Dia do Cão-guia – conheça a história do Murilo e da Baduska

“Foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida! Lembro que estava aguardando e aí bateram na porta. Eu só sabia o nome dela e quando eu chamei, ela veio como se a gente já se conhecesse há uma eternidade. Ali, eu já pude saber o quanto ela é carinhosa e companheira… uma experiência indescritível!”

Murilo e Baduska

Murilo abaixado e recebendo beijinhos de Baduska, sua cachorra-guia

Este é um trecho do depoimento que recebemos do Murilo Delgado, que trabalha na área de Relacionamento do Instituto Magnus, e há quase três anos adotou a Baduska (@baduskacaoguia), uma linda Labradora, que além de parceira de todas as horas também ajuda o analista e palestrante como cão-guia.

Saiba mais sobre esta história inspiradora que celebra o Dia do Cão-guia!

“À medida que fui perdendo a visão, só foi crescendo a vontade de ter um cão-guia”

Murilo nasceu com glaucoma congênito, uma doença que o fez perder a visão aos poucos. “Aos cinco anos eu perdi a visão do olho esquerdo e com 18 perdi quase toda a visão do olho direito”, conta o tutor de Baduska.

Ele também revela que sempre gostou e teve cachorros em casa, que durante o processo de perda da visão, acompanhava filmes, documentários e tudo que saía sobre cães-guias. Ao longo do tempo,  chegou a procurar algumas pessoas com deficiência visual para saber como era ter um cachorro treinado para ajudar nas tarefas do dia a dia.

A vontade de adotar um cão-guia foi crescendo até que há três anos ele tomou a decisão que mudaria a sua vida. “Eu conheci o Instituto  Magnus em 2018 como candidato a ter um cão-guia, pois na época fiquei sabendo que a Adimax estava construindo um centro de treinamento deste tipo aqui na região. Alguns meses após eu fazer a inscrição, o pessoal entrou em contato comigo para fazer a avaliação e a adaptação com a Baduska”, lembra Murilo.

Instituto virou local de trabalho

Por morar próximo ao Instituto Magnus, Murilo era frequentemente convidado para participar de gravações, palestras e eventos. Num desses encontros, recebeu o convite para fazer parte do time de Relacionamento e não pensou duas vezes! “É bom trabalhar para que outras pessoas tenham a mesma oportunidade que eu tive”, afirma.

Murilo e Baduska - cão-guia

Murilo e Baduska caracterizados para a festa junina

O novo emprego veio um ano após a adoção de Baduska, período em que Murilo ainda estava se adaptando à nova companheira. Sobre esta fase ele lembra: “A fase de adaptação é um misto de emoções, pois a gente precisa, antes de ter mais autonomia, se restringir um pouco para conseguir aumentar a confiança no cão. No início parece um pouco frustrante, mas no final é muito gratificante”.

E Murilo fala de satisfação com conhecimento de causa. Ele conta que um dia ele e Baduska estavam saindo para trabalhar, mas logo depois que abriu a porta, a cachorra começou a agir como se houvesse um obstáculo logo à frente. Como Murilo não detectou nenhum perigo, tentou continuar caminhando, mas Baduska insistia em fazê-lo parar.

Murilo só se deu conta do que estava acontecendo quando percebeu que uma das ruas estava completamente alagada! “Me marcou demais porque a Baduska ainda não tinha sido treinada para agir naquela situação (alagamento), mesmo assim ela percebeu um problema e tentou me mostrar, da maneira que ela sabia, que algo estava errado. Comecei a entender que ter um cão-guia ia muito além de ter um cachorro que desvia de obstáculos. É ter alguém cuidando de você o tempo todo”.

A nossa conversa terminou com uma reflexão de Murilo sobre como o cão-guia acaba ajudando na socialização das pessoas cegas. “Hoje as pessoas vem muito mais falar comigo por conta da Baduska, já fiz muitas amizades por conta dela. Acaba sendo uma porta de entrada, uma janela para a sociedade, para as pessoas verem que, independentemente da deficiência, nós somos pessoas como todo mundo… É diferente quando o pessoal vê a gente de bengala e quando vê com um cão-guia”, finaliza.

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Sobre o autor

Anderson Mafra

Anderson Mafra

Jornalista apaixonado por animais, comunicação, música e que não perde um concurso cultural (na verdade já perdeu vários). Curioso de mão cheia, quer saber sempre mais e compartilhar conteúdo, dicas e curiosidades do mundo pet. É um petlover assumido, sem chance de reabilitação.

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