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Família socializadora: o acolhimento fundamental na formação de um cão-guia

Por Jéssica Vieira -

Antes de iniciar o treinamento específico de mobilidade urbana e até mesmo de ser entregue à pessoa com deficiência visual, um cão-guia é acolhido pelo que chamamos de família socializadora.

cão-guia exercendo sua função na rua

Como o próprio nome diz, a família socializadora é aquela que vai dar os primeiros passos na inserção do futuro cão-guia em sociedade, levando-o ao máximo de lugares públicos e privados de uso coletivo, como shoppings, restaurantes, clínicas, escolas, supermercados, feiras livres, casa de parentes e amigos, repartições públicas, dentre outros, sempre respeitando as respostas deste cão aos estímulos apresentados e apresentando os comandos de segurança iniciais para a função, como “senta”, “deita”, “fica”, espera”, “vem” etc.

Dessa forma, também é papel da família socializadora do cão-guia apresentá-lo à maior diversidade de pessoas possível: crianças, jovens adultos, idosos, pessoas com deficiências, transeuntes com bonés, mochilas, óculos, guarda-chuva, bicicletas, motos…uma tarefa que requer atenção a tudo que está ao redor e que é fundamental para que o cão responda positivamente ao futuro treinamento e à formação da dupla.

No Brasil, a família socializadora desempenha um trabalho estritamente voluntário, vinculado ou a um instituto de treinamento de cão-guia ou a um treinador autônomo, que custeiam todos os gastos com a saúde e alimentação do cão. Assim, custos como vacinas, exames, consultas, ração e banho e tosa não serão feitos pela família socializadora, uma vez que seu compromisso está em conduzir esse animal à uma perfeita socialização.

Por falta de conhecimento da lei, nº 11.126/05, que trata do acesso do cão-guia aos ambientes públicos e privados de uso coletivo quando acompanhados do seu usuário, treinador ou família socializadora, muitas delas são impedidas de executar seus trabalhos – com a alegação de que não são deficientes visuais -, podendo comprometer seriamente o processo de socialização do cão.

Embora o nome sugira um grupo, a família socializadora pode, sim, ser composta por uma única pessoa, desde que atenda os requisitos básicos para a função: ser maior de idade, ter comprometimento com a saúde e o bem-estar do cão, comparecer às reuniões de acompanhamento dos institutos ou profissionais autônomos e inserir o cão numa rotina essencialmente integral, simulando a convivência que ele terá com o seu futuro usuário. 

Quer saber mais sobre cão-guia? Deixe seu comentário e aproveite para acompanhar os posts que já saíram sobre o tema aqui.

Por Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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