Cachorros podem ter TOC?
Você sabe o que é TOC? O “Transtorno Obsessivo-Compulsivo” é bastante comum, mas pouca gente conhece ou nem sabe que tem. Esse distúrbio, que pode ser confundido e classificado como uma simples mania, é caracterizado pela presença de obsessões e/ ou compulsões, sendo considerado uma doença mental grave, afetando mais de quatro milhões de pessoas só aqui no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Infelizmente, este não é um mal que afeta apenas os humanos. Sim, os cães também podem ter TOC. Pesquisas desta década apontam que muitos peludos podem sofrer com o distúrbio, entretanto, da mesma forma que a doença passa despercebida em pessoas, também é pouco diagnosticada neles.
Meu cão tem TOC?
Perseguição frequente da própria sombra, correr incansavelmente atrás do rabo ou aquela mastigação da pata por longos períodos do dia podem ser sinais de TOC. Além disso, comportamentos destrutivos persistentes e urinar fora do lugar também podem ser sinais do distúrbio.
Essas são algumas das manifestações mais comuns nos cachorros, mas qualquer outro tipo de hábito peculiar que seja contínuo deve ser investigado pelos pais, para que as devidas providências sejam tomadas. As causas do TOC, que afeta cerca de 2% da população de cães, não são muito bem compreendidas e, por isso, normalmente não são tratadas, tampouco prevenidas.
Existe algum tratamento ao TOC canino?
Pets com TOC, assim como os humanos, possuem comportamentos atípicos e repetitivos e os tratamentos são bastante parecidos. Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Medicina Veterinária Cummings da Tufts University, em parceria com membros do McLean Imaging Center do McLean Hospital, em Belmont, nos Estados Unidos, revelou que os cães exibem as mesmas características comportamentais, respondem aos mesmos medicamentos e têm as mesmas anormalidades estruturais do cérebro que as pessoas com TOC.
A equipe de pesquisa liderada por Niwako Ogata, pesquisadora de comportamento na Escola de Medicina Veterinária Cummings e agora professora assistente de comportamento animal na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Purdue, examinou uma amostra cerebral de 16 Dobermanns, raça mais propensa ao distúrbio, e detectou que existem semelhanças consistentes com as de humanos que foram diagnosticados com a doença.
“Foi muito gratificante para mim usar nossas técnicas de imagem desenvolvidas para diagnosticar distúrbios cerebrais humanos para entender melhor a base biológica dos transtornos de ansiedade/ compulsão em cães, o que pode levar a melhores tratamentos para cães e humanos com esses distúrbios”, disse Marc. J. Kaufman, Ph.D., professor associado de psiquiatria na Harvard Medical School e diretor do Laboratório de Imagem Translacional do McLean Hospital.
Da mesma forma que os humanos, pets com TOC devem ser tratados a partir de mudanças de hábito – lembre-se de que o transtorno geralmente é causado pelo ócio ou ansiedade. Quando um cãozinho é diagnosticado, ele deve passar por um processo rigoroso de reeducação e socialização, além, claro, de um tratamento com um médico veterinário especialista em comportamento canino.
Existem prevenções?
Seu pet não apresenta nenhum dos sinais citados acima? Ótimo! E para que ele continue livre do TOC ou de problemas parecidos, é preciso seguir algumas diretrizes, como oferecer um bom ambiente, atividades físicas regulares e uma alimentação balanceada. Esses são pontos importantíssimos para que o pet viva saudavelmente, de forma equilibrada, sem que haja qualquer tipo de tensão ou estresse.
Vale destacar que cães com TOC possuem certo desequilíbrio emocional e, por isso, os pais devem ter muita paciência, visando promover um ambiente equilibrado e calmo. O auxílio de um médico veterinário é imprescindível nestes casos, afinal, este é um problema psicológico, que deve ser tratado de forma inflexível.




