Black, o gato preto que deu sorte

Black

“Olá, meu nome é Black, sou esse gatão preto lindo ai em cima.

Como já dizia a música de Chico Buarque “nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres”. Por um bom tempo fui um gato de rua e passei fome, frio, medo e, com certeza, apuros. Ganhei também boas brigas por minhas namoradas (sou muito bonito e forte) e carrego marquinhas de brigas nas minhas orelhas até hoje! 😉

Infelizmente, minha história, como a de tantos gatos pretos como eu, é um pouco forte…

Até hoje não entendi direito, só sei que eu ia sempre pedir comida na casa de um senhor e ele percebeu minha ausência em uma sexta-feira 13 e dai no sábado, no domingo… Voltei apenas na segunda-feira, muito machucado e bravo. Algumas pessoas tinham feito mal pra mim. Jogaram ácido em mim e eu perdi parte do meu rosto. Eu não imaginei que poderia sentir tanto medo, dor e raiva assim… Eu atacava tudo e todos que via pela frente, o pavor estava todo concentrado em mim.

Black, sobrevivente de um ataque em uma sexta-feira 13

Eu, garoto propaganda da Catland

O senhor que me alimentava conseguiu me “capturar” e me levou a uma clínica veterinária. Ele não tinha um real para custear meu tratamento, a dona da clínica estava fora do país e os veterinários contratados já tinham enfiado uns três animais de rua aquela semana na clínica. Pelo meu estado “feral”, a ausência de um tutor e a grande possibilidade de eu desenvolver uma sepsemia (infecção generalizada) eles falaram em eutanásia. Houve um grande dilema entre os profissionais e estagiários da clinica. Uma das estagiárias de veterinária, perdeu o chão ao ver o meu estado e chorava absurdamente sem conseguir opinar. Ela queria me ajudar, mas tinha acabado de adotar mais uma cachorra que tinha sido abandonada na porta da clínica. Decidiram pedir ajuda para uma ONG e no mesmo dia umas tias da Catland adoção de gatinhos vieram me buscar.

Meu tratamento não foi nada fácil. Fiquei internado, mordi meio hospital (“era o terror da cercania onde morava” rs), precisava de limpeza local várias vezes ao dia, eu queria morrer… A estagiária “chorona” foi acompanhando meu caso pela internet e às vezes auxiliava financeiramente porque meu tratamento não ficou nada barato… Felizmente deu tudo certo e eu me recuperei direitinho.

Apesar de ainda ter uma cicatriz no rosto, eu não guardei nenhuma no coração e perdoei vocês, humanos. Entendi que tem gente ruim, mas tem muita gente que me ajudou e é por causa delas que estou assim, lindão e feliz de novo.

A estagiária chorona virou médica veterinária e, melhor ainda, ela virou MINHA mãe! Agora tenho um lar com tudo que é tipo de brinquedo só pra mim (mas prefiro as caixas de papelão e sacolas de papel), uma mãe que me beija e faz cafuné o tempo todo e dois irmãos caninos, a Cojo e o Ti. Ela fala pra mim que eu sou muito corajoso e que minha cicatriz é mais uma medalha, porque sou um vencedor.

Apesar de todo o sofrimento, eu tirei a sorte grande. Hoje eu posso colocar a cabeça no peito da minha humana, ela sente o meu ronronar e a gente fica em paz.

Uma cabeçadinha de amor,

Black, o gato preto mais feliz do mundo”

 

Você também pode ajudar outros gatinhos a terem um final feliz igual ao do Black: adote um gatinho, seja voluntário ou faça uma doação para ONGs sérias, como a Catland.

Faça parte da nossa campanha contra os maus-tratos nesse Dia das Bruxas! Saiba como em: https://www.petlove.com.br/dicas/sejagatopreto/

Sobre o autor

Gleyce Oliveira

Gerente de marketing da Pet Love durante a semana, voluntária da Catland nas horas vagas e mãe dos felinos ex-de-rua Mia, Mini e Provolone em tempo integral, Gleyce tem um plano secreto de se tornar a "louca dos gatos". E dominar o mundo se der tempo.
Também ama os caninos, representados em sua vida pela Dalila, Lhasa Apso, e Gaia, RotFila, que vivem a vida mansa do interior na casa dos seus pais.

14 Comentários

  • Linda história e com final feliz!!! Me impressiona cada vez mais como a maldade humana não tem limite. Me pergunto: o que leva uma pessoa a ser tão cruel com criaturinhas tão indefesas? Não consigo chegar a uma conclusão e muito menos na razão para agir assim. A pessoa tem direito de não gostar de animais, mas isso não lhe dá o direito de maltratar e ser cruel. Pessoas (na verdade monstros) que agem assim devem ser punidos!!! Espero sinceramente que a humanidade evolua, aprenda com o animal a dar amor incondicional. Que que o Black e sua mamãe possam ser muito felizes juntos por muitos anos. O meu amor felino chama-se Romeu e ele foi a melhor coisa que me aconteceu. Agradeço a Deus todos os dias por ter colocado ele na minha vida.

  • Lindo final!!! Tenho oito gatos que adotei, desses oito três são pretinhos. São lindos, amorosos… Nossa, como eu os amo. Esta semana encontrei um filhote de gato preto na rua e trouxe para minha casa. Não pretendo ficar com ele. Estou esperando passar a sexta feira 13 para colocá-lo p adoção. Quero muito que ele encontre um lar onde possa ser amado!

  • Que coisa linda! Uma história de raça e superação! Tbm resgatei um negro gato maltratado que está cego de um olho, mas que com esse que sobrou me olha com toda ternura e gratidão do mundo! Lindo ato, linda história!

    • Ai, que Debora, caiu uma lagriminha aqui 🙁
      Sei bem como é esse olhar de gratidão – a minha Mia (siamesa na minha foto) eu resgatei e ela também não tem um olhinho e ela é super grudada em mim. Felizmente no caso dela era congênito, acho que ela não chegou a ser maltratada antes de eu adotar (tirando que ela tava magrinha quando eu peguei).
      abs

  • oinnnnnnnnnnnnn que lindo!!
    gente, me pergunto varias vezes ao dia como pode existir pessoas tão más ao ponto de fazer mal a um inocente??? Parabéns a todos que tem coragem de cuidar desses peludos amados!! Parabéns Gleyce!!

    • Oi Jaqueline,
      realmente muito triste, né? Ninguém é obrigado a gostar de nada nessa vida, mas o mínimo que a gente espera de qualquer ser humano é respeito e compaixão.
      Sobre o Black, ele é filho da Vivi, na verdade, eu só postei o artigo que “ele” escreveu 🙂 Tive notícias dele esses dias. Ele está super bem cuidado e vivendo com uma família maravilhosa, como ele merece.
      Abraços!

      • Graças a Deus que ainda existem pessoas boas… e espero que um dia, todas as que são más, paguem por todas as maldades que fazem com seres indefesos, lindos e maravilhosos! Sou “mãe” de dois “pooduros” (o Black e o Brown) e amo-os com toda a minha alma, de todo meu coração e com todas as minhas forças!

        Rose, Fortaleza – Ce.

  • Nossa que história triste do Black mais um final muito feliz. Eu amo gato, tenho 10, quase todos adotados. Se eu tivesse condição financeira, eu teria muito mais. Mais vivo de meu humilde salário que chega a mil reais.

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.