Câncer de mama em cadelas – Sintomas, causas e como tratar
Entenda por que essa condição afeta tantas fêmeas, quais são os sinais de alerta e como o diagnóstico precoce faz toda a diferença.
Perceber um caroço na barriga da sua cachorra pode ser assustador. E se for o câncer de mama em cadelas, a preocupação é ainda maior. Só que tem algo importante que você precisa saber: quando identificado cedo, o tumor mamário tem tratamento e, em muitos casos, tem cura.
Entender o que está acontecendo com a sua cachorra, de onde vem esse tipo de tumor e quais são as opções de cuidado já é o primeiro passo para agir com mais segurança.

O que é o câncer de mama em cadelas?
O tumor de mama em cadela acontece quando as células das glândulas mamárias começam a se multiplicar fora do controle, formando nódulos. Esses nódulos podem ser benignos (sem espalhamento) ou malignos (com risco de metástase).
Diferentemente dos humanos, as cadelas têm cinco pares de mamas ao longo do abdômen. Por isso, é comum que mais de um ponto seja afetado ao mesmo tempo.
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), aproximadamente 45% das cadelas fêmeas podem desenvolver algum tipo de neoplasia mamária ao longo da vida. Desses casos, cerca de 30% a 50% são malignos. Assustador? Pode parecer. Mas o diagnóstico precoce muda completamente esse cenário.
Por que as cadelas desenvolvem esse tipo de tumor?
Não existe uma causa única para o câncer de mama em cachorro. A doença tem origem multifatorial: hormônios, genética, peso e histórico reprodutivo se combinam de formas diferentes em cada pet.
Influência hormonal e ciclos reprodutivos
Os hormônios estrógeno e progesterona estimulam diretamente o tecido mamário. Cada cio representa uma nova exposição hormonal que, ao longo dos anos, pode favorecer alterações nas células.
Estudos mostram que cadelas castradas antes do primeiro cio têm apenas 0,5% de chance de desenvolver a doença. Esse número sobe para 8% após o primeiro ciclo e chega a cerca de 26% após o segundo. A partir dos dois anos e meio de idade, o efeito protetor da castração praticamente desaparece.
Por isso, conversar com o médico-veterinário sobre o melhor momento para castrar a sua cadela é tão importante.
Mas, lógico, mesmo que a sua cadela já tenha mais de dois anos, a castração ainda traz diversos benefícios. Além de reduzir o risco de recidiva em cadelas que já tiveram tumor mamário, o procedimento praticamente elimina a possibilidade de piometra (uma infecção uterina grave e potencialmente fatal), evita a gravidez psicológica e ainda diminui as chances de tumores ovarianos e uterinos. Ou seja: nunca é tarde para conversar com o médico-veterinário sobre isso.
Anticoncepcionais e hormônios sem prescrição
O uso de anticoncepcionais injetáveis à base de progesterona em cadelas é um dos fatores de risco mais documentados para o tumor de mama. Esses medicamentos causam desequilíbrios hormonais sérios e, por isso, não são indicados por médicos-veterinários.
Nunca ofereça anticoncepcionais para a sua cachorra sem orientação veterinária. Além do risco de neoplasia mamária, esse tipo de medicamento também está associado à piometra, uma grave infecção uterina.
Obesidade, idade e predisposição genética
O sobrepeso também entra na lista de fatores de risco. O tecido adiposo em excesso age como um órgão hormonal, produzindo substâncias que favorecem o crescimento celular desordenado.
A idade avançada importa também: a maioria dos diagnósticos ocorre em cadelas com mais de sete anos. Algumas raças têm predisposição genética maior, como Golden Retriever, Labrador, Poodle, Pastor Alemão, Yorkshire Terrier, Cocker Spaniel, Shih Tzu e Dachshund.

