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5 mitos sobre adoção de cães

No dia 04 de abril é comemorado o Dia Mundial dos Animais de Rua. A data foi criada para diminuir o número de animais abandonados. Um dos pontos que mais dificulta esse panorama são os mitos vinculados à adoção. Simbora pontuar um a um e partir para adotar um peludo.

Não há como garantir o número de animais abandonados no Brasil. Mas estima-se que haja 20 milhões de cães nas ruas e abrigos (isso sem falar nos gatos). Esse panorama se deve a diversos fatores, como abandono, falta de castração e diminutas políticas públicas sobre o assunto.

Apesar disso, há muito o que possamos fazer. Sim, você e eu. Duvida?! O primeiro passo é desmitificar a adoção para todo mundo. Seu vizinho, primo, avó, amigo, até para aquele colega de trabalho. Quanto mais adoções houver e menos abandonos, mais poderemos ter animais com lares.

cachorro adotado no colo de uma mulher

Mito 1 – Não tem como ter certeza do tamanho que o cachorro vai ficar

Esse mito é o que eu mais escuto como motivo para não adotar. Na minha imaginação vem um cachorro que cresce igual ao ser humana, até os 16 anos. No caso dos cães, o maior crescimento acontece até os oito meses de idade. Assim, dá para adotar um filhote (que é mais um mito) e saber qual tamanho ele terá. 

Leia também: Como saber de qual tamanho um cão ficará quando crescer?

Mito 2 – Só quero adotar filhote para ensinar tudo do zero

Mesmo que um filhote chegue com dois meses de vida, ele virá com uma bagagem de aprendizado. O que pode ser bom ou ruim. Bom se ele foi socializado corretamente. Ruim se ele teve experiências ruins e angustiantes, que geraram medo excessivo.

Isso vale para filhotes adotados e comprados.

O cachorro tem uma janela sensível de aprendizado até o quarto mês de vida. Ou seja, tudo que ele aprender até essa idade, ele levará para sempre. Mas isso não quer dizer que ele não aprenderá após essa idade (mais um mito). O cachorro é passível de aprendizado a qualquer época da vida, mesmo quando idoso. A questão é a velocidade do aprendizado. Os filhotes podem aprender mais rápido que os velhinhos. Basta paciência e persistência que tudo dá certo.

Mito 3 – Só quero adotar cachorro pequeno, porque eu moro em apartamento

Você já visitou um abrigo de cães? Viu o tamanho dos recintos que eles vivem e a quantidade de cães em um mesmo espaço? Mesmo que você more em 28m², o cachorro terá mais espaço do que no abrigo.

Se o medo é que ele destrua a casa for falta de espaço para correr, tenho duas dicas:

  1. passear todos os dias, pelo menos uma vez;
  2. enriquecimento ambiental diferente para cada dia da semana.

Essa ideia de que cachorro em um quintal grande é feliz, além de ser um mito, é algo do passado. Eu mesma já tive um cachorro enorme em um micro ap. Mas cabia a mim dar atividade para o cachorrão.

Mito 4 – Eu prefiro um cachorro de raça para saber como será o temperamento

Espera aí que eu preciso respirar fundo…

Basta ir a um encontro de raça para ver a grande variedade de comportamento e temperamento em uma mesma raça. Claro que há uma média, um certo padrão. Mas não necessariamente aquele filhote escolhido vai ter o temperamento desejado.

Quantas e quantas vezes eu já atendi cães, cujo tutores viram o cachorro do amigo e quiseram um igual. Mas na hora que o filhote chegou, tinha o temperamento totalmente diferente e eles se arrependeram. Eu já perdi as contas das vezes que eu já ouvi essa história.

Ter um cachorro é estar aberto a lidar com diferenças e ensinar como você deseja que ele se comporte. Além de se adequar às necessidades básicas dele. Querer apenas um ursinho que faça apenas o que você quer é o auge da ilusão.

Ninguém engravida querendo que a personalidade do filho seja igual a do filho do vizinho e, se não for, ficará chateado.

Mito 5 – Cachorro de raça é mais bonito

A beleza é tão questionável, né?!

Será que os cães de raça são mais bonitos mesmo ou apenas seguem um padrão já bem conhecido, estabelecido e aceito pela sociedade. Será que não buscamos um conceito de cães de cinema ou desenhos infantis?

Uma pessoa que está em busca de um filho, um companheiro, um amigo, não deveria se preocupar tanto com a beleza. Do contrário, não venderiam cão da crista chinesa por aí. Ai, desculpa, mas não tem um ser que ache aquele cachorro bonito, vai.

Uma vez me pararam na rua e perguntaram o nome do meu cachorro (já falecido). Eu disse que era Stitch. A pessoa fez carinho e falou: “mas ele é feio, né?!”. Eu respirei fundo e respondi: “se ele fosse bonito se chamaria Brad Pitt”. 

Eu lá quero saber se o cachorro é feio ou bonito. Eu não olho a pessoa na rua e dou minha opinião sobre a beleza dela. Afinal, pouco importa o que eu acho. O mesmo vale para o cachorro. Mesmo porque, quem ama o feio, bonito lhe parece.

Chega de mitos sobre a adoção de cães

Eu poderia ficar aqui, digitando por horas, sobre os mitos da adoção. Mas melhor parar por aqui. Imagino que você terá bastante assunto para o próximo happy hour ou jantar em família.

Se você não pode adotar um cachorro, incentive que outra pessoa adote. Compartilhe nas suas redes sociais as feiras de adoção na sua cidade. Converse com todas as pessoas sobre a importância da adoção!

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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