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A empresa é pet friendly, e agora?

Por Jéssica Vieira -

Depois de alguns anos de home office e de muitas pesquisas confirmando os benefícios da convivência entre cães e seres humanos, sobretudo durante a pandemia, a volta ao presencial ganhou um novo cenário: empresas passaram a permitir que funcionários levassem seus pets ao trabalho.

Os animais, que em muitos casos ganham até crachá funcional, acompanham seus tutores no escritório, na sala de reuniões e até na copa para aquele cafezinho entre os colegas. Mas antes de sair comemorando ao lado do seu novo “cãolega” de trabalho que a firma é pet friendly, é preciso entender se esse ambiente é condizente com o bem-estar dele.

Então separei aqui algumas perguntas para saber se o seu peludo merece mesmo foto na carteirinha da firma! 

cachorro sentado no colo de uma mulher no escritório

1 – O seu cão gosta de sair de casa?

Muita gente acredita que todo cão gosta de sair de casa, passear, andar de carro, ônibus, metrô e até avião, mas o fato é que isso não é verdade. O meio urbano, com todos os seus ruídos, é um estressor para muitos cães e isso deve ser avaliado. Muitos têm medos de pessoas, de galhos de árvores balançando, de carros, de outros animais, desenvolvendo até mesmo questões de reatividade por conta disso.

Sendo assim, é importantíssimo que você avalie se, para chegar ao ambiente de trabalho, independente do trajeto, o seu cão se sentirá seguro e confiante.

2 – Seu cão está preparado para lidar com distrações?

Uma das coisas que mais ouço quando levo a Zoé ao trabalho é: “nossa, como ela fica quietinha debaixo da mesa?” Parece mágica, mas é treino. E, ao contrário do que parece, não é treino para ficar deitada embaixo da mesa – até porque isso é muito fácil de ensinar a qualquer cão – , mas para lidar com distrações.

O ambiente de trabalho é cheio de distrações. Pessoas falam ao mesmo tempo. Pessoas falam ao mesmo tempo em que o telefone toca. Pessoas falam ao mesmo tempo em que o telefone toca, alguém sai e a porta bate com força. Pessoas entram e ligam a máquina de café enquanto a impressora também está fazendo o seu trabalho… Trabalho é pura distração, por isso, e pelos ensinamentos da física, é necessário fazer uma determinada força para um determinado deslocamento. Seu cão saberia lidar com todas essas distrações?

3 – Há espaço adequado para que ele faça as necessidades fisiológicas?

Eu sei, a empresa está bem intencionada e pode colocar tapete higiênicos para que o seu cão faça as necessidades fisiológicas num tapete higiênico, mas convenhamos que, em meio ao ar condicionado, essa não é uma ideia muito saudável ao olfato, né? 

Certifique-se de que há um espaço reservado para isso. De preferência, ao ar livre. Seu cão vai amar! 

4 – Seu cão sabe respeitar o espaço de outros cães e de outras pessoas?

A empresa é pet friendly, mas o seu cão aceita ficar perto de outros cães? E de gatos? Ele saberia ficar embaixo da sua mesa sem atrapalhar os seus colegas de trabalho ou encrencar/ disputar recursos – inclusive você – com outros animais? 

O ambiente corporativo é coletivo e os seus colegas que não curtem animais também precisam ser respeitados. Sendo assim, é necessário que o seu cão respeite também os espaços dessas pessoas, sem pulos ou interações. 

É importante frisar que o olhar para o universo pet tem ganhado espaço em vários segmentos, mas o bem-estar de um cachorro é de total responsabilidade do seu tutor. Dessa forma, se a empresa é pet friendly e está disposta a oferecer o melhor para os novos “funcionários”, saiba que a capacitação para o ofício começa em casa. 

Lembrando que, pela legislação federal, cães-guias podem entrar e permanecer em qualquer ambiente público e privado de uso coletivo. E, por algumas legislações municipais e estaduais, esse direito também se aplica exclusivamente a outros cães de assistência. 

Por Jéssica Vieira

É jornalista, pós-graduada em Novas Tecnologias e mestre em Letras - com ênfase em Análise do Discurso - pela UFS. Nordestina arretada, taurina convicta, faladeira ao extremo e míope incurável, é a humãe e treinadora da Zoé, a primeira Border Collie cão-guia do Brasil.

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