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Saiba como entender melhor o seu cachorro

Não é só com o rabo que o cachorro se expressa. Existem várias outras formas que seu cachorro usa para se comunicar com você. Veja como compreendê-lo melhor.

Primeiro de tudo, devemos nos despir de qualquer julgamento dos comportamentos dos cães sob ótica humana. “Ah, ele faz tal coisa para chamar atenção” ou “é birra”. Não rotule o comportamento. Isso só vai te afastar do seu pet e dificultar a comunicação entre vocês.

Cães não são bebês humanos peludos. A estrutura cerebral é bem diferente no que diz respeito à noção de autoconsciência, tomada de decisão, julgamento e emoções complexas. Uma das principais diferenças entre humanos e cães (ou qualquer outra espécie) é uma região do cérebro bem específica, chamada córtex pré-frontal. É nesta região que muitos dos comportamentos reflexivos e de avaliação de nós mesmos. 

cachorro olhando para frente com a cabeça encurvada para o lado

Mas o que o cérebro tem a ver com a comunicação canina?

Compreender que os cães não têm a capacidade (ainda não há comprovação científica) de manipular situações, faz com que a gente comece a lê-los de forma mais simples e direta. As emoções dos cães são primárias: medo, felicidade, tristeza, raiva, nojo e surpresa. Já as secundárias, como culpa, vergonha, inveja, ainda não são possíveis de confirmação em cães.

“Mas como assim? Meu cachorro faz cara de culpa!”. Aí é que começam os erros e julgamentos. Se prestarmos atenção aos sinais de forma direta e simples, sem julgamento, veremos que a reação que o cão apresenta após receber uma bronca, pode ser a mesma quando um novo cão se aproxima.

Sinais mais comuns em cães

A emoção mais importante para o cão demonstrar não é a alegria. Apesar deles saberem fazer isso muito bem. O medo é a mais importante, quando pensamos na manutenção da vida. Se o cão encontra outro animal, com o qual pode rolar um briga, melhor já demonstrar que ele está com medo e mudar o foco da interação.

No mundo animal não é “feio” demonstrar medo, como alguns pais ainda pregam. Ninguém precisa ser “forte” ou “vencer sempre”. O cachorro não quer conflito. Ele quer conviver bem com todos. Por isso, a importância de demonstrar rapidamente seu limite de tolerância.

Existe uma escala com sinais mais brandos e outros mais intensos, até chegar no mais conhecido e respeitado, que é a mordida. 

Antes do cachorro rosnar ou morder, ele já desfiou todo o rosário e você nem prestou atenção. Por isso que muitas vezes dizemos que o cão “mordeu do nada” ou “é temperamental e imprevisível”.

Os sinais de apaziguamento, ou sinais de calma (calming signals, em inglês), foram definidos por uma pesquisadora como uma linguagem demonstrada pelo cão para evitar conflito. Porém, eles não usam isso só com outros cães, mas com humanos também.

Assim como aprender qualquer língua, os sinais de apaziguamento levam um tempo e prática para se tornar fluente. É preciso prestar atenção na boca, orelhas, rabo, olhos, dorso e patas para conseguir ler tudo o que o cão está expressando.

Recentemente fui atender uma cadelinha super fofa, mas muito medrosa. A queixa das tutoras eram as mordidas inesperadas, que aconteciam “do nada”. O primeiro ponto foi mostrar para elas a emoção que estava mais presente ao longo da consulta. Apesar dos diversos brinquedos, a cachorrinha estava super tensa, solicitando a atenção das tutoras para irem embora.

Tudo começou com uma pata erguida. Depois, ela arqueou o corpo, colocou as orelhas para trás e encostou na perna da tutora. Sem atenção, teve que começar a ser mais enfática. Pulou na perna e começou a lamber o focinho incessantemente (como se estivesse pedindo comida).

Ainda sem atenção, passou a latir. Como uma forma de acalmar a cachorra (afinal, um cachorro latindo é um cachorro mal educado, né?!) a tutora pegou no colo. Ao tentar fazer carinho, para acalmá-la, rolou um esquivamento de corpo, como se ela pedisse para tirar a mão.

A tutora tentou o carinho de novo. A cachorra fez menção de pular no chão. A tutora segurou e voltou a tentar fazer carinho. Aí, então, rolou uma mordida no ar, um aviso.

Leia novamente todos os sinais que a cachorra deu, tentando comunicar seu desconforto e pedindo ajuda da tutora para sair daquela situação. Corpo tenso, orelhas para trás, pata erguida, lamber focinho, esquivar o corpo, latir são só alguns deles.

A grande questão não é só a falta de resposta da tutora, mas a má compreensão do que a cachorra queria. Além de sobrepor às regras sociais humanas (de que cachorro tem que receber carinho para ficar quietinho).

Quando nos deparamos com situações diferentes e apenas julgamos o comportamento do cão sob a ótica da etiqueta ou cultura humana, estamos nos afastando da comunicação efetiva com o cão. Ou seja, para entendermos melhor o pet, temos que ver as situações sob a perspectiva dele, observando o comportamento puro.

Um cachorro latindo não quer simplesmente chamar atenção. Um cachorro que destrói as coisas não é mau. Se ele rosna para um outro cão, não faz dele reativo e incapaz de socializar. Tremer e fugir da visita não significa que ele é mal educado. Não querer carinho, não é falta de simpatia.

Nós, humanos, somos absolutamente capazes de compreender um cão e todas suas emoções. Afinal, elas também fazem parte do nosso comportamento. Mas, assim como não falamos palavras difíceis com uma criança que está aprendendo a falar, não observamos uma atitude com emoções que os cães não têm.

Uma dica: estude mais sobre os sinais de apaziguamento. Passe mais tempo só observando seu cachorro brincar, correr e interagir com outros cães. Ele irá te ensinar muito!

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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