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Por que meu cachorro me segue?

Quando pensamos em fidelidade, logo vem à mente o cachorro. Um dos motivos é por ele nos seguir aonde quer que vamos. Mas será que isso é bom para ele?

filhote de cachorro parado olhando para uma pessoa

O comportamento de seguir é natural para o cão. Isso porque ele é um animal gregário, que vive em grupo. O mais comum é que animais sociais andem todos juntos, como uma forma de minimizar a possibilidade de serem predados. Há diversas outras vantagens para se viver em grupo, como aumento de chance de alimentos, de parceiro para acasalamento e manutenção da temperatura.

Quando os cães passaram a conviver com humanos, o hábito de viver em grupo não mudou. Mas esse comportamento de seguir acontecia principalmente quando houvesse deslocamento para caça, busca por água etc.

Enquanto o grupo estivesse no território ou casa, os cães poderiam sair de perto dos humanos para brincar, fazer suas necessidades, cheirar, etc.

O grande problema é que hoje, mesmo convivendo em casas pequenas, o cão não se sente seguro para ficar na sala enquanto o tutor vai até a cozinha pegar um copo de água. Se vai ao banheiro e fecha a porta, então, acaba o mundo. Esse excesso de dependência e a falta de segurança e autoconfiança para ficar a poucos metros do tutor é algo extremamente preocupante.

Pode parecer um sinal de amor, do cachorro querer estar com você o tempo todo. Mas o motivo dele ser sua sombra não é nada fofo. Isso acontece por angústia.

O que fizemos ou o que aconteceu com os cães para que chegássemos a esse ponto?

São diversos fatores que culminam em um comportamento de apego excessivo. 

  1. O primeiro ponto é a nossa carência. Não podemos ver o cachorro quietinho na caminha dele, que já chamamos, mandamos beijinho, fazemos carinho. Isso ensina ao cão que ele não deve ficar sozinho, que o certo é ficar grudado em nós.
  2. A utilização de broncas, gritos, punições leva a uma desconfiança e falta de previsibilidade do ambiente. Essa incerteza gera angústia e ansiedade. Como consequência, a única forma de tentar prever melhor o que pode acontecer, é ficar sempre de olho em cada passo do tutor.
  3. Falta de rotina. Quando cada dia você tem uma rotina com o cão, ele fica a mercê de você para comer, passear, receber carinho, beber água e afins. Ao saber o horário que você sai, que você chega, a refeição ser oferecida sempre no mesmo momento, o treino na mesma hora do dia e o passeio também, ele saberá antecipar e ficará mais relaxado, sem precisar te seguir para entender o que vem depois.
  4. Inconstância ou incoerência da reação do tutor com o cão. Se o cachorro tem um comportamento, como bater com a pata no meu braço para pedir carinho, mas cada vez eu reajo de uma forma diferente, eu sou incoerente, na cabeça do cão. Tudo na vida do cão depende da previsibilidade do ambiente. Se ele quer seu carinho, mas tem dias que você dá outros dias você ignora e ainda tem outros que você briga, ele ficará inseguro, dependendo cada vez mais da sua presença. Manter sempre a mesma resposta ao comportamento do cão é fundamental para a segurança e autoconfiança dele.
  5. Falta do que fazer. Quando não ensinamos o cão a ter atividades sozinho, ele passa a depender única e exclusivamente de nós para conseguir brincar, relaxar, roer e executar outros comportamentos naturais. Oferecer brinquedos, dispositivos recheados, mordedores e coisas para ele lamber ajuda na independência.
  6. Não ter um local seguro. Se o cachorro não tiver uma caminha ou uma casinha onde ele possa relaxar, ele provavelmente irá buscar o sofá ou a cama do tutor para isso. Para saber qual o local de segurança do seu cachorro, basta oferecer algo muito muito muito apetitoso, que ele nunca ganha. Ele levará para o local que se sentir seguro. O ideal é que haja um espaço específico para isso, que até pode ter sido treinado, para que ele relaxe.

Não ache bonito o cachorro seguir. A não ser que seja fora de casa. Daí, então, é desejável que ele siga. Mas, dentro de casa, esse comportamento é indesejável, principalmente quando pensamos no bem-estar do pequeno.

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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