Cachorros conseguem perdoar e se reconciliar?

A impressão que dá é que, de maneira geral, aquela antiga frase sobre o cachorro ser o melhor amigo do homem poderia ser ampliada aos seres da mesma espécie. Afinal, não é raro ver dois cães que nunca tinham se encontrado fazendo amizade logo de cara.

Mas será que quando rola um “arranca rabo” os peludinhos são bons em acalmar os ânimos, “pedir desculpas” e seguir em frente? Estudos apontam que não só os cachorros são capazes de deixar a briga de lado e refazer uma relação, como podem fazer isso por três motivos diferentes.

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Antes de explicar cada um deles, é bom ressaltar que a palavra reconciliação é a preferida entre os estudiosos para falar das relações entre os animais. Os termos perdão e desculpas acabam sendo reservados para as relações humanas.

Voltando aos motivos que levam os cães a se reconciliarem, o primeiro seria para manter a hierarquia, ou seja, o cachorro dominante da matilha permite que os outros peludinhos se redimam, desde que o “infrator” deixe claro que respeita aquele que está no topo hierárquico – o famoso rabinho entre as pernas. 

A segunda hipótese remete a um caráter mais ancestral e passaria pelo entendimento do animal que ele não nasceu para viver sozinho. O cachorro pode até ficar bravo e brigar com outro, mas logo vai lembrar que ter companheiro por perto é fundamental para a conquista de alimentos, momentos de diversão e conseguir aumentar a própria sensação de bem-estar.

Já a terceira possibilidade, diz que os cachorros tratam de não prolongar muito suas desavenças, pois eles não gostam de conviver com sensação de incerteza. Então, a tendência é que logo após a briga, os cães procurem a reconciliação para que, dessa maneira, não fiquem “à mercê” de uma agressão no futuro. Essa sensação de perigo iminente deixa os cães muito estressados e por isso fazer as pazes parece ser a melhor solução para ambos.

Um estudo sobre o assunto foi realizado e analisou o comportamento dos cães numa situação pós-briga. Foram observados 177 cães durante um período de 72 sessões de uma hora. Durante este tempo, 28 conflitos aconteceram, envolvendo 37 cães, sendo que 14 desses embates chegaram “às vias de fato” (sem que nenhum animal se machucasse).

A pesquisa focou nessas 14 brigas para analisar como os cachorros reagiriam após o atrito. Surpreendentemente, em todos os casos, a reconciliação aconteceu logo assim que terminou o conflito, e, mais curioso ainda, foi que os brigões se mostraram mais dispostos a passarem mais tempo juntos depois que a animosidade foi embora. 

Como não havia relação hierárquica entre os peludinhos e tampouco um relacionamento anterior, tudo leva a crer que a opção pela “bandeira branca” foi escolhida pelos animais como forma de minimizar o estresse que um possível novo confronto gerasse no futuro. 

Claro que como pai ou mãe de pet você deve sempre evitar e separar as brigas dos bichinhos, pois uma lesão séria pode ocorrer. Mas, mantendo uma distância segura entre eles, verifique se os próprios animais não chegam a um entendimento e se tornam bons companheiros. Vale lembrar que cães possuem sinais claros de apaziguamento, como deitar de barriga para cima e lamber ou cheirar o focinho do outro. Caso a agressividade continue, afaste os brigões não permitindo que eles tenham contato visual e tente uma reaproximação mais tarde.

No entanto, se a paz não reina dentro de casa e os pets partem pra briga com frequência, é hora de pedir ajuda para um médico veterinário, especializado em comportamento animal, para resolver o problema. O que não dá é aceitar uma convivência conflituosa, que gera medo e estresse nos bichinhos. Afinal, eles estão em nossas casas só para espalhar amor e felicidade. 

Sobre o autor

Anderson Mafra

Anderson Mafra

Jornalista apaixonado por animais, comunicação, música e não perde um concurso cultural (na verdade já perdeu vários). Curioso de mão cheia, quer saber sempre mais e compartilhar conteúdo, dicas e curiosidades do mundo pet. É um petlover assumido, sem chance de reabilitação.

4 Comentários

  • Há dois dias, meus dois cachorros se pegaram e quase se mataram. Não havia jeito de fazê-los parar. Ficaram muito machucados . Ontem já estavam tomando sol lado a lado como se nada tivesse acontecido. Ambos acabados. Na hora bad briga joguei água, mas nada adiantou. Uma cena de terror. Sei q não se coloca a mão numa hora dessas. Já fui mordida 2 vezes nesta circunstância. Qual a forma para fazê-los parar?

  • As minhas brigaram feio por conta de um osso. Uma é um weimaraner e a outra Srd idosa. A idosa que procurou a briga. Separei as duas de ambiente. Mas a mais velha estava chorando quando vai a outra.
    Isso é porque ela quer reconciliar?

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