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Carrinho para cachorro: necessidade ou futilidade?

A nova moda é o carrinho para cachorro. Baseados naqueles de bebê, os para cachorro são mais rebuscados e atendem suas necessidades, como porta garrafa de água ou até comedouro. Mas será que é um utensílio realmente necessário?

Quando falamos sobre humanização ou tratar o cachorro como bebê, dois exemplos sempre vêm à mente: cachorro de sapato e cachorro andando de carrinho. Ambos são altamente recriminados por quem ama cachorro. Afinal, eles estão impedindo a expressão de comportamentos naturais.

dois buldogues dentro de um carrinho para cachorro

Mas será que ter um carrinho para o cachorro é tão ruim assim?

Já adianto: eu tenho um carrinho para a minha cachorra. “Como assim, Luiza?!! Cadê o enriquecimento ambiental e a necessidade de passear no chão?” você pode pensar. Calma. Uma coisa não anula a outra.

O fato de eu ter um carrinho não significa que eu só ande com a Aurora dentro dele. Muito pelo contrário. Eu levo a Aurora para passear no chão o máximo que ela aguenta. Quando ela cansa, precisa de uma pausa para relaxar e beber uma água, mas o passeio ainda vai longe, entra o carrinho em cena.

Eu viajo bastante com a Aurora. Andamos o dia todo, fazemos trilha, exploramos ao máximo a cidade. Tudo a pé. Voltamos para a pousada ou hotel para um leve descanso, mas nem sempre é suficiente. Antes de sair para o jantar, a pequena cachorra está caída de sono. Ao invés de deixa-la no quarto, pego o carrinho e sigo o passeio. Ela pode ir para o chão, caso queira. Mas também pode escolher deitar confortavelmente e dormir, enquanto eu passeio e janto.

Se vou ao shopping fazer um passeio mais longo, o carrinho vai junto. Além de poder coloca-la, caso esteja cansada, também auxilia a carregar as sacolas de compras.

Um carrinho de cachorro pode ajudar um pet com dificuldade de locomoção

O carrinho para cachorro também é uma ótima saída para aqueles cães com locomoção reduzida. Seja por já estar idoso (como a Aurora), ou por ter algum tipo de paraplegia ou dificuldade de andar. 

Tem uma amiga, cuja cachorrinha, no auge dos seus quase 16 anos, ama passear. Mas ela (a cachorra) não consegue dar mais que cinco passos e já cai, sem forças nas patas. Então, entra o carrinho. Ela consegue ir cheirando o ventinho, olhando tudo ao seu redor, mas sem cansar as patinhas. Mas caso queira ir para o chão, deixa muito claro ao latir para a tutora. Então vai ao chão, fica um pouco e volta para o carrinho.

Outro exemplo é o caso de uma buldogue inglesa que encontrei no passeio. O sol já estava ficando um pouco mais forte e o calor já estava bastante intenso. Seus tutores queriam sair, mas acompanhados da gorducha. Com receio dela passar mal, por ser braquicefálica (focinho curto), colocaram no carrinho, com tapete gelado, e seguiram o passeio tranquilamente. Quando o sol diminuiu, lá se foi a cachorra correr pela grama.

Não podemos julgar o fato do cachorro estar no carrinho. Muitos tutores têm carrinho por pura frescura. Mas a maioria vê uma utilidade em prol da saúde e bem-estar do animal. Da próxima vez que encontrar um cachorro no carrinho, pergunte o motivo dele estar ali. Talvez seja o início de uma história muito bonita.

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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