Criptorquidismo em Animais de Estimação

O criptorquidismo é uma alteração reprodutiva em machos, caracterizada pela ausência do deslocamento de um ou de ambos os testículos da cavidade abdominal para o escroto. Os testículos, nesses casos, podem permanecer no tecido subcutâneo da área pré-escrotal, no abdome ou na área do anel inguinal. É uma doença hereditária autossômica, ligada ao sexo, portanto, embora somente os machos manifestem os sintomas, as fêmeas podem ser portadoras do gene responsável.

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Criptorquidismo em Animais de Estimação

Os testículos dos cães ainda permanecem dentro do abdome após o nascimento e devem descer naturalmente para a bolsa escrotal, junto com o crescimento do animal. Esse processo de descida testicular deve completar-se até os seis meses de idade, quando, na maioria dos cães, o anel inguinal se fecha. Porém, os testículos podem ser palpáveis no interior do escroto em períodos que variam de 10 a 42 dias de idade.

Casos unilaterais, aqueles em que apenas um testículo não chega até o escroto, são mais comuns e quando o problema é observado nos dois testículos, é denominado de criptorquidismo bilateral. Esse problema pode acometer qualquer espécie entre os mamíferos, e, dentre os animais domésticos, pode ocorrer em gatos, porém é mais comum em cães. Quando o criptorquidismo for bilateral o animalzinho será estéril, e, quando for unilateral, ele ainda será capaz de produzir espermatozoides normalmente, podendo então se reproduzir. Porém, como é um problema congênito, ou seja, um problema que pode ser transmitido aos filhotes descendentes, deve-se evitar a procriação desses animaizinhos.

Além de passar esse problema às gerações futuras, animais criptorquídicos apresentam maiores chances de desenvolverem tumores testiculares (câncer no testículo ectópico, aquele que não desceu até a bolsa) do que os animais normais. Portanto, indica-se que animais criptorquidas sejam castrados e também que seja feita uma cirurgia exploratória do abdome (laparotomia exploratória), para primeiro se localizar o testículo ectópico não palpável e, então, a posterior retirada do mesmo.

O diagnóstico dessa doença pode ser feito pela avaliação visual e, para melhor localização do testículo ectópico, pode ser necessário o uso de ultrassonografia. Mas, muitas vezes esse problema passa despercebido pelo dono, e isso pode gerar problemas mais graves, como tumores, os quais exigem tratamento mais complexo e podem trazer riscos ao paciente. Ou seja, é muito importante observar se há qualquer anormalidade nos testículos de um cãozinho enquanto jovem, assim ficará muito mais fácil o tratamento e também evitará a procriação de descendentes com o mesmo problema. Com todo carinho e atenção, você vai garantir a saúde e a maior longevidade do seu bichinho, deixando-o satisfeito e cheio de energia para gastar todos os dias.

Sobre o autor

Dr. Marcio Waldman

Dr. Marcio Waldman

Medico veterinário, diretor e fundador do www.petlove.com.br. Formado em 1988 pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e pós graduado em latu sensu em odontologia veterinária, foi secretário geral da Anclivepa SP (associação nacional de clínicos veterinários de pequenos animais) e sócio fundador do Simpavet (sindicato patronal dos médicos veterinários). Atuou como clínico veterinário de pequenos animais de 1988 a 2005 em São Paulo, e em 2005 terminou a atividade na clinica para se dedicar exclusivamente ao Pet Love.

9 Comentários

  • Tenho um SRD porte médio/pequeno que uma das gonodas se move da região escrotal para a inguinal seguidamente. Ele já tem 2 anos – é normal? não percebo isso nos outros

  • Tenho um cão tem 7 anos ele é unilateral, foi castrado a 7 meses o testículo ectópico ficou para ser retirado posteriormente ( que farei o mais rápido possível), queria saber se ele com apenas o testículo ectópico pode vir a enxertar uma cadela???

  • Meu pet tem sete meses e só um testiculo desceu, quero saber se existe a possibilidade da retirada do testiculo ectopico e conservaçao do testiculo normal. Não sou criador para venda de filhotes , mas gostaria de ter um filhote do meu cãozinho.

    • Ele pode procriar, deixa assim, até ele procriar. cirurgia sempre tem risco de vida. Penso que se for pra operar que seja caso de doença, anestesia geral é sempre risco.

  • Olá, o meu pinscher tem 1 ano e 10 meses , queria saber se primeiro tem que castrá-lo ou fazer o tratamento para o criptorquidismo? Tenho muito medo de que tenha algum risco e acabar perdendo o meu cão.
    Obrigada!

  • Ola Elizabete

    O ideal seria opera-lo o quanto antes, pois a chance de distúrbios hormonais ou outras patologias pela presença anômala do testículo cresce com o tempo.

    Converse com o seu veterinário pois atualmente os protocolos de anestesia são muito seguros e o risco é minimo.

  • O meu pug tem 2 anos e 4 meses preciso opera lo.
    Mas tenho medo da anestesia e ele morrer.
    O prazo para essa cirurgia e com atos anos no máximo?
    Obrigada

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