O uso de animais na pesquisa científica

O uso de animais como cobaias em pesquisas científicas é extremamente controverso, porém diversos avanços na saúde humana, como também na saúde animal, foram alcançados graças a estas pesquisas. Desenvolvimento de remédios para humanos, antibióticos, bem como anti-inflamatórios para animais tiveram ensaios, para comprovar sua eficiência, realizados com cobaias.

Atualmente, os animais são usados para testes de produtos como cosméticos, vestuário, produtos imunobiológicos (vacinas, soro) e em pesquisas. Algumas empresas já desenvolveram métodos para garantir a segurança de cosméticos sem a utilização de animais, fazendo desse fato um produto de marketing positivo, uma vez que muitas pessoas boicotam produtos que são, comprovadamente, testados em animais.

Entretanto, a ciência ainda não tem alternativas para todos os ensaios onde os animais se fazem necessários. Por isso, para se estabelecer uma pesquisa, ou alguma produção de imunobiológicos ou medicamentos, deve-se submetê-la a uma espécie de conselho de ética para estabelecer parâmetros de máxima redução de sofrimentos impostos aos animais.

Em 2008, foi aprovada uma lei para regulamentar o uso de animais em procedimentos científicos e experimentais chamada Lei Arouca (Lei 11.794 de 2008). Essa lei define parâmetros para o uso de animais, bem como cria o Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (CONCEA) e as Comissões de Ética no Uso de Animais (Ceuas). Para realização de experimentos com animais deve-se submeter o pedido aos comitês de ética e só poderão ser realizados, se for aprovado.

Antecipadamente à legislação brasileira, ainda no ano de 1959, dois pesquisadores, Russel e Busch, estabeleceram os 3Rs da experimentação animal: replace, reduce e refine. Estes princípios consistem em analisar o projeto antes de começar o trabalho, questionando-se: “existem métodos alternativos ao ensaio com cobaias?” Se sim, utilizá-lo (replace); “O número de animais é o mínimo possível para garantir validade ao teste?” (reduce). “Existe algum meio para alterar o procedimento, a fim de minimizar o sofrimento animal?” Assim, aprimora-se a técnica (refine). Estes princípios servem de guias para elaboração dos projetos e está, implicitamente, presente nas recomendações da Lei Arouca.

A população, de uma forma geral, não aprova os ensaios com animais, porém onde se consegue progressos nesse sentido, estes são extremamente válidos, como não utilizar cosméticos em animais. Até mesmo a legislação brasileira recomenda que se desenvolvam novos métodos. Como, por exemplo, os testes de irritabilidade, que antes eram feitos em coelhos e, agora são realizados com segurança em ovos embrionados. Porém, em outros campos da ciência, esse avanço ainda não se concretizou. Por isso, é importante saber que os pesquisadores estão lutando para desenvolverem métodos alternativos de pesquisa e minimizar o uso de animais.

No caso das pesquisas científicas a utilização em animais ocorre por necessidade, e não por crueldade, como muitos acreditam.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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