A história da domesticação dos cães

A história da domesticação dos cães - PetLove

A História da Domesticação dos Cães.

Os cães domésticos (Canis familiaris) são os animais domésticos mais populares atualmente, existindo cerca de quatrocentas raças, mas muitas se extinguiram ao longo da história.

Poucas ainda desempenham os papéis para os quais foram originalmente criadas, sendo que a maioria é utilizada para realizar a guarda de propriedades ou simplesmente para companhia. Com o surgimento da agricultura, há 10 mil anos, os laços entre humanos e cachorros se estreitaram, mas os motivos que levaram à aproximação entre o homem e os canídeos continuam sendo objeto de discussão, mas acredita-se que ela tenha ocorrido devido às necessidades básicas que ambas possuem: segurança e alimento.

A verdade é que ainda não se sabe exatamente como esse processo ocorreu, mas descobertas recentes apontam que ancestrais dos cachorros domésticos provavelmente surgiram no Oriente Médio, contrariando a hipótese de que eles eram originais do leste asiático. A conclusão teve como base um estudo genético divulgado, em 2010,  na revista Nature, e a presença de cães em túmulos humanos no Oriente Médio reforçam essa nova tese. Segundo os cientistas, foi nessa época que surgiram cerca de 20% das raças atuais.

A descoberta sustenta um registro arqueológico que conecta a domesticação dos cachorros na região com a ascensão da civilização humana. O estudo é baseado em comparações genéticas entre mais de 900 cachorros que representavam 85 raças (da América do Norte, Europa, Leste Asiático e Oriente Médio) e mais de 200 lobos cinzentos, o parente selvagem mais próximo dos cachorros ainda vivo. No mais complexo estudo realizado sobre o tema, os cientistas usaram técnicas de genética molecular para examinar mais de 49 mil traços de todo a sequência do DNA (genoma) de cada um dos animais analisados. Foi descoberto que a maioria dos cachorros dividem mais traços genéticos únicos com os lobos cinzentos do Oriente Médio do que com qualquer outra população de lobos.

Um parentesco com os lobos europeus foi encontrado, mas ainda com menos extensão, ainda que raças como o Pastor Alemão e o Husky Siberiano tenham enorme semelhança física com a espécie selvagem.

O resultado revelou-se inesperado, porque a localização geográfica das raças não parece ter relação com as diferenças genéticas entre elas, ao contrário do que ocorre com espécies que evoluem naturalmente. Afinal, é a seleção artificial humana, e não a seleção natural, que trabalha na criação das raças.

Nesse processo as pessoas escolhiam os animais que iriam sobreviver, e criar, utilizando critérios como a docilidade, a beleza, a utilidade na caça ou o manejo com rebanhos. Essa seleção fez com que as características da região onde o animal vivia não fossem tão importantes quanto a vontade dos criadores na determinação das suas características.

Um São Bernardo é tão diferente de um Chihuahua que nem parecem ser da mesma espécie, entretanto esse estudo mostrou que as várias raças de cachorro são ainda mais parecidas do que se imaginava. Enquanto a maioria das diferenças de peso e altura em humanos e outros animais envolvem um punhado de genes com efeitos individuais pequenos, em cachorros um único gene é responsável por mais de 50% da variação no tamanho do corpo, por exemplo.

O Shar Pei e o Husky Siberiano são as mais próximas geneticamente dos lobos, porém, como poucos genes regulam as diferenças entre as raças, um Yorkshire pode ser bem mais próximo do que se imagina de um cão com aparência física bastante diferente, como o Buldogue.

Após o início da domesticação, a aproximação entre cão e homem foi se fortalecendo, até que no século 19, quando virou moda criar novas raças, apareceram 80% das atuais, dizem os cientistas. Na época se fortaleceu o conceito de “pureza” das raças, surgindo, a partir de então, animais com todo tipo de comportamento e porte.

A partir da 2ª Guerra Mundial o pedigree, que ditava as características que um animal deveria possuir para ser considerado de determinada raça, se tornou mania entre quem queria comprar um cachorro, e ainda hoje é utilizado.

O que os cientistas questionam agora é se tal esforço pela purificação das raças é saudável, pois a falta de variedade genética pode facilitar a proliferação de doenças.

Hoje, os cães já totalmente domesticados, não possuem mais a mesma rusticidade de seus antepassados, necessitando de maiores cuidados com a higiene e a limpeza, com sua alimentação e com o ambiente onde vivem. Para isso, podemos contar com um mercado amplo que oferece todo tipo de serviço e cuidados, como ração específica para cada idade e raça, bifinhos, ossinhos e tantos outros mimos para os queridos amigos de longa data.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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