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Por que você tem um cachorro?

Você já parou para se perguntar sobre o motivo de você ter um cachorro? O que te levou a adotar uma bolinha de pelo foi alto egoísta ou altruísta? Claro, pode ser uma mescla de ambos. Mas vamos a alguns pontos importantes para refletirmos. 

cachorro salsicha olhando para cima

É natural para o ser humano gostar de cachorro. Isso está relacionado a um processo de c-evolução de milhares de anos (aproximadamente 25 mil). Ao longo desse período os humanos foram capazes de se relacionar e compreender melhor seu amigo canino. O inverso também é verdadeiro. Hoje é possível provar cientificamente que os cães são capazes de reconhecer emoções em humanos.

Alguns estudos apontam que os olhos redondos e grandes dos cães e aquela carinha de pidão são estratégias para nos apaixonarmos perdidamente por eles. Funciona super bem, né?! Mas mesmo aquele cachorro mais feio e acabado, mexe com nosso coração. É como se estivesse no nosso DNA a necessidade de cuidar dos cães.

Mesmo todo esse amor e carinho pode esconder um egoísmo latente. Desde o começo do século passado, passamos a ter um olhar utilitário para o cachorro. Ele só pode ou deve estar em um local que haja uma função. Seja de cão de guarda, suporte emocional, companhia, superação de perda… Não que o cachorro não possa ser nada disso. Muito pelo contrário! Mas olhar o real motivo pelo qual temos cachorro faz com que possamos de fato oferecer uma melhor qualidade de vida a ele.

Eu não preciso apontar o dedo para você. Começo falando sobre mim. Afinal, esse discurso não vale só da porta para fora.

Tenho a Aurora, uma “chihuahuinha” com uns 12 anos. Eu a adotei. “Ai que lindo ato!”. Nada disso! Puro egoísmo. Ok, a atitude de adotar é altruísta. Tirei um cachorro de um abrigo, levei para casa e ofereci tudo o que ela precisou e ainda precisa. Nossa que ser humano lindo. Mas por que eu fui em busca de uma cachorrinha para adotar? Pura e simples carência. Eu buscava por uma cachorrinha pequena, que coubesse na bolsa, para que poder levar para todo local que eu fosse. 

Gosto de viajar, mas nem sempre encontro companhia. Então, basta pegar a Aurora e nunca me sinto sozinha. Aliás, ela é uma ótima forma de puxar uma conversa no parque ou até no restaurante. Como a maioria das pessoas gosta de cachorro, assunto é o que não falta.

Se eu disser que meu ato de ter um cachorro é altruísta, estarei me enganando. Se não, eu poderia pegar qualquer cachorro, em qualquer abrigo. Mas não, eu peguei uma dentro da minha conveniência, dentro do meu desejo de estilo de vida.

Confessar isso não me torna mais fraca ou menos preocupada com o bem-estar da Aurora. Mas mostra o quão eu fui criada dentro de uma cultura utilitarista de que o cachorro está aqui para me servir, para dar conta da minha carência. Agora, consciente disso, cabe a mim me desdobrar para oferecer a ela tudo o que ela necessita. Se ela faz bem a mim, o mínimo que eu posso fazer é o melhor para ela. E não é só de carinho, comida e passeio que se baseio o bem-estar de um cão! 

Seja qual for o motivo que te levou a ter um cachorro, o importante é você refletir sobre. Olhe para as reais necessidades do cachorro, não apenas como você gostaria que ele fosse ou o que lhe é conveniente. Observar o cão sob a ótica dele faz com que um novo mundo se abra em busca da melhor qualidade de vida para todos!

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Sobre o autor

Luiza Cervenka

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Psicobiologia (comportamento animal), Pós-graduação em Jornalismo e doutoranda em Medicina Veterinária. Assina o blog Comportamento Animal do Estadão e tem quadro pet no Programa Revista da Manhã na TV Gazeta. Atende cães e gatos como Terapeuta Comportamental.

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