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Como a organização da casa influi no comportamento dos cães

Você já imaginou como a organização da sua casa pode estar influenciando o comportamento do seu cachorro? Muita bagunça pode influenciar o cachorro a ter sucesso nos comportamentos inadequados. Duvida?!

cachorro sentado em uma sala de casa arrumada

Eu fui atender uma filhotinha deliciosa. Vou chama-la de Lana. No auge dos seus seis meses, Lana estava descobrindo o mundo. Mordia alguns móveis, brincava com os tutores através de mordidas, roubava comida, roía livros, comia planta, roubava roupas, papel higiênico… aprontava geral.

É natural que os filhotes tenham esses comportamentos. Afinal, eles são inadequados para nós, não para eles. Tudo pode se tornar uma enorme brincadeira na cabeça de um cachorro. Principalmente se ele tiver muitas opções a seu alcance.

Quer que um cachorro acerte? Aumente as chances de acerto e diminua as de erro. Ou seja, deixe mais perto dele coisas “certas” para ele interagir e retire as “erradas”.

Na casa da Lana, as plantas ficavam no chão. Sobre a mesa de centro, havia livro, jornal, revista, óculos e mais um monte de miudezas. Perfeitas para se tornar brinquedo na boca de uma filhotucha.

Na mesa de jantar, mais livros, revistas, frutas, pratos com resto de comida, copos usados, papeis soltos, lenço, bolsa, tudo com cheiro muito interessante.

Todas as vezes que Lana subia na cadeira e se apoiava a mesa, encontrava coisas novas para interagir. Era muito mais interessante do que aqueles mesmos brinquedos do chão. De vez em quando, ainda rolava uma comida, bem da gostosa, dando sopa por ali.

Enriquecimento ambiental resolve?

“Ah, Luiza, mas não é só oferecer um ambiente enriquecido que resolve isso?”, você pode me perguntar. Infelizmente, na cabeça do cachorro, tudo é um enriquecimento ambiental. Mesmo que a gente ofereça o casco mais incrível, quando ele perder a graça, ainda vai ter aquele resto de pão em cima da mesa. E para onde a pequena Lana irá focar sua atenção?!

Para o enriquecimento ambiental realmente ter efeito e prender a atenção do cachorro para o que pode, precisamos ter uma casa extremamente organizada, sem “novidades” espalhadas. Afinal, tudo o que é novo é atrativo ao peludo.

Isso não quer dizer que você nunca vai poder esquecer um papel em cima da mesa. Mas que, enquanto o cachorro estiver aprendendo a focar sua atenção, devemos nos policiar ao máximo para manter tudo organizado no seu devido lugar.

Quanto mais sucesso o cachorro tiver ao fuçar um local, mais ele irá recorrer a esse mesmo local, quando precisar de novidades. Lana sempre sobe na cadeira da sala de jantar para fuçar a mesa. Se toda vez que ela subir não encontrar nada, não haverá mais motivos para subir. Porém, se em uma dessas investidas ela encontrar uma sacola nova, um pedaço de papel ou mesmo um copo já usado, será recompensada e aumentará a frequência de buscar algo na mesa.

O segredo é que o comportamento “errado” não seja automaticamente recompensado. Se o cachorro pular na pia, que ele nunca encontre nada interessante lá. Se subir na mesa, que encontro no máximo um vaso sem flor. Se cheirar a mesinha de cabeceira, não se interesse por nada.

Não estou pedindo para você mudar a sua casa por conta do cachorro. Apenas para facilitar os acertos e o foco no enriquecimento ambiental nesse início. Aos poucos o cachorro vai entender que brincar com as coisas dele é muito mais legal e recompensador do que inventar coisas por aí.

E nada de broncas, ok?!

Sobre a Lana, o que poderia levar um ou dois meses para resolver, levou mais de um ano. Tudo isso pela desorganização da casa dos tutores. Mesmo dando broncas, Lana esperava os humanos saírem ou dormirem para subir na mesa e roubar “as novidades”. Mas poderia ser mais fácil e rápido se o ambiente auxiliasse no processo. 

A organização da casa influencia não só no caso de cães filhotes, mas adultos e idosos também. Quem não gosta de ter cada coisa no seu lugar, não é?! 

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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