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Como introduzir um novo gato no ambiente? (Parte 2)

Por Isabela Zitti -

Na semana passada conversamos aqui sobre como fazer a introdução correta de um gato novo no ambiente. Falamos sobre as primeiras fases do processo de adaptação, que são preparação do território, introdução e mistura dos cheiros e troca de ambientes.

Bom, agora vamos para as etapas finais desse processo, e se você seguiu minhas orientações e não teve nenhuma guerra mundial aí na sua casa, ufa! Você fez tudo certinho até aqui!!!

dois gatos ao lado de um brinquedo arranhador

Quarta fase: Contato visual pelo vidro

Agora que os dois gatos estão bem acostumados com o cheiro um do outro, está na hora de deixar eles se verem. Não existe uma regra na hora de fazer essa apresentação mais direta, mas existe uma coisa que não pode deixar de existir: a segurança!

Já que chegamos até aqui, não podemos em hipótese alguma permitir que os gatos escapem, briguem ou até se machuquem. Por esse motivo, para a primeira apresentação, é sugerido uma porta de vidro (vidro da sacada, e até do box do seu banheiro). 

E qual o horário que vou fazer isso? Por quanto tempo? Qual gato vai ficar do lado de fora e qual vai ficar do lado de dentro? Infelizmente quem vai responder essas perguntas e nos ajudar no planejamento, são os seus gatos.

E se eu tentar te dar alguma dica nesse momento, pode ser muito ruim! Vamos sempre lembrar: gatos são únicos, com personalidades e comportamentos individuais!

“Dra. Isa, eu posso colocar os gatos para comer um sachê ou petisco por trás desse vidro?” Depende! Se você perceber que os dois gatos estão totalmente relaxados com a situação, você pode. Mas nunca force os gatos a isso. Deixe as vasilhas bem afastadas e deixe os felinos escolherem se eles querem ou não comer olhando para o novo irmão.

Comer junto não é um comportamento natural para eles, mas alguns gatos que se sentem mais amigos, acabam até fazendo isso de forma natural. Outros fazem porque acabam ficando sem escolha.

Para muitos felinos, forçar essa interação pode ser extremamente ameaçadora, causando mais medo, insegurança e ansiedade

O segredo nessa etapa das apresentações visuais é quando o tutor me fala assim:” Dra., os gatos estão se olhando pelo vidro e não estão nem aí um para o outro, estão até se ignorando”. Bingo! Você já pode pensar em passar para a próxima etapa.

Quinta fase: Contato visual pela tela

As regras nessa fase são praticamente iguais às da quarta fase, a diferença é que em vez de usar o vidro como barreira de proteção, vamos usar uma tela, caixa de transporte ou grade. Eu já cheguei a usar até um escorredor de louças uma vez (risos). Mas nunca faça isso sem a orientação de um profissional especializado em comportamento. 

O segredo para uma boa introdução de gatos é saber respeitar o momento certo de cada gato. Só eles sabem esse momento, e eles irão te dar sinais corporais e comportamentais, te avisando quando você vai poder mudar de fase e evoluir. Se você não souber interpretar esses sinais, infelizmente você vai errar.

E errar nessas horas significa brigas entre eles agressões contra você e traumas emocionais irreversíveis para todos os envolvidos. Eu sei que seguir essas etapas é cansativo, nos deixa ansiosos. Mas você tem que ser forte! 

Gato escondido embaixo da cama

Sexta fase: Contato supervisionado 

Nessa etapa, os gatos poderão estar no mesmo cômodo, mas sempre supervisionado por você. Se ambos os gatos estiverem relaxados, promova momentos positivos de carinho, oferecendo alimentos e até brincadeiras. 

Não se esqueça que a brincadeira para os gatos costuma ser solitária, e nem todos irão se sentir à vontade dividindo um brinquedo, ou seja, uma caça.

Previna-se quanto a possibilidade de um conflito físico entre esses gatos. Se você começar a perceber algum sinal de incômodo ou desconforto, separe imediatamente os gatos. Não dê tempo para que eles briguem de verdade, senão você pode perder todo o esforço e o processo que conseguiu até agora.

Adaptar gatos exige uma preparação psicológica muito grande, e o maior segredo é ser paciente, persistente e não desistir fácil!!!

Por Isabela Zitti

É médica-veterinária especializada em comportamento felino e com pós- graduação em Clínica Médica de Felinos. Possui 10 gatos (8 resgatados da rua) que são o amor da vida dela, e esse amor a fez dedicar-se exclusivamente ao atendimento comportamental de felinos. Possui várias certificações internacionais e realiza consultas, cursos e palestras por todo o país.

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