Por que comprar um pet é visto como algo ruim?

Recentemente, o Reino Unido divulgou que não permitirá mais a venda de cães e gatos filhotes em pet shops. A notícia foi comemorada por ativistas do mundo todo, mas essa medida mostra, na verdade, o quanto em diversos países ainda existe a exploração de animais para procriação.

As “fábricas de filhotes” não são uma exclusividade do Brasil. Pelo contrário, basta assistir qualquer programa gringo sobre proteção animal que haverá pelo menos uma denúncia de criação ilegal por episódio.

A criação de cães e gatos em si não é algo ruim. Por meio dela é que conseguimos selecionar determinadas características particulares de cada raça. O problema está quando isso é feito aleatoriamente, sem conhecimento genéticos e pior: sem considerar o bem-estar de todos aqueles animais.

Se não fossem os criadores idôneos e responsáveis, jamais teríamos uma variedade tão grande de pets, assim como também não teríamos exemplares específicos para determinadas “funções”. Embora isso não seja visto com bons olhos por alguns protetores de animais, se alguém quer uma determinada característica, não há nada de errado em comprar um pet. O problema está na forma como esse pet é adquirido e tudo o que aconteceu com seus pais, bem como o que foi feito durante a gestação e após o nascimento do filhote.

Criadores irresponsáveis são maioria. Isso porque é muito mais lucrativo criar de qualquer maneira, sem levar em conta questões de higiene e saúde. Por uma conta bem básica, podemos pensar melhor sobre isso: o que dá mais lucro, comprar ração de primeira linha, vacinar, vermifugar e ter um médico veterinário responsável pelo plantel (criação) ou alimentá-los com comida de baixa qualidade sem nenhum acompanhamento de controle de doenças?  

Quando um “criador” só visa dinheiro e nada mais, inevitavelmente ele fará o pior para seus cães e gatos, contudo, poderá vender mais barato e procriar sem parar. Por outro lado, um bom criador, poupa suas fêmeas de crias seguidas, faz exames de pré-natal, oferece conforto e tudo o que mãe, pai e filhotes precisarem. Este último também faz de tudo para não ter em seu canil ou gatil animais com doenças genéticas, problemas de comportamento e enfermidades transmissíveis.

Normalmente, mesmo alguns grandes pet shop contam com a colaboração de criadores não tão preocupados com os pets. Como revendem os animais, eles precisam comprar a um valor acessível para poder repassar os custos e ganhar em cima deles…

Se vai comprar um pet, pesquise muito sobre o local e a fama o criador. Converse com pessoas que tenham animais desse canil ou gatil, conheça os pais e irmãos, fale com o médico veterinário responsável pela criação e certifique-se de que nada ilegal está sendo feito lá. O corte de rabo e orelhas, por exemplo, é proibido no Brasil e ainda assim é realizado em alguns criadouros. Oferecer pedigree é só um detalhe, muitas vezes são outros fatores que ditam como realmente os pets são tratados.

Sobre o autor

Jade Petronilho

Jade Petronilho

É jornalista por formação e comportamentalista veterinária por paixão. Desde criança é a "louca dos bichos", por isso resolveu estudar medicina veterinária, etologia e nutrição animal, mas ainda pretende, um dia, fazer zootecnia. Atualmente tem dois cachorros, dois gatos e 13 peixes, mas além de cães, gatos e peixes, também já foi tutora de um coelho, três periquitos, dois porcos da índia, dois pintinhos e três cabritos.

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.