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Seu cachorro é agressivo? A culpa pode ser sua; entenda

Veja o que aponta a pesquisa brasileira feita pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

Por Gabriel Arruda -

Você tem um cachorro agressivo em casa? Seu pet tem o “pavio curto” e costuma causar problemas na rua ou na chegada de pessoas diferentes na sua casa? Se a resposta for sim, sinto muito em te informar, mas a culpa pode ser sua.

É o que diz uma pesquisa brasileira feita pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) e divulgada em vários veículos internacionais, entre eles a renomada revista Applied Animal Behaviour Science.

“Espera aí, qual culpa eu teria do temperamento agressivo do meu cão? A raça não é a ‘culpada’?” Na verdade, a raça não é um fator tão determinante para isso. Um Pitbull, por exemplo, cachorro que tem fama de ser bem bravo, pode ser muito mais dócil que um Pinscher.

cachorro bravo mostrando os dentes

Entenda a pesquisa

De acordo com o estudo feito pela universidade brasileira, há boa chance de a agressividade estar diretamente ligada ao contexto social do cachorro, incluindo a forma como ele é tratado pelo tutor e outras pessoas da família, além de questões físicas.

Depois de analisarem 665 cães de lares brasileiros, os pesquisadores constataram que:

  • Cães pequenos e os que passam a maior parte do tempo fora de casa têm forte tendência a serem mais bravos.
  • Cães fêmeas, bem como cães que brincam com mais frequência com os seus humanos tendem a ser mais dóceis.
  • 73% dos cães participantes que eram tutelados por mulheres demonstraram menos agressividade com pessoas estranhas.

“O ambiente e a relação tutor-animal de estimação, bem como a morfologia, são fatores que influenciam como os animais de estimação interagem conosco e como interagimos com eles”, disse a autora Briseida Resende. Também participaram os pesquisadores Flávio Ayrosa, Carine Savalli e Natália Albuquerque.

De acordo com Ayrosa, pesquisas feitas no passado relacionam a violência à raça. Mas elas queriam demonstrar que as características físicas dos cães, o ambiente e a relação com tutores estão relacionados a comportamentos agressivos.

O estudo aponta que algumas características físicas podem influenciar no comportamento agressivo dos cães.

Os braquicefálicos (de focinho curto), por exemplo, como Pug, Buldogue Francês e Shih Tzu, são 79% mais propensos a serem agressivos. Além disso, quanto menor o tamanho e o peso, maior tende a ser a hostilidade do pet, muito por causa do medo, da hiperatividade e necessidade de atenção.

Como evitar que o meu cão seja agressivo?

Usando um questionário junto aos tutores que participaram do estudo, os pesquisadores encontraram três fatores que ajudam – e muito – a diminuir a agressividade nos cães:

Brincadeiras

Você brinca com o seu cachorro com frequência? Saiba que isso não é só importante para mantê-lo ativo e saudável, como também para evitar que ele se torne agressivo, de acordo com a pesquisa.

Passeios regulares

Passear com o seu cachorro faz bem tanto fisicamente (prevenindo a obesidade e promovendo o bem-estar) quanto mentalmente, evitando problemas de ansiedade, agressividade e até depressão.

É sempre importante lembrar que os cachorros ficam entediados facilmente, e isso pode ser estressante e prejudicial para a saúde deles. Portanto, como dissemos neste outro post, o mais indicado é fazer passeios diariamente – se possível, duas vezes ao dia!

“No caso do fator ‘passear com o cachorro’, por exemplo, pode ser que as pessoas passeassem menos com o cachorro porque o animal era agressivo, ou o cachorro pode ter se tornado agressivo porque o tutor não passeou o suficiente”, diz Ayrosa.

cachorro passeando com seu tutor

Nível de treinamento avançado

Quanto mais você treina e educa o seu cachorro, mais ele se tornará obediente e menos agressivo. Isso sem contar que os laços entre vocês vão se estreitar ainda mais. Portanto, que tal ensiná-lo a deitar, rolar ou até a fazer xixi e cocô no lugar certo?

Conclusão do estudo

O estudo brasileiro destaca que a agressividade é um comportamento natural contra ameaça, dor ou sentimentos de estresse e preocupação. Ou seja, uma forma de comunicação dos seres vivos.

“Em vez de determinar a agressão a um único fator comum às espécies ou raças específicas, nossos resultados reforçam como o comportamento individual, combinado com a genética, fisiologia, experiências de vida e contextos ambientais únicos dos cães, interagem ao longo do desenvolvimento para produzir os padrões de expressão observados”, aponta a pesquisa.

Por Gabriel Arruda

É Jornalista, apaixonado por pets, música e futebol. Está sempre em busca de novos desafios, justamente pela curiosidade que o toma conta. Pai de um Beagle chamado Johnny, mais conhecido como "O Destruidor".

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