Ingestão de corpos estranhos por cães e gatos

A ocorrência de obstruções gastrintestinais em cães e gatos, principalmente em com idade inferior a 2 anos, é bastante comum. Movidos pela curiosidade, ou durante brincadeiras, os pets ingerem qualquer objeto não presente em sua dieta alimentar, denominado corpo estranho. Fios e novelos de lãs (maiores vilões para os felinos) presentes em roupas, barbantes, bandagens, meias, plásticos e faixas de pano tendem a ficar retidos na cavidade gástrica. Já no caso de ossos, madeira, brinquedos, pregos, pilhas, anéis, caroços de frutas, lâmpadas, dentre outros, são elementos que costumam alcançar o intestino através dos movimentos peristálticos. Não raro, esses objetos param ainda no esôfago, na área de entrada torácica, próxima ao diafragma.

Ingestão de corpos estranhos por cães e gatos

Ingestão de Corpos Estranhos por Cães e Gatos.

Em muitos casos, o alimento não consegue seguir seu curso natural, por conta do bloqueio que o corpo estranho provoca. Aliada a isso, a simples presença de fragmentos ou do objeto inteiro pode provocar graves transtornos digestivos, como a gastrite e a peritonite. Vômitos persistentes caracterizam-se como o primeiro sinal de alerta. Cólicas, gases frequentes, diarreia, salivação excessiva, anorexia, prostração, apatia e perda repentina de apetite, além de dilatação abdominal, com possível massa percebida pelo tato são importantes indícios. A incidência de tecidos ou materiais anormais nas fezes ou vômito praticamente encerram as dúvidas quanto ao quadro de sintomas.

Para auxiliar no diagnóstico, é cabível a tentativa de traçar um histórico completo do ambiente em que o animal vive. Objetos que possam ter desaparecido recentemente, ou mesmo pedaços quebrados destes itens, tendem a indicar a ingestão acidental pelos cães ou gatos. Dependendo do caso, um simples exame clínico/físico, juntamente com uma radiografia, deve detectar a presença de um corpo estranho (geralmente feito de metal ou material mais denso) no organismo do animal. A ultrassonografia é necessária em casos que envolvam a probabilidade de ingestão de tecidos ou plásticos, identificando movimentos anormais, sombras e sinais de obstrução. Existe ainda a endoscopia, exclusivamente para investigação e possível remoção de corpos estranhos depositados no estômago do pet. A utilização de medicamentos para cães e medicamentos para gatos está completamente descartada e, como no caso de qualquer outra enfermidade, o dono deve procurar a ajuda de um médico veterinário o mais rápido possível.

Muitas vezes os corpos estranhos são excretados de maneira natural, sem causar danos ao aparelho digestivo. Para todos os outros casos, como a obstrução total ou parcial, o procedimento cirúrgico é a única alternativa principalmente quando há a incidência de corpo estranho linear, muito comum em gatos que engolem fios e já apresentam uma peritonite (inflamação do peritônio, a membrana serosa que reveste parte da cavidade abdominal e vísceras) devido à ruptura de partes do intestino.

É praticamente impossível monitorar ininterruptamente o que os animais de estimação estão ingerindo, além da sua alimentação costumeira. Porém, procurar manter o ambiente em que vivem asseado, organizado e sem pequenos objetos à disposição, sempre que possível, pode colaborar para reduzir a ingestão de corpos estranhos. A higiene e a limpeza, assim como a organização, são pontos essenciais para a prevenção desse tipo de acidente com os pets.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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