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Falar com voz fina com o cachorro melhora a relação?

Sons mais agudos remetem a situações de prazer aos cães. Por isso, quanto mais usarmos frases e tons mais altos, maior a chance de aprendizado e consequente melhor comunicação.

A audição não é o sentido prioritário do cão, mas a frequência ouvida por ele é muito maior que a nossa. Isso não quer dizer que os cães escutem mais alto, mas sim os sons que para nós, humanos, são inaudíveis.

Ao conviverem conosco, os cães passaram a associar a feição humana ao tom de voz. Assim, eles são capazes de diferenciar as emoções como raiva, alegria e medo, somente através da observação das nossas expressões faciais. A compreensão da emoção é ainda maior quando associada à voz.

Ninguém dá bronca falando fino. Da mesma forma, é difícil brincar com um cachorro falando grosso. Dessa forma, a voz acaba sendo uma grande pista ou dica de como está nosso emocional e se o cão deve se aproximar ou se afastar de nós.

Quando chamamos um cachorro de forma brava e forte, ele vem por medo (quando vem). Mas você já tentou chamar o mesmo cão bem alegre e com a voz mais fina que você conseguir? É garantia de ser atendido.

cachorro buldogue olhando para cima

Voz fina e o adestramento

Toda vez que o cachorro executa um comportamento que desejamos, ele deve ser recompensado. Como reforço, podemos usar petisco, comida, brinquedo, passeio, carinho ou voz fina. Juro juradinho que um “muito bem” bem fininho é altamente recompensador ao cão.

Mesmo que o melhor reforçador para o cão seja o petisco, devemos associar à voz. Afinal, em algum momento iremos retirar o petisco e só manter a voz.

Quem sofre muito nesses momentos são os homens. Ainda mais aqueles que creem que falar fino os transforma imediatamente em mulheres e repelem essa ideia. Em pleno século XXI isso ainda me assusta, mas me deparo com essas pessoas com frequência durante os atendimentos.

O último caso, foi de uma rapaz bastante jovem, que estava aprendendo a se comunicar com seu cão. Antes, ele só brigava por comportamentos inadequados, mas não recompensava os certos. Hoje, está aprendendo que recompensar o acerto e mostrar os comportamentos desejados tem muito mais eficácia.

Mas na hora de recompensar com a voz, aí o bicho pega. Foram treinos e treinos até ele liberar um “ok” bem grave. Obviamente que eu falo “ok” bem fininho, enquanto dou o petisco. Assim, o cachorro tende a atender mais às minhas solicitações do que as do tutor. A única diferença é o tom da voz. 

Faça o teste

Se você duvida o quanto o tom da voz é importante no processo de comunicação e aprendizado do cão, faça um teste. Um não, vários.

Quando chegar em casa, chame o seu cachorro bem feliz. Comece a dizer coisas, como se fossem bronca, tipo “você viu o que você fez? Olha essa bagunça!”, mas com voz super, hiper, mega fina. Mas a feição também deve estar de brincadeira. Não pode roubar!

Em outro momento, peça para o cachorro sentar. Ao atender sua solicitação, fale “muito bem” em um tom grave e ríspido. Depois, solicite outro comportamento, como deita. Ao executá-lo, recompense o cachorro com um “muito bem” bem fininho e alegre. Veja qual a reação dele em ambos os casos. O quanto ele vai querer continuar o treino.

Quanto mais você recompensar seu cachorro com voz fina, maior a chance dele voltar a executar aquele comportamento desejado. A comunicação entre humanos e cães é fundamental para garantia do bem-estar de ambos.

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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