Sintomas do câncer de mama em cadelas
Os sinais do câncer de mama em cachorro podem ser sutis no começo. Em muitos casos, a doença avança por meses sem chamar atenção. Veja o que observar:
- Caroços ou nódulos na região das mamas: consistência firme, podendo variar de pequenos grânulos a massas maiores. Palpar suavemente a região abdominal da cachorra após o cio ajuda a identificar alterações mais cedo;
- Inchaço, vermelhidão ou aumento de temperatura nas mamas;
- Secreção nos mamilos com odor forte ou cor diferente do normal (amarelada ou sanguinolenta);
- Dor ou sensibilidade ao toque, o que pode fazer a cachorra evitar ser acariciada nessa região;
- Mudanças de comportamento: apatia, perda de apetite, lamber insistentemente a área afetada.
Nos casos mais avançados, quando o tumor se espalha para outros órgãos (metástase), podem surgir tosse persistente, dificuldade respiratória e até alterações neurológicas. O pulmão é o órgão mais afetado nessa fase.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com o exame clínico e a palpação das mamas pelo médico-veterinário, aliados ao histórico da cadela. A partir daí, exames complementares são solicitados para confirmar o tumor, avaliar suas características e verificar se há disseminação.
Os principais exames utilizados são:
- Ultrassonografia mamária: avalia a estrutura do nódulo e ajuda a diferenciar tumores benignos de malignos;
- Radiografia torácica: verifica se há metástase nos pulmões, o local mais comum de disseminação;
- Citologia aspirativa (CAAF): coleta de células por agulha fina para análise microscópica, rápida e pouco invasiva;
- Histopatológico: exame definitivo, feito após a remoção cirúrgica, que confirma o tipo e grau do tumor;
- Exames de sangue: avaliam o estado geral de saúde antes de qualquer procedimento.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento varia conforme o tipo, o tamanho e o estágio do tumor, além das condições gerais de saúde da cadela. De modo geral, as abordagens mais utilizadas são:
Cirurgia
A mastectomia é o tratamento mais adotado e pode envolver desde a retirada de um único nódulo (lumpectomia) até a remoção de uma ou ambas as cadeias mamárias. Quando o tumor é detectado cedo e ainda está localizado, a cirurgia pode ser suficiente para a recuperação completa.
Em cadelas não castradas, o médico-veterinário pode indicar a castração durante o mesmo procedimento, o que reduz o risco de recidiva e previne complicações uterinas futuras.
Quimioterapia e radioterapia
Nos casos em que o tumor é maligno com risco de disseminação, a quimioterapia é indicada após a cirurgia para eliminar células residuais. Vale destacar que os pets, em geral, toleram bem o tratamento quimioterápico, com reações adversas bem menos frequentes do que as vistas em humanos.
Já a radioterapia pode ser indicada em situações específicas, como tumores de difícil remoção cirúrgica ou em tipos mais agressivos da doença.
Cuidados paliativos
Quando o diagnóstico chega em estágio avançado e a cura não é possível, o foco passa a ser a qualidade de vida. O controle da dor com medicamentos, o suporte nutricional e o acompanhamento veterinário frequente são fundamentais para garantir conforto e bem-estar à cachorra.

Como prevenir o câncer de mama em cadelas?
Algumas atitudes no dia a dia reduzem bastante o risco de a sua cachorra desenvolver a doença. Veja:
- Castração no momento adequado: converse com o médico-veterinário sobre o melhor período para o procedimento. A castração precoce é um dos principais fatores de proteção;
- Evitar anticoncepcionais hormonais: não administre esses medicamentos sem orientação veterinária;
- Controle do peso: uma alimentação equilibrada e atividades físicas regulares ajudam a manter o peso saudável e a reduzir os fatores de risco;
- Consultas veterinárias regulares: visitas semestrais, principalmente em cadelas com mais de seis anos, permitem identificar nódulos pequenos que passariam despercebidos em casa;
- Check-up veterinário completo: exames de sangue e de imagem periódicos ajudam a identificar alterações antes mesmo de qualquer nódulo aparecer;
- Exame de toque em casa: palpar suavemente a região das mamas uma vez por mês, especialmente após o cio, ajuda a perceber qualquer alteração de textura ou a presença de caroços com antecedência.
O câncer de mama também afeta cães machos?
Sim, embora seja bem menos frequente. Cães machos também têm glândulas mamárias rudimentares e podem desenvolver tumores nessa região. O mesmo vale para os gatos. Em machos, a doença costuma aparecer em idades mais avançadas e está associada principalmente à não castração.
Se você notar caroços ou qualquer alteração na região abdominal de qualquer pet, o caminho é o mesmo: buscar avaliação com o médico-veterinário o quanto antes.
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Perguntas frequentes
Quais são os principais sintomas do câncer de mama em cadelas?
Os sinais mais comuns são a presença de nódulos ou caroços na região das mamas, inchaço, vermelhidão, secreção nos mamilos e sensibilidade ao toque. Em fases mais avançadas, podem aparecer mudanças de comportamento como apatia e perda de apetite.
O câncer de mama em cadelas tem cura?
Sim. Quando diagnosticado cedo, especialmente em tumores benignos ou malignos ainda localizados, o tratamento cirúrgico tem altas taxas de sucesso. O prognóstico piora conforme a doença avança, por isso o diagnóstico precoce é tão importante.
A castração previne o câncer de mama?
É um dos principais fatores de proteção, especialmente quando realizada antes dos primeiros cios. O risco cai para apenas 0,5% em cadelas castradas antes do primeiro ciclo. O momento ideal para o procedimento deve ser discutido com o médico-veterinário.
Qual é o tratamento mais comum para o tumor de mama em cadela?
A cirurgia de remoção do tumor é a abordagem mais adotada. Dependendo do caso, pode ser complementada com quimioterapia, especialmente quando há risco de metástase ou quando o tumor é maligno.
Anticoncepcional para cachorra pode causar tumor de mama?
Sim. O uso de anticoncepcionais hormonais sem orientação veterinária é um fator de risco documentado para neoplasias mamárias em cadelas. Por isso, essa classe de medicamentos não é recomendada. Converse sempre com um médico-veterinário antes de qualquer medicação hormonal.
Com que frequência devo levar minha cadela ao veterinário para prevenir o câncer de mama?
O ideal são visitas semestrais, especialmente em cadelas com mais de seis anos, não castradas ou com histórico de gravidez psicológica. Entre as consultas, o exame de toque mensal na região das mamas ajuda a identificar alterações com antecedência.






