matéria, falamos sobre as principais formas de ajudar uma ONG. Toda ajuda é bem-vinda, afinal, o momento é de união para garantir a sobrevivência de milhões de animais abandonados no País!

Por Gabriel Arruda

É Jornalista, apaixonado por pets, música e futebol. Está sempre em busca de novos desafios, justamente pela curiosidade que o toma conta. Pai de um Beagle chamado Johnny, mais conhecido como "O Destruidor".

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